El Marronzito


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Até que não foi tão ruim…

Se 2016 fosse uma pessoa que procurasse uma cartomante, provavelmente não ficaria muito feliz ao receber as previsões sobre o futuro. É óbvio que 2016, que ainda não acabou, é um daqueles anos complicados. Politicamente, o Brasil está em frangalhos. Qualquer previsão sobre o futuro do país é leviana, e tenho certeza que os roteiristas de House of Cards mordem os cotovelos quando leem notícias da nossa política. Em todo caso, a vida segue, certo? Meu ano também não começou muito bem, mas, aos poucos, a coisa foi melhorando. Apesar dos pesares, cá estou com 17 fotos que marcaram o meu 2016. Reclamar? Não posso. Esto vivo, com saúde, minha mãe está bem, os projetos que tinha em mente logo devem se concretizar, os boletos estão pagos (com muito custo) e, apesar de alguns laços que se afrouxaram, outros vieram. E vamos parar de papo e ir ao que interessa:

Por 17 vezes 2016

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Sr. Simpatia

A fotografia de rua sempre me fascinou. E foi com o espírito de porco que flagrei essa singela cena em Copacabana. E tava bem calor. Alguém falou que se trata do senhor de Up. Sei lá.

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A personagem sem nome

Eu conheci a atriz Giovanna Monteiro no carnaval e como a vida é cheia de voltas, meses depois, estávamos fazendo arte juntos. A primeira vez, foi para o livro novo. A segunda, em um ensaio em Barão Geraldo. Para o ano que vem quero dirigir meus primeiro curtas. Sendo assim, quem acompanha as minhas invenções logo verá a Gica de novo.

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João Guedes como Arthur Portuga

“O senhor ainda joga bola?”. “Sim, eu jogo”. Pronto. Era tudo que eu queria ouvir do Seu João Guedes, um simpático aposentado (raridade no futuro) que topou participar do projeto do livro de contos com fotografias. Com a ajuda de uma amiga, o levei para um campo de várzea para bater uma bolinha e ser fotografado como Arthur Portuga, um dos personagens de “As coisas que nunca contei, mas por sorte fotografei”. Ano que vem a campanha do Catarse vai ao ar. Ano novo, livro novo, mas as ideias malucas não param de pipocar.

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The Boss

Criança em casamento sempre rende boas imagens. Nesse caso, temos um pequeno homem falando ao celular enquanto uma menina olha brava para a outra (que faz cara de eita). A legenda é por sua conta.

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Aparelhado

Esse ano conheci lugares fantásticos. Entre eles, está o Aparelha Luzia, ponto de encontro de artistas, ativistas e produtores culturais negros de SP e região. Com uma decoração fantástica, o Aparelha é um convite aos fotógrafos. Ainda quero voltar lá para fazer um evento de Negros Heróis.

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O Jardim Bassoli é um dos piores empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida. Fato. As pessoas foram tiradas de seus lares e foram enfiadas em prédios insalubres que, aos poucos, estão afundando. Como no bairro não há nenhum tipo de aparelho público, não demorou para que o tráfico de drogas tomasse conta da quebrada. É aí que entra o Progen, entidade que há mais de 30 anos serve de opção para a população de três bairros periféricos de Campinas. Esse clique foi feito no Festival do Jardim Bassoli, um evento no qual os educandos mostraram o que tem apreendido no Progen e nos deram a esperança que, apesar dos pesares, é possível ser feliz.

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O ano de 2016 me aproximou bastante das causas sociais. Uma delas, com certeza, foi lecionar fotografia para adolescentes da Fundação Casa. Juntos, fotografamos pelas ruas de Hortolândia, SP, e críamos um livro. Um dos momentos mais bacanas do ano, com certeza, foi ver a cara de alegria dos adolescentes ao verem suas fotos impressas. E que eles continuem clicando sempre e, quem sabe, se tornem companheiros de profissão do professor Roniel 😉

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Gi e Felipe

Há um bom tempo, tipo uns 10 anos, fiz ensaio da bela Giovanna Gobbo. Na ocasião, conheci o Felipe, seu namorado. Em 2017, fotografarei o casamento desse simpático casal, mas já esquentamos os motores em um ensaio bacanudo. Acima, uma das minhas fotos prediletas de um dia dos mais legais desse ano que está indo para a cucuia.

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Amém, folia, amém

Em 2016, finalmente tive a chance de participar do Carnaval de rua de SP. E foi épico. Acompanhado de uma galera que entende da arte das fantasias, caí na folia (sem beber Catuaba) e me diverti muito. No último dia de farra, saquei a câmera para alguns cliques. A foto acima foi feita no Bloco do Charanga, da Conceição Discos. Infelizmente, não vou estar em SP no Carnaval de 2017, mas sei que o povo vai representar por mim.

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Mari Flor

Dia de sol, ideias na cabeça e um telefonema: “Mari, vamos fazer umas fotos lá no campo e girassóis?”. Recebi sim da modelo e atriz Mariana Soares. E lá fomos nós sob um sol escaldante clicar. O resultado não poderia ser melhor.

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Ah, o Rio

Há muito tempo eu não ia ao Rio, mas a missão de fotografar o mítico João Black para o livro “Coisas que nunca contei, mas por sorte fotografei” me levou à terra do Zé Carioca. E como não poderia deixar de ser, foram dias maravilhosos. Rever amigos, conhecer novos lugares, tomar um caixote em Copacabana e ainda ter o privilégio de ver o sol se por do ponto mais alto do Morro da Babilônia. Ah, esse Riozão.

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Festa Junina

Estava em SP à toa quando uma amiga me disse “Venha para o arraial Drag Queen do cursinho onde trabalho”. Eu fui. Além de divertido e muito engraçado, o evento foi realizado em um casarão antigo e estiloso. Foi lá que fiz esse clique.

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Asé

Um dois rituais mais belos que tenho fotografado ao longo do tempo é a Lavagem das Escadarias da Catedral de Campinas. Na ocasião, adeptos da umbanda e do cambomblé se reúnem no Sábado de Aleluia para lavar as escadas da principal igreja de Campinas. Apesar da intolerância religiosa quando a pauta são as religiões de matriz africana, seguimos lutando firmes e fortes. Até pra nóis tudo.

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Mãe e sua parceira, Chiquitita

Ano que vem, a Vila Castelo Branco (Vila Bela), bairro onde vivo, completará 50 anos. Como já escrevi muito sobre meu canto nos meus três livros, tive a ideia de fotografar 50 moradores que há muito vivem e ajudaram a transformar a realidade do bairro. Como a minha mãe vive aqui há 47 anos, acabou sendo minha modelo por algumas horas. Ao lado dela, sua mais nova amiga, a vira-latas Chiquitita (que tá aqui mordendo meu pé nesse exato momento, ô peste). Feliz por saber que ano que vem, minha mãe vai estar em um novo livro meu, desta vez com imagem e tudo. Ô sorte.

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Dani Nega, da Cia. Os Crespos

Difícil escolher apenas uma dentre centenas de fotos dos trampos realizados com o pessoal da Cia. Os Crespos,  grupo de atores ativistas que faz teatro preto em Sampa. Eu já os havia acompanhado em intervenções pelo centro da capital, mas dessa vez fomos aos extremos. Teve foto na Cracolândia, na Praça Ramos de Azevedo e no Pombas Urbanas, na Cidade Tiradentes. Apesar de alguns perigos, tudo deu certo e os espetáculos foram maravilhosos. Orgulho e prazer por estar presente nesses projetos.

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São Paulo é Paulo porque Paulo é trabalhador

Em 2016, passei muito tempo na capital. E sempre que posso, fotografo por lá. Esse clique foi feito na Rua da Consolação, bem próximo a um lugar tenso onde tenho uma história tensa (mas to vivão, isso que importa). Não sei se esse homem se chama Paulo e se é trabalhador, mas ela tem uma beleza simples que, de certa forma, me encantou.

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Bárbara Rosa

Para fechar, uma singela homenagem a uma pessoa que passou pela minha vida como um furacão de alegria. Linda, divertida, espirituosa, extremamente talentosa e dócil. Assim era a Bárbara Rosa, cantora da banda do Liniker e os Caramelows, falecida esse ano. Bá tinha câncer, mas não se deixava abater (tanto que pouca gente sabia da doença). Antes dela partir, me mandou uma mensagem via WhatsApp dizendo que faria questão de entregar o CD da banda pessoalmente. A vida não quis, mas eu tenho certeza que um dia a gente se encontra em um lugar melhor (e que as asas de anjo tatuadas nas costas dessa jovem se tornarão reais). Obrigado por tudo, menina. ❤

Fica o meu desejo de um Feliz 2017. Que tenhamos um ano melhor em todos os sentidos. Saúde, paz, alegria, boletos pagos e viagens mil. Obrigado por passar por aqui.

 


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Vai de retro 2013: 13 cliques de um ano quase passado

Para não deixar a bola cair e manter a tradição, cá estou com mais uma retrospectiva. Nem é preciso saber que dois e dois somam quatro para entender que, depois de 2010, 2011 e 2012, vem a retrospectiva de 2013.

E como 2013 foi um ano bacana fotograficamente falando!

Ao todo, foram mais de 12 mil imagens arquivadas. Dentre elas, há histórias de amor, sorrisos, situações corriqueiras e algumas curiosidades. Também há imagens que sintetizam diversas culturas e um pouco do quão variado e delicioso é o nosso mundão bão Sebastião. Pois bem, vou parar de enrolação. Infelizmente, não tive tempo (nem paciência para inserir as fotos produzidas com o uso do telefone celular). Em todo caso, elas podem ser vistas neste link. O mesmo vale para fotos de casamentos. Separei 13 cliques que gostei muito e pus aqui, ó.

Prometo não falar do lançamento de Negros Heróis e nem de Ato, Fato & Retrato, então, bora falar das fotos:

1- Mais bicicletas, menos carros, mais alegria (Amsterdã/Holanda)

Dizem que ass melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos. Essa foto foi feita enquanto eu descobria o Vondelpark, um dos mais tradicionais parques de Amsterdã, a capital da terra do Van Persie. Ela não é perfeita tecnicamente, mas quem liga pra técnica quando capta uma cena dessa?Foto simples que diz muito sobre a tal da felicidade que encontramos nas coisas pequenas da vida. Será quem um dia teremos menos brigas no trânsito e mais felicidade gratuita como a desta imagem? Espero que sim.

As melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos

02 – A penumbra santificada (Campinas/São Paulo)

O ano de 2013 foi um ano que rendeu muitas experiências fotográficas com a soma novos equipamentos e velhos conhecidos. Em junho, reuni maquiadora, duas modelos e uma outra fotógrafa para fazermos alguns cliques em um hotel dos anos 50, próximo ao centro de Campinas. Dentre as fotos, está a imagem das costas da magrela amiga /modelo/ Paloma Lopez e o desenho da Pomba, representação do Espírito Santo. Ano a ano, percebo que fotografar a fé que move as pessoas tem se tornado cada vez mais interessante, mesmo quando a ocasião é completamente outra. Keep the faith e ralando a coisa rola.

A pomba santificada

03 – Até quando não iremos desistir?  (Itaquera/São Paulo)

Muita vezes, após de produzir certas imagens, notamos que nossa maneira de ver as coisas muda. Foi assim que me senti ao fim de uma exaustiva semana de cobertura do “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”, evento realizado em Itaquera, Zona Leste de SP, que envolveu a Rede de Culturas Populares Tradicionais e o Ministério da Cultura (Minc). Se por um lado o coração se encheu de orgulho em ser brasileiro e ter vivenciado de uma maneira intensa quão rica é nossa cultura, por outro lado, fiquei entristecido com a situação dos índios e de gente humilde que nada contra a corrente para que tradições não morram. Foram tantas cenas bacanas, mas escolhi a foto de um mestre do Fandango Caipira. Ela diz muito sobre o que é ser brasileiro.

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04 – Uma questão de identificação (Berlim/Alemanha)

Dentre tantas lições aprendidas no Velho Continente, há uma que marcou meus dias na Alemanha e na Polônia: ao encararmos quão baixo pode ser o ser humano, ficamos automaticamente atormentados. Assim que saí do Museu do Holocausto de Berlim, voltei para a área onde fica o Monumento do Holocausto. Dentre os blocos de concreto, que para muitos simbolizam os judeus mortos pelo regime fascista, vizualizei duas jovens trocando carícias e se autofografando. Nem pensei duas vezes antes de sacar a minha câmera e registrar o momento. Alguns dirão que se trata de desrespeito. Outros podem dizer que se é uma cena que afronta os regimes autoritários que ainda existem (principalmente o machismo nosso de cada dia). A imagem também pode ser entendida como a resposta que o amor, enfim, venceu. Eu não sei exatamente o que dizer. Só sei que essa foto, por tudo que ela representa, é um dos meus cliques prediletos de 2013.

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05- Sinhá e sinhazinha (Campinas/São Paulo)

Era dia de festa. O “Urucungos, Puitas e Quijengues”, grupo  campineiro que mantém viva tradições culturais de origem africana, realizava um cortejo pelas ruas do Bairro Bonfim para comemorar 25 anos de luta. Foi nesse clima gostoso que fotografei a simpática Sinhá, uma dos mais antigos e carismáticos membros do Urucungos, preparando a pequena sinhazinha para o cortejo. Quem conhece a Sinhá sabe quão querida e humana ela é. No nosso próximo encontro, desejo dar essa foto impressa pra esse doce de mulher que a todos conquista com seu jeito faceiro.

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06 – Like a little Rolling Stone (Londres/Inglaterra)

Era início da noite no meu primeiro dia na terra da Rainha, quando dentro de uma lanchonete, avistei um menino cheio de atitude: camisa do Rolling Stones, cabelos compridos como dos grandes roqueiros e calças arreadas. Só tive tempo de fazer o clique porque me atentei inicialmente às calças do garoto que passou diante à porta da lanchonete, desfilando carisma. Só mais tarde, quando voltava para “casa”, que percebi a composição dessa cena divertida. Enquanto houver mais meninos como esse, creio que o Rock and Roll continuará vivo. E Deus salve a rainha.

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07 – Dom Quixote feelings (Kinderdijk/Holanda)

Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro famosos por seus devaneios e histórias esdrúxulas, em sua vida nobre enfrentou diversos moinhos (entenda-se, dragões). Eu que não sou bobo, fiz questão de viver meu momento Dom Quixote em  Kinderdijk, vila holandesa considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. Lá, visualizei os 19 moinhos gigantes, além de conhecer outras áreas incrivelmente charmosas. Não há como não se apaixonar pela genialidade humana. Seja pela construção dos imponentes moinhos ou pela ideia de transformá-los em terríveis monstros.

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08 – Por Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis -MG (Itaquera/SP)

Creio que as imagens mais ricas do ano foram feitas durante o “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”. Esse retrato é um dos que mais gosto, pois sintetiza a humildade e a fé de um povo especial. Sei que já falei isso logo acima, mas é realmente tocante a beleza da nossa cultura. Outro retrato que gosto muito, é a encarada que recebi da velha índia do Povo Karajá. Esse aqui, ó.

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09 – Frank (Londres/Inglaterra)

Num desses encontros mágicos da vida, dei de cara com um casal de amigos brasileiros que também visitavam Londres enquanto eu clicava as simpáticas figuras de Candem Town, bairro alternativo da capital inglesa. Juntos, fomos dar um pulo no The Hawley Arms, o pub onde Amy Winehouse, que morava próximo às quebradas de Candem, tomava altos gorós e saia de lá pra lá de Bagdá. Era fim de tarde de verão Europeu, fato que por si só já rende uma luz muito bacana. Foi o bastante para fazer um clique dessa bela inglesinha. Se um dia for pra Londres, vá para Candem Town.

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10 – Filha de um santo observador (Campinas/São Paulo)

Desde 2010 eu estava para fotografar a mística Lavagem da Escadaria de Catedral de Campinas. Em 2013, finalmente consegui. Mais do que ter um grande respeito pelas religiões de matrizes africanas, tenho verdadeira adoração pelas fotos da lavagem. É interessante rever rostos que fotografamos em um passado recente e ver suas mudanças. A minha foto predileta desse dia é a da filha de santo que observa calmamente tudo que acontece. De traços leves, a bela jovem negra chamou minha atenção e deve ter atraído olhares de tantos outros fotógrafos. Em que será que ela estaria pensando? A graça é olhar a foto e ficar matutando.

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10 – Admirável mundo louco (Praga/República Tcheca)

A gente sabe que vive num mundo cada vez mais dinâmico a ponto de no futuro a Skynet tomar conta da humanidade. Essa relação homem e tecnologia segue rendendo imagens interessantes. Enquanto eu passava alguns minutos observando o efeverscente clima da capital checa, bem abaixo da famosa ponte Carlos, notei que um artista de rua deixou sua personagem, sentou-se no banco que lhe servia como base e, de pernas graciosamente cruzadas, passou a prosear em alto e bom checo. Foi a primeira vez que vi uma estátua usar celular. Para onde estamos caminhando?

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11- Pretinha na prosa (Campinas/São Paulo)

Foi na festança da feijoada da Comunidade de Jongo Dito Ribeiro que avistei essa cena comum. Cada vez mais presentes em nossas vidas, pelo bem ou pelo mal, os celulares muitas vezes acabam roubando a cena na fotografia. Eu mesmo fiz milhares de imagens com esses bichos espertos que nos fazem muito burros, às vezes. Na cena, uma jovem menina se delícia com um papo. Do outro lado pode estar um namoradinho, uma amiga ou sejá lá quem for. Só sei que a sua alegria era inspiradora, assim como tudo que aconteceu em mais uma edição da tradicional festa da Fazenda Roseiras.

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12 – Jeff, devolva a minha alma (Amsterdã/Holanda)

Sabe aquele ditado que diz que não importa onde estejamos, ainda seremos os mesmos, assim como nossas raízes? Então, senti isso na Holanda quando diante ao Rusk Museum fui atraído pelo jazz de um preto grisalho e seu saxofone. Poucas vezes eu chorei tanto em minha vida. E nem venham com esse papo que homem não chora. Cada nota da música que invadia o ambiente e chamava atenção dos que ali passavam, me cortava um pedaço da alma. Sem dúvida, dentre tantas coisas fantásticas que vi em 30 dias de mochilão vida louca, a música de Jeff foi a que mais me fascinou. É a música da alma, a música dos negros sofridos, a música que faz a gente se encontrar e saber quem realmente somos. Parei para conversar com ele, deixei algumas moedas e lhe agradeci pela viagem ao passado. Essa foto eu não esqueço tão fácil. E o som ainda bate aqui no meu coração.

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13 – A vida é uma dádiva

Poxa, quem me conhece bem sabe que vivenciei alguns dramas em 2013. O momento mais tenso de 2013 foi o AVC sofrido pela minha mãe. Por Deus, eu estava em casa para, mais uma vez, socorrer alguém que sempre me socorreu quando precisei. O AVC não foi grave, não ficaram sequelas e a cuca da Dona Marlene está funcionando muito bem. Incrível como a gente é praticamente nada nesse mundão. Agora estou aqui escrevendo e amanhã posso estar partindo pra uma melhor. Por isso, em 2013 eu mantive ao máximo a filosofia de tentar ser um cara bacana por onde passar. Claro que não sou santo e tive muitos momentos tensos e barracos. Mas, enfim. O importante é que a vida segue sendo vivida ao lado da mãe, dos poucos amigos e de tantas pessoas que conheci em 2013. Quer melhor presente do que ter quem mais se ama ao lado? A vida é pra ser vivida. E a melhor foto do ano mostra a nossa união, um elo que transcende cor de pele, filosofia de vida e idade. É apenas o que somos: mãe e filho em um momento de superação. O resto é novela das nove.

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A todos que acompanharam meu trabalho em 2013, meu muito obrigado. Ano que vem estamos de volta com mais histórias, fotos e muitas abobrinhas. Obrigado de coração a quem me apoiou, a quem me jogou ao vento e quem ainda tá comigo na luta. Beijo no coração de todxs.

Roniel Felipe


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Hoje é dia dos casados

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Erich e Cacau SAL

Eu ia ficar quietinho, mas não consegui.

Hoje é dia de amor no ar. Hoje, aquele casal de pombos que você tanto odeia por ter defecado na sua roupa nova, se tornará um casal de pombos albinos fazedores de arco-íris. Eles voarão por aí transformando as manifestações pelo aumento do valor da passagem de bus/metrô em Sampa e no Rio em manifestações da mais pura paz e amor. A truculência da tropa de choque dará lugar à leveza do “não-provoque-é-cor-de-rosa-choque”. A quebradeira vai ceder vez a qualquer clássico do Lionel Richie ou do José Augusto.

É o “mais amor por favor virando realidade”. É a bolsa borboleta no estômago.

Tá, parei de devaneios. Chega. Voltemos ao mundo real.

Hoje é dia dos namorados. Embora seja uma data comercial, não dá pra deixar de lado as emoções do final de semana. “São tantas emoções”, diria o rei Roberto “esse cara sou eu” Carlos. E lá vou eu contar mais uma vez uma história.

Numa das incontáveis viagens pra São Paulo, terra da garoa e do transporte público caro (só perdendo pra Campinas), conheci uma menina magra, alta e de olhos claros (não é sueca não). Simpática que só, descobri que ela era fisioterapeuta de um hospital de SP e já havia sido modelo (contrariando o clássico “sou modelo, apresentadora e jornalista)”.

Cacau é o apelido da magrela que superou meus 1.78 cm.

Bem, para variar, no dia que a conheci a Camila Bueno (o alter ego da Cacau) eu estava acompanhado da minha namorada Canon e fotografando. O encontro se deu numa festança de um amigo jornalista.

Cacau, escondendo a tenção com careta

Cacau, escondendo a tensão com careta

Na ocasião, conversamos sobre foto, culinária, futebol, rimos pra caramba e no fim da noite (já era dia), ao lado de uma turma que tinha como integrante o Amilton Neves (o cara do Rock and Roll deste ensaio), saímos da inesquecível festa (teve sapato jogado da janela do 13 terceiro andar, visita da PM e muita alegria) e fomos comer pastel na feirinha de Pinheiros

Apesar dos pesares de trampos e distância (como se SP fosse o Acre em relação à Campinas), mantive o contato com a Cacau, que também é atriz.

Como a vida é engraçada e o cara lá de cima escreve nossas histórias de forma muitas vezes irônicas, os encontros com a Camila Bueno sempre foram  épicos. Quando eu estava de Lenny Kravitz de Carapicuíba (sim, eu me vesti de astro preto do rock pra uma festa temática), ela estava de Barbie Girl (aquela do Aqua, não a da Kelly Key, por favor). Em outra ocasião, numa outra festa maluca, ela estava vestida de Princesa Lea de Star Wars e eu estava muito gato de Jules Winnfield, personagem icônico de Samuel L. Jackson no clássico Pulp Fiction.

Como esse grande mundo é muitas vezes tão pequeno quanto um Kinder Ovo (aliás, o Kinder Ovo está cada vez mais caro), encontrei a Cacau e seu então namorado, Erich Brants, no casamento da Flora e do Richard, evento épico realizado aqui em Campinas. Quem quiser ver as fotos põe o dedo virtual aqui.

Depois da tensão, vem a zoeira

Depois da tensão, vem a zoeira

Resumindo o rolo. A noiva Flora, que eu já conhecia há anos, se casou com o Richard (que mora em Munich e eu nunca tinha visto). O Richard é primo do Erich que, por sua vez, namorava a Cacau. Resumindo de novo. A Cacau casou (repita a frase dez vezes sem dizer  “Cacau causou” e ganhe um caro Kinder Ovo).

E como a vida dá voltas, eu estava lá da mesma forma que conheci a Camila Bueno: magro, cabeludo, falador e com uma câmera nas mãos (tá, eu estava muito mais elegante de terno e gravata, mas isso parece papo de homem desesperado pra arranjar uma namorada no dia de hoje). A noiva também era a mesma. Brincalhona e espontânea, porém tão emotiva quanto o final de “As Pontes de Madison”.

Foi uma honra fotografar uma noiva tão bonita, chorona e que foi extremamente carinhosa comigo em todas as ocasiões que nos encontramos. Eu costumo dizer que a vida é encontro e desencontro. Talvez tudo tenha um porquê (inclusive a alta do preço do Kinder Ovo). Acho que era pra eu estar lá, de uma forma ou de outra. E assim seguimos.

A pequena dama de honra

A pequena dama de honra

Ah, também foi muito bacana conhecer a mãe do noivo/marido. É muito legal alguém te parar na festa e dizer “Admiro muito o seu trabalho. É inspiradora a forma que você conta as histórias”. Geralmente, as pessoas me param pra perguntar se eu fiz o comercial x porque tem um negão de blackpower parecido comigo.

Enfim.. Felicidades pra Cacau e pro Erich (que não atenderam o meu pedido de se casarem vestidos de Princesa Lea e de Obi-Wan, mas deram um verdadeiro show).

Tudo de bom, gente. Agora eu vou assistir Ghost na Sessão da Tarde.

Até a próxima história.

As moças japas do cabelo colorido são boas de produção

As moças japas do cabelo colorido são boas de produção

Alguém furou o dedo

Alguém furou o dedo

A legenda é por conta de vocês

A legenda é por conta de vocês

Vestido, vestido meu. Existe noiva mais esguia e chorona que eu?

Vestido, vestido meu. Existe noiva mais esguia e chorona que eu?

Erich e os belos votos

Erich e os belos votos

O abraço no brother

O abraço no brother

Mercado cada vez mais concorrido

Mercado cada vez mais concorrido

;)

😉

Cacau casou, Cacau casou (repita)

Cacau casou, Cacau casou (repita)

O x pro Ronin

O x pro Ronin

Censurado para menores

Censurado para menores

C de Camila e E de Erich. Sim, sou um gênio

C de Camila e E de Erich. Sim, sou um gênio e saquei as letras

As criança pira

As criança pira

Olha a alegria da pessoa ao saber que o champagne não é Sidra Cereser

Olha a alegria da pessoa ao saber que o champagne não é Sidra Cereser

Um beijo pra selar a união. Tudo de bom

Um beijo pra selar a união. Tudo de bom

Erich, um cara com a grava torta e a Cacauziita

Erich, um cara com a gravata torta e a Cacauziita (foto: Hara Fotografia)


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Tudo outra vez, mas com mais cabelo branco

O menino de 2011. Agora mais menino homem

O menino de 2011. Agora mais menino homem

Depois de um hiato, cá estou todo saudoso vivendo meu momento Nelson Gonçalves de muita melalina. Faz três meses que estive por aqui e nesse período muita coisa aconteceu (mas eu ainda não cortei o cabelo, para desespero da Dona Marlene).

Durante esses noventa dias, houve momentos de visita ao passado. Não, eu não ganhei um De Lorean mágico. Voltei ao passado por meio da fotografia, obviamente.

Em 2011, antes de embarcar para minhas desventuras na terra do novo Papa, tive a deliciosa experiência de fotografar a tradicionalíssima lavagem da escadaria da Catredral de Campinas. Com a minha memória fotográfica de quem não lembra o que comeu há pouco no almoço, guardei na cachola alguns rostos.

No último sábado de aleluia, 30, voltei ao centro de Campinas para, mais uma vez, fotografar o belo evento. Se você não passa seu tempo em uma caverna abandonada no meio de lugar algum, sabe que a coisa está feia. Intorelância sexual, religiosa e racial são assuntos comuns.

Lava outra, lava uma

Lava outra, lava uma

Sendo assim, como negro e amaldiçoado (segundo o pastor chapinha), foi um prazer reviver a energia do povo da religiões de matrizes africanas.

O outro revival (ui) se deu com o ator, ativista e brother, Sidney Santiago. Para alegria das assanhadas de plantão, o integrante de “Os Crespos”, que brilhou Muito nu Curintia e aqui no blog, está de volta em um novo ensaio.

Dessa vez, trocamos as quebradas do MASP pela Praça Dr. Mário Covas, também localizada na Avenida Paulista, aquela que o Maluf também fez.

Sidney Santiago, ator, ativista e amigo

Sidney Santiago, ator

Boas fotos e bom papo, como sempre.

Ah, ando meio afastado, mas 2013 é um ano em que meus amigos finalmente largaram o videogame e vão encarar o tal entrelace matrimonial.

Em outras palavras, esse é o ano dos noivos e princesos. Para quem sempre reclamou que as minhas fotos sempre deram destaque ao mulheril do Brasil varonil, preparem-se para uma avalanche de testosterona e marmanjos chorões.

Texto curto, mas espero que curtam as fotos, leks e minas. Forte abraço do Ronin (que ficou mais velho e já está pensando em usar Grecin 2000).

Eis as imagens:

Quase 30 anos de tradição. Coisa linda

Quase 30 anos de tradição. Coisa linda

Sid, manda um sorriso pras minas que reclamam que eu só fotografo cocotas

Sid, manda um sorriso pras minas que reclamam que eu só fotografo cocotas

O Zezé di Camargo e o Luciano não vão gostar dessa foto

O Zezé di Camargo e o Luciano não vão gostar dessa foto

O retrato que foi pra fanpage

O retrato que foi pra fanpage

Água de cheiro refresca e traz boas energias

Água de cheiro refresca e traz boas energias

Eureca

Eureca

As crianças de sempre

As crianças de sempre

Viseira + óculos = style

Viseira + óculos = style

Somos seres humanos independentemente de cor de pele. E Feliciano não é Curintia

Somos seres humanos independentemente de cor de pele. E Feliciano não é Curintia

O Parque Mário Covas é um bom local pras fotos. Fica dica, galera

O Parque Mário Covas é um bom local pras fotos. Fica dica, galera

Mãe, axé pra nóis tudo

Mãe, axé pra nóis tudo

Mais fotos da lavagem aqui


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21 motivos para lembrar de 2012

Como o suposto fim do mundo está aí, nada como aproveitar a oportunidade para adiantar o já clássico post resumo com as imagens mais bacanas do ano. Diferentemente de uma retrospectiva na qual os fatos são elencados por meses, aqui a coisa é feita no achismo mesmo.

Como todo mundo só fala do bendito 21/12, separei 21 fotos das milhares que fiz durante o ano. Embora eu tenha feito menos cliques em relação a 2010 e 2011, não tenho motivos para ficar beiçudo e xingar muito no Twitter o ano de 2012. Primeiro, porque nesse ano eu consegui realizar vários desejos sem precisar esfregar meu corpinho magro em alguma lâmpada de algum gênio genioso. Dona Marlene ta com saúde, eu to com saúde e não faltou arroz, feijão e nem batata frita nos nossos pratos.

O Corinthians, aquele time que é conhecido por ser o dono do fim do mundo chamado Zona Lost, mostrou mais uma vez o seu valor. Conquistamos a América e o mundo.

Bem, vou parar de falar de futebol senão fico me vangloriando até 2029. Vou parafrasear Faustão e falar do pessoal e do meu profissional.

Pessoalmente, creio que cresci (não falo dos centímetros que ganhei por ter aparado o black power apenas uma vez em 2012). Cresci como gente, mano e ser humano. Meu livro está quase pronto e se os Maias não tiverem certos, em janeiro vou estar de blazer de ombreiras e cotoveleiras de couro, calça saruel e All Star lançando “Negros Heróis: histórias que não estão no gibi”.

Creio que daqui duas semanas o livro já esteja à venda. Estou feliz pacas, pois escrever um livro é como ter um filho que deve ser podado como uma árvore gigantesca. Um super obrigado aos amigos que emprestaram seus talentos ao meu grande projeto (o próximo será dominar o mundo).

Bem, o lado profissional foi bem também. Além de dar um salto de qualidade em relação a alguns equipamentos, também evolui meu olhar (ui) e sigo estudando muita fotografia. O trabalho na campanha do querido Dr. Sebastião dos Santos, também me trouxe muito conhecimento. Vi uma cidade que não conhecia e ralei bastantão.

Apesar do resultado não ter sido o esperado, só posso dizer que a trabalheira valeu muito. Foram muitas emoções (como o dia que fui confundido com um outro fotojornalista e a galera queria me dar porrada), horas de trabalho, churrascos, porcos-no-rolete, pagodes, sertanejos, visitas à igrejas e muitas pessoas que me forneceram histórias pra escrever pelo menos uns 20 livros (todos melhores que 50 Tons de Cinza).

Enfim…

O reconhecimento que o Pokémon segue evoluindo foi a aceitação na WPJA (World Photo Journalist Association), a associação dos grandes bambas do fotojornalismo de casamento de todo o planeta.

O ano de 2012 também me brindou com deliciosas viagens. Estive na bela Curitiba e voltei para o Rio de Janeiro, dessa vez como turistão e sem qualquer tipo de obrigação trabalhista.

Não tem como olhar para trás sem lembrar dos casamentos. Teve casamento italiano, casamento evangélico, casamento brazuca-nipônico e casamento cafuso. Não faltou amor em SP, Campinas, Piracicaba e no Rio.

Os ensaios também foram bem bacanas. Crianças divertidas, mulheres lindonas, casais carismáticos e muito mais. Ah, em 2012 também houve publicações em revistas e sites e mais uma penca de coisas que eu, já quase Jair Rodrigues, não consigo me lembrar. Gostaria de agradecer de coração aos amigos que frequentam (e que me cobram quando ando ausente) esse singelo, mas bem intencionado, espaço virtual.

Chega de lero-lero. Vai que o mundo acaba e a gente fica nesse ti-ti-ti.

Eis as 21 imagens que escolhi para ilustrar o fantástico 2012.

Espero que gostem. Vejo vocês por aí se o mundo não acabar.

Ah…se for acabar mesmo, gostaria dizer que podem me ligar dizendo que me amam.

Felicidades das mais felizes pra todos nós.  Abraço do Marronzito.

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Independência ou foto

1 – Essa foto foi feita em SP, precisamente no Minhocão. Sem malícia, por favor. Estava com algumas colegas passeando no elevado e cliquei o cidadão fotografando a bela tarde de domingo. Dia bacana e momentos legais (após ter dado de cara com o lendário Fofão da Augusta e não ter entendido bulhufas).

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Não tem graça, seu feio

2 – Esse é o PH, sobrinho da tia Pri Banqui-Banqui. No momento do clique, como percebe-se, ele não estava muito à vontade, mas depois de um papo sobre as variações da bolsa de valores e esquemas táticos do futebol alemão, tudo melhorou. Ficamos amigões.

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Suspiros

3 – Essa é a bela Lucélia Sérgio, atriz negra, ativista, mãe e dona de um vozerão potente. A Lu é integrante da “Cia Os Crespos”, um grupo de teatro formado por jovens negros que buscam em suas peças falar de assuntos que a nossa sociedade insiste em deixar pra lá. É sempre um prazer estar com essa galera. Vida longa ao teatro preto!

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Ah, o amor

4 – Um dos cliques mais bacanas do ano. Ele nasceu do ensaio da Aline e do Matheus e fez muito sucesso entre os leitores (minhas amigas românticas piraram). Não consigo olhar para essa imagem sem esquecer do bebum que quis dar uma “força” na sessão fotográfica. No fim do ensaio, os balões de gás hélio foram soltos pelo casal. Se os virem por aí,  agarrem. Diz a lenda que eles dão sorte na vida amorosa (pronto, olhas as minas correndo por aí atrás de balões em forma de coração). Taí uma boa maneira de esperar o fim do mundo. Fotos do ensaio apertando aqui.

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Heleninha

5 – Se o tal autor da Globo (que não sei o nome porque não vejo novelas e estou com preguiça de pesquisar) é o rei das Helenas, eu também sou. Esse ano fotografei duas Heleninhas maravilhosas em 2012. A ideia era fotografar três, mas a Helenona Ranaldi tá de mal de mim. Enfim. Essa é a Heleninha campineira, uma criança doce que rendeu um dos mais belos ensaios do ano. Olha aqui ó.

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Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

6 – De bobeira na Avenida Paulista, celular na mão e dois talentosos covers do mito Michael Jackson se apresentando. Nem pensei duas vezes antes de sacar o Roniphone e clicar o MJ,  tendo como fundo o Conjunto Nacional. Taí mais uma prova de quanto é gostoso fotografar com o bom (e já velho) celular. Meta para 2013: aprender a fazer o moonwalk.

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Menos calor, por favor

7 – Essa foto foi produzida para uma pauta do Viva Favela. O papo era o clima maluco que enlouquece muita gente e mostra quão reclamão é o ser humano. Se tá calor tá ruim, se tá frio tá ruim. Se você é assim, suma do meu blog, seu chato, feio e bobão.

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Esse cara sou Eu

8 –  É…desta vez estive ao pé do Cara lá de cima. Dia muito bacana no qual conheci o Corcovado. Além da beleza do Rio, não consigo me esquecer dos micos pagos pelos turistas. Havia uma senhora japonesa que ficava me empurrando e acenando de forma estranha. Demorei alguns minutos para entender que ela estava tentando dizer “sai daqui, cara. tá atrapalhando minha foto”. Sim, o mico foi meu.

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Flora, florita

9 – Flora foi mais uma das amigas que fotografei o casamento em 2012. Antes dessa foto ela estava com um bico enorme, mas não demorou para que as coisas se acertassem e a cerimônia fosse um sucesso. Destaque para seu noivo, Richard. O cara casou usando a camisa do Iron Maiden. Respect. Reveja a história aqui.

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A moça do espelho

10- A fotografia acaba nos presenteando com pessoas e encontros incríveis. Uma dessas pessoas foi a Gilvânia Guimarães. Fotografar gente amiga é um prazer e, quando as pessoas falam a mesma língua, há grandes chances de ambos lados ficarem felizes. Eu fiquei, ela ficou. E quem quiser ver mais fotos da dupla dinâmica, é só clicar aqui.

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A viajante

11- Pegar carona na calda do Cometão é comigo mesmo. Foram muitas viagens regadas ao convidativo cheiro de  Cheetos queijo, música sertaneja e até hinos evangélicos em bom e alto som.  Essa foto foi feita com o celular no Terminal Rodoviário de Campinas, minha segunda casa.

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O embaixador das embaixadinhas, Marcelo Mendes

12 – No Rio, fiz questão de dar um rolê fotográfico na Favela da Rocinha. Porém, não quis ir pelo tal “Favela Tour”. O negócio é subir o morro a pé, interagir com as pessoas e entender que somos todos farinha do mesmo saco. Foi o que tentei mostrar pros meus amigos gringos que me acompanharam na íngreme Estrada da Gávea. Foi cansativo, mas foi muito bom. Encontrei uns mano Curintia, bati baita papo maneiro com duas cocotas funkeiras e fomos muito bem recebidos pelo Seu Francisco, morador que nos emprestou sua laje para que fotografássemos a bela vista do alto do pico do cume do morro. Também encontramos Marcelo Mendes, figura simpática que tenta entrar para o Guiness Book com seu recorde de embaixadas.

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Garota esperta

13 – Fiz esse clique em um casamento que fui para fotografar meus amigos do EH Cerimônial. Como o dedo coça quando vemos uma imagem legal, nem pensei duas vezes. No fim, acabou sendo um dos cliques mais bacanas de casório de 2012.

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Paulinhaaaaaaaa

14 – A moça do sorriso largo é a Paulinha, uma dessas pessoas que a gente conhece sem querer e acaba ficando amigo. Ela topou meu convite quando disse que daria uma aula de foto noturna e precisava de uma modelo. Sempre bem humorada, ela se comportou bem (ahãm) e meus alunos adoraram sua energia. Valeu, Paulinha.

Ê, Macarena! Hey!

Ê, Macarena! Hey!

15 – Quem acompanha meu trabalho já deve conhecer a dupla Ângelo e Cíntia, jovens protagonistas de um dos mais divertidos casamentos que já fotografei. Lembro que quando cheguei ao cenário da foto, pensei com meus botões e comentei com a Pri, minha assistente: “Vai ser perfeito fazer uma foto dos dois aqui”. Só não contava com a alegria contagiante do casal que com seu estilo brincalhão fez a foto ser ainda mais bacana. Mais fotos do casório italino mama mia, aqui, bambinos, bambinos e bambis.

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Óinc

16 – Essa é a Lorena, a filha de um casal de amigos que me contratou para fazer as fotos do seu primeiro aninho. Como de praxe, os pais vestiram sua filhas de bichinho. Dessa vez, a caçula foi a bela porquinha do dia. Ah, um abraço especial para toda família da Lorena e para meus amigos palmeirenses.

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Beleza negra

17 – A moça bonita da foto é a Marcela. Ela me procurou após sofrer uma decepção fotográfica. Em suma, ela fez um ensaio do Peixe Urbano e o barato saiu meia boca. Decidida a ter um ensaio um bocadinho menos ordinário, ela me procurou. Conversamos muito, trocamos ideias e fizemos as fotos. A história do Peixe Grande pode ser revista aqui. Recordar é viver.

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Fina

18 – Enquanto navegava no mar fotográfico de 2012, encontrei esse clique. Muitas vezes, fotografia é igual aquela menina especial que a gente esbarra sem querer e só vai notar quão linda ela é depois de alguns meses. Aí ela já tá com o status namorando no Facebook e você fica chupando o dedo. Ainda bem que minhas fotos não me trocam por nada nessa vida (acho).

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Vem ser lindo aqui em Campinas

19 – Após subir a Rocinha, eu e meus amigos gringos (dois colombianos, uma peruana, uma mexicana, um casal tcheco e um brasileiro com cara de gringo) fomos ver o lindo por do sol da praia do Arpoador. Coisa linda demais. Ali, vivi momentos bem bacanas na minha última viagem ao Rio. Ah….saudades.

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Nem vou falar nada

20 – Nem da Tekpix vou falar.

A foto do ano

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Indiscreto, mas preciso

21- Para fechar com chave de ouro, essa é a minha foto predileta de 2012. Um casal de idosos no estilo Sassá Mutema curtindo a vida no banco de um ônibus. Clique feito em Campinas.

Mas a Ronin, a foto tá sem foco! Olha essa resolução zoada, meu!

Tecnicamente tá longe de ser perfeita, mas que se dane. A foto mostra o que muito de nós queremos pra nossa vida. O tal do amor, o tal do companheirismo e a tal da simplicidade, tão esquecida nos dias de hoje. Fico feliz por ter clicado esse momento. A gente não se dá conta das coisas, mas gostaria de encontrar esse casal e entregar-lhes a imagem impressa.

A foto é a melhor de 2012 porque ela presenteia e inspira quem a vê. E isso que é importante. O resto é balela da novelinha das 9h. Mais amor para todos em 2013. E, se virem o casal amoroso do chapéu azul por aí, o cliquem respeitosamente.

O mundo só tem a ganhar.


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Everbody mama mia

Passar trote a dois é bem mais bacana

O ano era 2006. Esse auê de fim do mundo não existia e meus amigos me zoavam porque o Corinthians não tinha sequer uma Libertadores. Eu era estudante de Jornalismo da PUCC e tinha uma missão: escrever uma história/perfil de qualquer pessoa tendo por base o Jornalismo Literário. A chefa que me incubiu do trabalho foi Márcia Fantinatti, minha mestra, professora e eterna esposa de mentirinha (com quem hei de me casar um dia se o mundo não acabar).

Mais perdido que um fã de heavy metal no show do Mr. Catra na favela da Rocinha, acabei procurando uma colega de trabalho para me ajudar. Italiana de nascença, Elisa Raimondi falou que seus pais, também nascidos na terra da pizza, tinham uma história de vida fantástica. Fui até eles, os ouvi, me apaixonei por aquele jeitão italiano, escrevi o perfil do casal Raimondi e tirei nota dez no trampo.

O tempo passou, eu deixei de tirar nota dez em tudo, passei a fazer mais foto do que texto, mas eu nunca esqueci o jeito bacana e hospitalidade do Seu Giuseppe e da Dona Anna Raimondi. Geralmente, tardes bacanas com pessoas idem sempre ficam guardadas na nossa memória. Todo repórter adora uma história bacana.

Hoje, após todo esse tempo, os reencontrei em uma data especial. Foi dia de fotografar o casamento de um dos seus filhos. O bambino Ângelo (leia-se com aquele sotaque italiano) foi o noivo da vez. Sua senhora é a divertida e simpática Cíntia Gianini.

Sim, foi um casamento tipicamente italiano e com todos aqueles trejeitos do povo que fala com as mãos. E sim, foi uma tarde bacana com gente idem, e que ficará guardada na minha mente e na cabeça loira da minha querida assistente, Priscila Rodrigues.

A bela Capela São Sebastião

A cerimônia aconteceu na Capela São Sebastião, uma linda igreja construída em 1883 e tombada no começo dessa década que vivemos (se você acha que a igreja caiu e mesmo assim as fotos foram feitas lá, aconselho que vá ler sobre história da arte). Pequenina e antiga, mas extremamente bem conservada, a capela, localizada no Distrito de Sousas, Campinas,  é fantástica em todos os sentidos.

Se um dia eu for casar, farei o máximo para que meu casamento ocorra lá (só cabem 50 pessoas no recinto, portanto podem começar a parcelar o meu fogão de 4 bocas).

Os noivos, como já andei falando nas comunidades sociais, sem dúvida formam um dos casais mais animados que já fotografei na minha vida. Mais do que felizes, eles demonstram aquela sincronia de duas pessoas que realmente se encaixam (se você pensou sacanagem, suma do meu blog e vá ler aquele lixo de “50 tons de Cinza”, seu tarado).

Demorou, mas chegou

Além da beleza da igreja, também rolou um mini-ensaio nas redondezas. Para nossa alegria, sempre há personagens engraçados que compõe a nossa história. Dentre eles destacamos:

O mendigo boa praça da praça: bêbaço, o cidadão acompanhou o casal durante o ensaio, teve seu momento de guarda de trânsito (ao pedir que os carros parassem para que a noiva atravessasse a rua) e ainda disse que se lhe déssemos um qualquer, ele garantiria a nossa paz. Não dava para entender nada que ele falava, mas espero que ele fique bem.

Stop, in the name of love…

A curiosa da ponte das pilhas perdidas: enquanto fotografávamos em uma ponte, uma transeunte interrompeu a seção fotográfica. Ela chegou de mansinho, olhou para o casal e, sem muita cerimônia, perguntou se eles eram noivos.  A sorte é que noivos tolerância zero são raros.

“Não. Somos inimigos mortais e estamos pagando uma aposta após perdemos no truco para nossas respectivas avós”

“Eu sou gay e estamos casando de mentirinha. O fotógrafo negro lindo que é meu homem de verdade, moça”

“Não somos noivos. Isso é uma pegadinha do Silvio Santos. Olha a câmera ali”

Bem…enfim. Talvez a ponte receba muitos ensaios fotográficos de grifes de noiva. Vamos pensar que sim antes de chamar o Master of Obvious.

Olha ele aí

Vocês são noivos? Hein?

Ah, minutos antes da senhora fazer essa pergunta, houve um pequeno acidente que resultou na perda de duas pilhas recarregáveis. O flash se desprendeu do suporte, caiu, de um duplo twist carpado e as pilhas passaram entre os vãos da madeira da ponte, chegando ao rio e despedindo-se do papai Roniel para sempre.

Acidentes acontecem.  O amor acontece. Reencontros épicos acontecem. Perguntas sem nexo também.

Após o ensaio, fomos para o belo Restaurante Ca’di Mattone onde rolou a recepção. Teve música italiana, vinho italiano, comida de origem italiana e muita alegria e emoção afro-italiana.

Belo ristoranti

Tarde toda dez! Fiquem com algumas fotos que eu vou jogar Super Mario e comer um pedação de pizza porque eu também son de dio mio, manos e minas.

Abraços.

Felicidades ao casal, aos familiares e a todos envolvidos na festa.

Construída em 1883, a capela é encantadora

Glória Raimondi foi uma das responsáveis pelas belas músicas da cerimônia

Aquele momento que precede o casamento (e que alguns homens pensam em fugir para o Congo Belga)

Casal que não precisa de direção é guiado pelo coração

😛

Senhora Gianini Raimondi

Ê, Macarena! Hey! Só de olhar essa foto eu caio na risada

Yoga time

???

Ao lado de um homem grande numa grande foto, sempre há uma grande mulher numa imagem feita com uma lente grande angular

Assim eu me sinto quando o fotógrafo diz que estou liberado pra curtir o meu casamento

Um beijo intenso


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Evolução sem gratidão é coisa de bobão

Saudações, pessoal.

Cenas inesquecíveis como a clássica limpeza do salão antes do início da festa

Cá estamos em mais um post do El Marronzito. Diferentemente da maioria das postagens, o papo hoje é pessoal como um cotonete usado ou uma escova de dentes com as cerdas desgastadas (aquelas que ficam parecendo espanadores de pó de gente de baixa estatura). O papo de hoje é carreira.

Sempre me disseram que o tal trabalho dignifica, nos deixando mais doces a aprazíveis (mesmo sem ter um Camaro amarelo na garagem). Quando recomecei com a fotografia, lá nos idos de 2004, no mágico mundo acadêmico, eu não sabia onde essa paixão de contar histórias por meio de imagens iria me levar. Incrível como a vida da gente muda.

Antes de entrar para o curso de Jornalismo, comprei uma linda Genius D-211, uma máquina point-and-shoot que a cada clique fazia um barulho irritante. A sua resolução era sofrível, as cores lavadas, mas ainda assim a Gêninha era mil vezes melhor que a Tekpix. Meu professor de Fotojornalismo dizia que se tratava de uma máquina “mata-rato” (servia para fotografar e, eventualmente, ser atirada em algum camundongo que não fosse o Super Mouse, é claro).

Ah, como me diverti com ela. Pena que foi furtada. Que o Deus da fotografia a tenha.

Saudades

Em 2006, com o curso de Jornalismo chegando ao seu final (e eu cada vez mais divido entre escrever e fotografar), comprei minha primeira namorada DSLR. Foi com muito esforço e trabalho escravo no mundo da IBM, que consegui a grana para a Canon XTI. Rumei para São Paulo e, com ajuda de um grande brother, fui para o Xing Ling da Avenida Paulista comprar minha segunda câmera digital.

Desconfiado com a vendedora, a fotografei temendo um possível golpe (o gênio aqui tinha certeza que iria reconhecê-la em um galpão cheio de irmãs gêmeas siamesas que falam tlinta e tlês). Hoje confio super nos vendedores de lá. Se me chamarem pra dançar Gangman Style, eu vou.

Depois de um período de estudos e muita leitura, vieram os primeiros trampos, as primeiras publicações pequenas, as publicações de nível nacional, foto-reportagens, projetos sociais e um mundarel de coisas. Com as fotos, como não poderia deixar de ser, já que não vivo no mundo dos Telletubies, vieram muitas histórias de vida. Um zilhão delas compostas por gente de todo o tipo: teve Presidente do Brasil, homem mais rico do Brasil e gente que, mesmo fazendo muito pelo Brasil, continua invisível. Teve foto de empresário rico do Jardins, em São Paulo e foto de gente simples do Morro da Mineira, no Rio.

Com o tempo, também vieram novas máquinas, novas lentes e bons drink, mas meus cabelos e a voz continuaram os mesmos. Dentre tantas idas e vindas, acabei envolvido com o mundo da fotografia de casamentos.

“Sabecumé”, diria Chris, aquele meu primo preto que todo mundo odeia: um amigo está para casar e pede uma ajuda, outro que ta devendo três pensões alimentícias, arranja uma outra mulher e ainda pede o auxílio do fotógrafo amigo. E assim começa a história de fotografar casamentos, estudar, ler sobre o assunto e se envolver em projetos cada vez maiores, além de gastar o valor de um Ford Ka 99 em uma nova câmera. Tudo para fazer melhor. Culpa da tara e do amor pelo que se faz.

Entrando nesse mundo bacanudo, acabei conhecendo a WPJAWedding Photojournalist Association) que é a Associação dos Fotojornalistas de Casamento (sim, eu sou bom em inglês). Em suma, se trata de um tipo de clube de fotógrafos de casamento que baseiam seus trabalhos nas bases do fotojornalismo (que óbvio, Roniel). Sendo assim, o destaque vai pela criatividade, ângulos e fotos que fazem a gente ter vontade de casar mais vezes que o Fábio Jr. e a Gretchen.

A nova é que meu portifólio foi selecionado para entrar para essa turma seleta de profissionais.

“Então agora você ficou doce, doce, doce, Ronin?”

“Quer dizer então que você está entre os melhores do mundo em fotografia de casamento?”

“Você vai deixar de falar comigo porque agora é mais famoso que o Homem da Cobra?”

Perguntas que podem pairar na cabeça dos leitores desse blog. Eis as respostas.

R: Agora eu sou magro, magro, magro, magro. E continuo magro, magro, magro, magro.

R: Sei que tem muita gente boa na associação, mas melhor e pior são conceitos complicados. Tem gente que não tem como pagar um fotógrafo de lá, então o melhor é aquilo que você tem em mãos. Deem uma olhada nas fotos e podem tirar suas conclusões clicando aqui.

R: Sim. E também não dou autógrafos com caneta Bic com a tampa mordida.

Na real, o que vale é o reconhecimento de um trabalho. Simples assim. É a evolução do Pokémon chamado Fotografia. Entrar para a renomada WPJA só confirma que estou seguindo o caminho certo para um dia conquistar o mundo.

Mas, antes de tudo, preciso trabalhar muito. É uma nova conquista poder participar de concursos com as grandes feras do fotojornalismo de casamento.

No fim, a gente troca de cueca, marca de pasta de dente, videogame e até migra do formato de sensor da câmera, mas ainda somos o que somos. Por isso, fiz esse post para demonstrar minha gratidão a quem acredita no meu trabalho e não faz cara de bunda quando digo que ele custa algumas Dilma$.

Para vocês, sempre haverá o melhor de mim.

Até eu dominar o mundo, é claro. Muito obrigado a quem acompanha meu trabalho.

Beijos

Roniel Felipe, o mano do cabelo duro da AWPJA.

Agradecimentos especiais ao Marino Pietro, baita fotógrafo de casamento e à Priscila Banqueri, por me trazer minha nova namorada.

Eis algumas fotos dessa história de contar histórias de amor:

Ana, a noivo de um dos casamentos mais fantásticos que já presenciei

Pouca gente sabe, mas o chorão é meu irmão Daniel

E como casei as amigas. Na foto, a senhora Flora

Casamento que fui como terceiro fotógrafo. Rendeu uma bela imagem da Karina, esposa do Paulo

Aqui é trabalho e a gente fotografa qualquer tipo de cerimônia e qualquer tipo de religião. Amor é amor e trabalho e trabalho

😛

E a gente também casa amigos de faculdade também. É sempre um prazer fazer parte da história de gente que sabe os nosso podres

Sustos acontecem. A gente também traumatiza crianças

Prometi não postar fotos de brigas e guerras homéricas pelo bouquet porque é deselegante