El Marronzito


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GBTs

doisSe eu tivesse uma geladeira do tempo (sim, porque esse negócio de carro que volta ao passado e viaja para o futuro já deu o que tinha que dar), e digitasse 14/05/11 eu viajaria para o Parque Ecológico de Campinas.

Lá, eu me flaglaria em uma bela tarde fotografando uma moça morena, bonita, alta e sorridente. Seu nome naquela época era Giovanna Gobbo. Naquela época a Gi, que namorava minhas fotos, também namorava um moço chamado Felipe Justti.

No fim do ensaio, a Gi pediu que eu fizesse algumas fotos com o namorado. E foi assim que, meio sem querer, cliquei pela primeira vez o casal que parece se conhecer desde sempre. Gi gostou do resultado, Felipe também e o tempo, como sempre, voou.

Eu envelheci, aprendi a nadar e descobri que beber leite e comer manga não mata ninguém. Ufa. Enquanto isso, a Gi e o Felipe continuaram caminhando juntos, cada um com seu jeitinho: Felipe, a bola, o cavaco e os perfumes.  Gi, com seu jeito de menina e a paixão pelo Bon Jovi.

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E o velho bom jovem animou o make up

Lembro que em algum momento do passado, a Gi havia cogitado que eu seria o fotógrafo do seu casamento. E olha como é a vida. Ela tinha certeza que esse dia chegaria, e chegou. O mundo girou, girou, girou e girou e agora a Giovanna Gobbo, com dois enes e dois tês, agora também tem o sobrenome Justti, com dois tês. Claro que pra mim é um orgulho estar presente na história desses adoráveis jovens.

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Eita: quatro letras e um sentimento

Aliás, eu nunca vi a Gi tão bonita e alegre. Mas mas não é para menos, pois o casamento realizado em Americana, SP, foi repleto de surpresas. Exemplo: Gi pensou que iria para a igreja com um carro xis, mas foi agraciada por uma limousine branca toda chique (claro que eu peguei uma carona até a igreja). Também houve momentos especiais como a emocionante visita surpresa do paizão da noiva ao salão de beleza e  um buquê de flores enviado pelo Felipe (com direito a um bilhete especial).

Segura coração

Segura a emoção

Enfim, vamos as fotos. Em tempo, já que falei de tempo, quero dizer obrigado.

Obrigado, Gi, por sempre confiar no meu trabalho e no meu olhar.

Felipe, meu parceiro, prazerzão te conhecer e fazer parte desse momento tão importante na vida de vocês.

Eu sei que o tempo vai continuar passando, mas não percam essa coisa bonita que vocês tem, Sr. Neno e Senhora Nena. Agora me deem licença, porque eu vou viajar um pouco na minha geladeira. Logo, logo vejo vocês outra vez. Felicidades, pagode, rock and roll e tudo mais que a vida lhe reservar de bom!

Roniel, o homem do tempo (incrível como vocês não mudaram nada)

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Até que não foi tão ruim…

Se 2016 fosse uma pessoa que procurasse uma cartomante, provavelmente não ficaria muito feliz ao receber as previsões sobre o futuro. É óbvio que 2016, que ainda não acabou, é um daqueles anos complicados. Politicamente, o Brasil está em frangalhos. Qualquer previsão sobre o futuro do país é leviana, e tenho certeza que os roteiristas de House of Cards mordem os cotovelos quando leem notícias da nossa política. Em todo caso, a vida segue, certo? Meu ano também não começou muito bem, mas, aos poucos, a coisa foi melhorando. Apesar dos pesares, cá estou com 17 fotos que marcaram o meu 2016. Reclamar? Não posso. Esto vivo, com saúde, minha mãe está bem, os projetos que tinha em mente logo devem se concretizar, os boletos estão pagos (com muito custo) e, apesar de alguns laços que se afrouxaram, outros vieram. E vamos parar de papo e ir ao que interessa:

Por 17 vezes 2016

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Sr. Simpatia

A fotografia de rua sempre me fascinou. E foi com o espírito de porco que flagrei essa singela cena em Copacabana. E tava bem calor. Alguém falou que se trata do senhor de Up. Sei lá.

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A personagem sem nome

Eu conheci a atriz Giovanna Monteiro no carnaval e como a vida é cheia de voltas, meses depois, estávamos fazendo arte juntos. A primeira vez, foi para o livro novo. A segunda, em um ensaio em Barão Geraldo. Para o ano que vem quero dirigir meus primeiro curtas. Sendo assim, quem acompanha as minhas invenções logo verá a Gica de novo.

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João Guedes como Arthur Portuga

“O senhor ainda joga bola?”. “Sim, eu jogo”. Pronto. Era tudo que eu queria ouvir do Seu João Guedes, um simpático aposentado (raridade no futuro) que topou participar do projeto do livro de contos com fotografias. Com a ajuda de uma amiga, o levei para um campo de várzea para bater uma bolinha e ser fotografado como Arthur Portuga, um dos personagens de “As coisas que nunca contei, mas por sorte fotografei”. Ano que vem a campanha do Catarse vai ao ar. Ano novo, livro novo, mas as ideias malucas não param de pipocar.

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The Boss

Criança em casamento sempre rende boas imagens. Nesse caso, temos um pequeno homem falando ao celular enquanto uma menina olha brava para a outra (que faz cara de eita). A legenda é por sua conta.

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Aparelhado

Esse ano conheci lugares fantásticos. Entre eles, está o Aparelha Luzia, ponto de encontro de artistas, ativistas e produtores culturais negros de SP e região. Com uma decoração fantástica, o Aparelha é um convite aos fotógrafos. Ainda quero voltar lá para fazer um evento de Negros Heróis.

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O Jardim Bassoli é um dos piores empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida. Fato. As pessoas foram tiradas de seus lares e foram enfiadas em prédios insalubres que, aos poucos, estão afundando. Como no bairro não há nenhum tipo de aparelho público, não demorou para que o tráfico de drogas tomasse conta da quebrada. É aí que entra o Progen, entidade que há mais de 30 anos serve de opção para a população de três bairros periféricos de Campinas. Esse clique foi feito no Festival do Jardim Bassoli, um evento no qual os educandos mostraram o que tem apreendido no Progen e nos deram a esperança que, apesar dos pesares, é possível ser feliz.

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O ano de 2016 me aproximou bastante das causas sociais. Uma delas, com certeza, foi lecionar fotografia para adolescentes da Fundação Casa. Juntos, fotografamos pelas ruas de Hortolândia, SP, e críamos um livro. Um dos momentos mais bacanas do ano, com certeza, foi ver a cara de alegria dos adolescentes ao verem suas fotos impressas. E que eles continuem clicando sempre e, quem sabe, se tornem companheiros de profissão do professor Roniel 😉

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Gi e Felipe

Há um bom tempo, tipo uns 10 anos, fiz ensaio da bela Giovanna Gobbo. Na ocasião, conheci o Felipe, seu namorado. Em 2017, fotografarei o casamento desse simpático casal, mas já esquentamos os motores em um ensaio bacanudo. Acima, uma das minhas fotos prediletas de um dia dos mais legais desse ano que está indo para a cucuia.

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Amém, folia, amém

Em 2016, finalmente tive a chance de participar do Carnaval de rua de SP. E foi épico. Acompanhado de uma galera que entende da arte das fantasias, caí na folia (sem beber Catuaba) e me diverti muito. No último dia de farra, saquei a câmera para alguns cliques. A foto acima foi feita no Bloco do Charanga, da Conceição Discos. Infelizmente, não vou estar em SP no Carnaval de 2017, mas sei que o povo vai representar por mim.

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Mari Flor

Dia de sol, ideias na cabeça e um telefonema: “Mari, vamos fazer umas fotos lá no campo e girassóis?”. Recebi sim da modelo e atriz Mariana Soares. E lá fomos nós sob um sol escaldante clicar. O resultado não poderia ser melhor.

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Ah, o Rio

Há muito tempo eu não ia ao Rio, mas a missão de fotografar o mítico João Black para o livro “Coisas que nunca contei, mas por sorte fotografei” me levou à terra do Zé Carioca. E como não poderia deixar de ser, foram dias maravilhosos. Rever amigos, conhecer novos lugares, tomar um caixote em Copacabana e ainda ter o privilégio de ver o sol se por do ponto mais alto do Morro da Babilônia. Ah, esse Riozão.

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Festa Junina

Estava em SP à toa quando uma amiga me disse “Venha para o arraial Drag Queen do cursinho onde trabalho”. Eu fui. Além de divertido e muito engraçado, o evento foi realizado em um casarão antigo e estiloso. Foi lá que fiz esse clique.

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Asé

Um dois rituais mais belos que tenho fotografado ao longo do tempo é a Lavagem das Escadarias da Catedral de Campinas. Na ocasião, adeptos da umbanda e do cambomblé se reúnem no Sábado de Aleluia para lavar as escadas da principal igreja de Campinas. Apesar da intolerância religiosa quando a pauta são as religiões de matriz africana, seguimos lutando firmes e fortes. Até pra nóis tudo.

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Mãe e sua parceira, Chiquitita

Ano que vem, a Vila Castelo Branco (Vila Bela), bairro onde vivo, completará 50 anos. Como já escrevi muito sobre meu canto nos meus três livros, tive a ideia de fotografar 50 moradores que há muito vivem e ajudaram a transformar a realidade do bairro. Como a minha mãe vive aqui há 47 anos, acabou sendo minha modelo por algumas horas. Ao lado dela, sua mais nova amiga, a vira-latas Chiquitita (que tá aqui mordendo meu pé nesse exato momento, ô peste). Feliz por saber que ano que vem, minha mãe vai estar em um novo livro meu, desta vez com imagem e tudo. Ô sorte.

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Dani Nega, da Cia. Os Crespos

Difícil escolher apenas uma dentre centenas de fotos dos trampos realizados com o pessoal da Cia. Os Crespos,  grupo de atores ativistas que faz teatro preto em Sampa. Eu já os havia acompanhado em intervenções pelo centro da capital, mas dessa vez fomos aos extremos. Teve foto na Cracolândia, na Praça Ramos de Azevedo e no Pombas Urbanas, na Cidade Tiradentes. Apesar de alguns perigos, tudo deu certo e os espetáculos foram maravilhosos. Orgulho e prazer por estar presente nesses projetos.

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São Paulo é Paulo porque Paulo é trabalhador

Em 2016, passei muito tempo na capital. E sempre que posso, fotografo por lá. Esse clique foi feito na Rua da Consolação, bem próximo a um lugar tenso onde tenho uma história tensa (mas to vivão, isso que importa). Não sei se esse homem se chama Paulo e se é trabalhador, mas ela tem uma beleza simples que, de certa forma, me encantou.

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Bárbara Rosa

Para fechar, uma singela homenagem a uma pessoa que passou pela minha vida como um furacão de alegria. Linda, divertida, espirituosa, extremamente talentosa e dócil. Assim era a Bárbara Rosa, cantora da banda do Liniker e os Caramelows, falecida esse ano. Bá tinha câncer, mas não se deixava abater (tanto que pouca gente sabia da doença). Antes dela partir, me mandou uma mensagem via WhatsApp dizendo que faria questão de entregar o CD da banda pessoalmente. A vida não quis, mas eu tenho certeza que um dia a gente se encontra em um lugar melhor (e que as asas de anjo tatuadas nas costas dessa jovem se tornarão reais). Obrigado por tudo, menina. ❤

Fica o meu desejo de um Feliz 2017. Que tenhamos um ano melhor em todos os sentidos. Saúde, paz, alegria, boletos pagos e viagens mil. Obrigado por passar por aqui.

 


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Os pandas também amam

O que você sabe sobre pandas?

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Acredito que vai me responder que são bichos extremamente fofos, certo? Também creio que alguém vai me falar sobre a populosa China e bambus (sim, não me venha com aquela piadinha da menina que zoou o Silvio Santos). Se o seu nível de nerdice for alto, provavelmente vai falar de Ranma ½, Tekken, Wendy e o incrível comercial do “Não diga não ao Panda”.

Enfim, esses ursos são bichos queridos. Agora imagine um casal panda de carne e osso. Sim. O velho Ronin teve a felicidade de clicar o casamento de Henrique Tardelli e Marina Costa, mais conhecidos como “O casal Panda”.

O Pandão é conhecido meu há um bom tempo. Fazíamos parte de um fórum de videogames em uma época que nossas preocupações eram outras (e na qual nem existia esse tal de Pokémon). Nesse fórum havia gente de todo o tipo, e muitos se tornaram amigos para a vida toda. O tempo passou, nós deixamos os videogames (mentira, jogamos sempre que possível) e novos rumos foram tomados. Alguns users mudaram de país, outros realmente abandonaram os games, outros se tornaram homens de extrema direita (blergh) e outros, infelizmente, partiram dessa para melhor.

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Membro do Fórum onde conheci o Panda caçando Pokémon na festa. Tsc, tsc, tsc…

No meu caso, eu me torneio fotógrafo, escritor e jornalista. E, pelos acasos bacanas da vida, fui escolhido pelo Panda para fotografar o seu casório com a senhora pandolina. E dizer não ao panda é sinônimo de muita coragem (se você não viu o vídeo do link acima, volte duas casinhas, por favor).

 

Os pandas também amam (e têm medo)

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Reparem a Marina de boa, e o Pandão tenso

Há alguns meses, o casal que parecia ser bastante tímido estrelou uma divertida E-session na Praia do Iporangua, no Guarujá. Eles não estavam acostumados com fotografia e um sujeito cheio de parafernálias lhes apontando um canhão, mas no final deu tudo certo. São Pedro deu a primeira prova que não estava de bem dos “The Pandas”, mas conseguimos fazer boas fotos em uma tarde de pouco sol. No fim, houve diversão e muita palhaçada (inclusive esse jovem fotógrafo que vos fala, farofeiro que só, aproveitou o fim da sessão para dar umas barrigadas no mar). Gelo quebrado, faltava o grande dia.

No último sábado, eu e o fotógrafo social sangue bom  Marcos William, representando a federação dos fotógrafos black estilosos, estivemos no Dreams Pallace Buffet (chique, né) para registrar um dos momentos mais aguardados da vida do casal panda: o jantar de bambus com mel e gengibre. Mentira! The Pandas queriam é casar e selar de vez uma união das mais bonitas.

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Casal moderno é isso aí

O Pandão Henrique, que é grandão e forte, estava super nervoso. Foi assim no casamento civil e também durante toda a semana. Durante nossos papos semanais, ele dizia estar preocupado. Em todo caso, faz parte. Já a pequenina Marina, sempre sorridente, demonstrava uma calma que a colocou no top ten das noivas “deboístas” que já fotografei (acho que a Marina é meio panda/meio coala).

Na verdade, o medo de Panda era fazer feio na dança que apresentariam para os convidados. No fim, como esperado, deu tudo certo. Eles dançaram muito bem, as crianças adoraram a fumaça que deus os efeitos especiais a performance do casal e o evento rendeu ótimas fotos. Dentre tantos destaques, fico com a imagem da vovó panda que levou para casa a garrafa cheia de…uma pausa aqui, você chama o dinheiro de Dilma$, Temer$, Golpista$ ou sei lá o quê.

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Os embalados de sábado à noite

Enfim, foi a simpática senhora que levou a grana para casa.

Como disse anteriormente, São Pedro não estava de bem com os Pandas. Assim que a Marina entrou no local da celebração/festa, o tempo fechou e a chuva caiu. E como missão dada é missão cumprida, os fotógrafos manos black faca na caveira realizaram um mini ensaio com os noivos na entrada do prédio. E vamos que vamos.

A festa foi animada, com clássicos da música, dança e a criançada pintando o sete (e caçando Pokémons pelo salão). Também foi muito gostoso fotografar os mais experientes mandando ver no rebolado e, claro, fazer um trabalho com o Tuty, que é um cara muito legal e geralmente chora nos casamentos. Eu até disse pra noiva: “Tá vendo, você com um homenzarrão chorão e eu com um segundo fotógrafo que vai inundar o salão. Esses caras competem com o São Pedro lá fora”.

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E quem disse que homem não chora é bobão

Um futuro fofo

Bem, para fechar essa mini postagem eu só tenho a desejar felicidades a esses jovem. Não parem de dançar, continuem divertidos e que lembrem do Ronin caso futuramente tenham pandinhas. Como esse mundo dá voltas malucas, será um prazer reencontrá-los e, de certa forma, continuar a fazer parte dessa história tão bacana. Só não me chamem pra comer bambu, pois prefiro aquele Mcdonald’s que comemos pós o divertido dia do ensaio.

Tudo de bom.

E até a próxima. Eis algumas fotos dessa noite tão especial. Em breve, todas as fotos estarão no meu site, o www.ronielfelipe.com.br

Visite.


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Vai de retro 2013: 13 cliques de um ano quase passado

Para não deixar a bola cair e manter a tradição, cá estou com mais uma retrospectiva. Nem é preciso saber que dois e dois somam quatro para entender que, depois de 2010, 2011 e 2012, vem a retrospectiva de 2013.

E como 2013 foi um ano bacana fotograficamente falando!

Ao todo, foram mais de 12 mil imagens arquivadas. Dentre elas, há histórias de amor, sorrisos, situações corriqueiras e algumas curiosidades. Também há imagens que sintetizam diversas culturas e um pouco do quão variado e delicioso é o nosso mundão bão Sebastião. Pois bem, vou parar de enrolação. Infelizmente, não tive tempo (nem paciência para inserir as fotos produzidas com o uso do telefone celular). Em todo caso, elas podem ser vistas neste link. O mesmo vale para fotos de casamentos. Separei 13 cliques que gostei muito e pus aqui, ó.

Prometo não falar do lançamento de Negros Heróis e nem de Ato, Fato & Retrato, então, bora falar das fotos:

1- Mais bicicletas, menos carros, mais alegria (Amsterdã/Holanda)

Dizem que ass melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos. Essa foto foi feita enquanto eu descobria o Vondelpark, um dos mais tradicionais parques de Amsterdã, a capital da terra do Van Persie. Ela não é perfeita tecnicamente, mas quem liga pra técnica quando capta uma cena dessa?Foto simples que diz muito sobre a tal da felicidade que encontramos nas coisas pequenas da vida. Será quem um dia teremos menos brigas no trânsito e mais felicidade gratuita como a desta imagem? Espero que sim.

As melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos

02 – A penumbra santificada (Campinas/São Paulo)

O ano de 2013 foi um ano que rendeu muitas experiências fotográficas com a soma novos equipamentos e velhos conhecidos. Em junho, reuni maquiadora, duas modelos e uma outra fotógrafa para fazermos alguns cliques em um hotel dos anos 50, próximo ao centro de Campinas. Dentre as fotos, está a imagem das costas da magrela amiga /modelo/ Paloma Lopez e o desenho da Pomba, representação do Espírito Santo. Ano a ano, percebo que fotografar a fé que move as pessoas tem se tornado cada vez mais interessante, mesmo quando a ocasião é completamente outra. Keep the faith e ralando a coisa rola.

A pomba santificada

03 – Até quando não iremos desistir?  (Itaquera/São Paulo)

Muita vezes, após de produzir certas imagens, notamos que nossa maneira de ver as coisas muda. Foi assim que me senti ao fim de uma exaustiva semana de cobertura do “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”, evento realizado em Itaquera, Zona Leste de SP, que envolveu a Rede de Culturas Populares Tradicionais e o Ministério da Cultura (Minc). Se por um lado o coração se encheu de orgulho em ser brasileiro e ter vivenciado de uma maneira intensa quão rica é nossa cultura, por outro lado, fiquei entristecido com a situação dos índios e de gente humilde que nada contra a corrente para que tradições não morram. Foram tantas cenas bacanas, mas escolhi a foto de um mestre do Fandango Caipira. Ela diz muito sobre o que é ser brasileiro.

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04 – Uma questão de identificação (Berlim/Alemanha)

Dentre tantas lições aprendidas no Velho Continente, há uma que marcou meus dias na Alemanha e na Polônia: ao encararmos quão baixo pode ser o ser humano, ficamos automaticamente atormentados. Assim que saí do Museu do Holocausto de Berlim, voltei para a área onde fica o Monumento do Holocausto. Dentre os blocos de concreto, que para muitos simbolizam os judeus mortos pelo regime fascista, vizualizei duas jovens trocando carícias e se autofografando. Nem pensei duas vezes antes de sacar a minha câmera e registrar o momento. Alguns dirão que se trata de desrespeito. Outros podem dizer que se é uma cena que afronta os regimes autoritários que ainda existem (principalmente o machismo nosso de cada dia). A imagem também pode ser entendida como a resposta que o amor, enfim, venceu. Eu não sei exatamente o que dizer. Só sei que essa foto, por tudo que ela representa, é um dos meus cliques prediletos de 2013.

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05- Sinhá e sinhazinha (Campinas/São Paulo)

Era dia de festa. O “Urucungos, Puitas e Quijengues”, grupo  campineiro que mantém viva tradições culturais de origem africana, realizava um cortejo pelas ruas do Bairro Bonfim para comemorar 25 anos de luta. Foi nesse clima gostoso que fotografei a simpática Sinhá, uma dos mais antigos e carismáticos membros do Urucungos, preparando a pequena sinhazinha para o cortejo. Quem conhece a Sinhá sabe quão querida e humana ela é. No nosso próximo encontro, desejo dar essa foto impressa pra esse doce de mulher que a todos conquista com seu jeito faceiro.

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06 – Like a little Rolling Stone (Londres/Inglaterra)

Era início da noite no meu primeiro dia na terra da Rainha, quando dentro de uma lanchonete, avistei um menino cheio de atitude: camisa do Rolling Stones, cabelos compridos como dos grandes roqueiros e calças arreadas. Só tive tempo de fazer o clique porque me atentei inicialmente às calças do garoto que passou diante à porta da lanchonete, desfilando carisma. Só mais tarde, quando voltava para “casa”, que percebi a composição dessa cena divertida. Enquanto houver mais meninos como esse, creio que o Rock and Roll continuará vivo. E Deus salve a rainha.

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07 – Dom Quixote feelings (Kinderdijk/Holanda)

Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro famosos por seus devaneios e histórias esdrúxulas, em sua vida nobre enfrentou diversos moinhos (entenda-se, dragões). Eu que não sou bobo, fiz questão de viver meu momento Dom Quixote em  Kinderdijk, vila holandesa considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. Lá, visualizei os 19 moinhos gigantes, além de conhecer outras áreas incrivelmente charmosas. Não há como não se apaixonar pela genialidade humana. Seja pela construção dos imponentes moinhos ou pela ideia de transformá-los em terríveis monstros.

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08 – Por Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis -MG (Itaquera/SP)

Creio que as imagens mais ricas do ano foram feitas durante o “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”. Esse retrato é um dos que mais gosto, pois sintetiza a humildade e a fé de um povo especial. Sei que já falei isso logo acima, mas é realmente tocante a beleza da nossa cultura. Outro retrato que gosto muito, é a encarada que recebi da velha índia do Povo Karajá. Esse aqui, ó.

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09 – Frank (Londres/Inglaterra)

Num desses encontros mágicos da vida, dei de cara com um casal de amigos brasileiros que também visitavam Londres enquanto eu clicava as simpáticas figuras de Candem Town, bairro alternativo da capital inglesa. Juntos, fomos dar um pulo no The Hawley Arms, o pub onde Amy Winehouse, que morava próximo às quebradas de Candem, tomava altos gorós e saia de lá pra lá de Bagdá. Era fim de tarde de verão Europeu, fato que por si só já rende uma luz muito bacana. Foi o bastante para fazer um clique dessa bela inglesinha. Se um dia for pra Londres, vá para Candem Town.

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10 – Filha de um santo observador (Campinas/São Paulo)

Desde 2010 eu estava para fotografar a mística Lavagem da Escadaria de Catedral de Campinas. Em 2013, finalmente consegui. Mais do que ter um grande respeito pelas religiões de matrizes africanas, tenho verdadeira adoração pelas fotos da lavagem. É interessante rever rostos que fotografamos em um passado recente e ver suas mudanças. A minha foto predileta desse dia é a da filha de santo que observa calmamente tudo que acontece. De traços leves, a bela jovem negra chamou minha atenção e deve ter atraído olhares de tantos outros fotógrafos. Em que será que ela estaria pensando? A graça é olhar a foto e ficar matutando.

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10 – Admirável mundo louco (Praga/República Tcheca)

A gente sabe que vive num mundo cada vez mais dinâmico a ponto de no futuro a Skynet tomar conta da humanidade. Essa relação homem e tecnologia segue rendendo imagens interessantes. Enquanto eu passava alguns minutos observando o efeverscente clima da capital checa, bem abaixo da famosa ponte Carlos, notei que um artista de rua deixou sua personagem, sentou-se no banco que lhe servia como base e, de pernas graciosamente cruzadas, passou a prosear em alto e bom checo. Foi a primeira vez que vi uma estátua usar celular. Para onde estamos caminhando?

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11- Pretinha na prosa (Campinas/São Paulo)

Foi na festança da feijoada da Comunidade de Jongo Dito Ribeiro que avistei essa cena comum. Cada vez mais presentes em nossas vidas, pelo bem ou pelo mal, os celulares muitas vezes acabam roubando a cena na fotografia. Eu mesmo fiz milhares de imagens com esses bichos espertos que nos fazem muito burros, às vezes. Na cena, uma jovem menina se delícia com um papo. Do outro lado pode estar um namoradinho, uma amiga ou sejá lá quem for. Só sei que a sua alegria era inspiradora, assim como tudo que aconteceu em mais uma edição da tradicional festa da Fazenda Roseiras.

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12 – Jeff, devolva a minha alma (Amsterdã/Holanda)

Sabe aquele ditado que diz que não importa onde estejamos, ainda seremos os mesmos, assim como nossas raízes? Então, senti isso na Holanda quando diante ao Rusk Museum fui atraído pelo jazz de um preto grisalho e seu saxofone. Poucas vezes eu chorei tanto em minha vida. E nem venham com esse papo que homem não chora. Cada nota da música que invadia o ambiente e chamava atenção dos que ali passavam, me cortava um pedaço da alma. Sem dúvida, dentre tantas coisas fantásticas que vi em 30 dias de mochilão vida louca, a música de Jeff foi a que mais me fascinou. É a música da alma, a música dos negros sofridos, a música que faz a gente se encontrar e saber quem realmente somos. Parei para conversar com ele, deixei algumas moedas e lhe agradeci pela viagem ao passado. Essa foto eu não esqueço tão fácil. E o som ainda bate aqui no meu coração.

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13 – A vida é uma dádiva

Poxa, quem me conhece bem sabe que vivenciei alguns dramas em 2013. O momento mais tenso de 2013 foi o AVC sofrido pela minha mãe. Por Deus, eu estava em casa para, mais uma vez, socorrer alguém que sempre me socorreu quando precisei. O AVC não foi grave, não ficaram sequelas e a cuca da Dona Marlene está funcionando muito bem. Incrível como a gente é praticamente nada nesse mundão. Agora estou aqui escrevendo e amanhã posso estar partindo pra uma melhor. Por isso, em 2013 eu mantive ao máximo a filosofia de tentar ser um cara bacana por onde passar. Claro que não sou santo e tive muitos momentos tensos e barracos. Mas, enfim. O importante é que a vida segue sendo vivida ao lado da mãe, dos poucos amigos e de tantas pessoas que conheci em 2013. Quer melhor presente do que ter quem mais se ama ao lado? A vida é pra ser vivida. E a melhor foto do ano mostra a nossa união, um elo que transcende cor de pele, filosofia de vida e idade. É apenas o que somos: mãe e filho em um momento de superação. O resto é novela das nove.

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A todos que acompanharam meu trabalho em 2013, meu muito obrigado. Ano que vem estamos de volta com mais histórias, fotos e muitas abobrinhas. Obrigado de coração a quem me apoiou, a quem me jogou ao vento e quem ainda tá comigo na luta. Beijo no coração de todxs.

Roniel Felipe


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Praga, muito mais bela que a Paris que eu nunca visitei

Turismo ao pé da letra em Praga

Turismo ao pé da letra em Praga

Saudações, caros e caras leitores do El Marronzito. Dando sequência às postagens relativas ao mochilão emergente vida louca classe econômica europeu, hoje é dia de falar de Praga, a belíssima capital da República Tcheca, terra do Pavel Nedved, do Milan Barros, da Veronika Zemanova e do Rei Carlos (não falo do amigo perna de pau do Erasmus tremendus).

Após passar por Londres, Amsterdã, Roterdã e Munique (ver posts anteriores) fui conferir com meus próprios olhos porque tanto falam de Praga. Léo, o falastrão lateral-esquerdo do Santos FC, diria “Vamos ver se Praga é tudo isso mesmo”. Eu sabia que estava para conhecer uma dos points mais visitados da Europa (a cidade só perde para Paris no quesito turistas farofeiros no verão), mas também sabia que tinha que ficar esperto.

Aquela sensação de segurança constante vivenciada na Alemanha, Inglaterra e Holanda não me acompanhava no Leste Europeu. Acho que antes de enfiarmos nossos narizes em algum país ou cidade, é importante lermos bastante sobre o nosso destino. No caso de Praga, era necessário ficar esperto na estação central, já que alguns batedores de carteira agem por lá.

“Ah, mas você é do Brasil. Mora na periferia, já foi no baile funk do morro carioca e assiste ao programa do Datena. Tu anda de trem em SP e vive de rolê em altas quebradas. E mesmo assim tá com medinho?”.

Ok.

Não se trata de medo, mas é necessário chegar no sapatinho e na humildade em lugares que não conhecemos. Alerta, cheguei até a Praha Hlavni Nadrazi, a principal estação de trens da cidade. Lá, troquei alguns euros por coroas tchecas (sim, tem gente que ri desse nome, mas as coroas tchecas cozinham maravilhosamente como as panelas velhas do Sérgio Reis). Em tcheco, o nome da grana é koruna czech. Eu a apelidei de “checos”.

Todo santo dia, eu passava na frente do meretrício. Jamais o adentrei

Todo santo dia eu passava na frente da zona de meretrício. Jamais a adentrei

Como as minhas bolsas pesavam demais, e eu precisava de créditos para o celular, parei numa loja da Vodafone. Negociei um chip e pedi para o vendedor guardar meus trecos. Um tanto receoso, saí pela estação mal assombrada em busca de checos (o dinheiro, gente, o dinheiro). Alguns dos funcionários da casa de câmbio tinham cara de bunda mal lavada, mas consegui a grana na boa.

A missão seguinte era conseguir o ticket do metrô (simples, pois já havia aprendido as manhas em Munique) e rumar até o ótimo Miss Sophie Hostel’s. Como na Alemanha, as estações de metrô da República Checa não têm catracas (conheci um brasileiro paranaense que pensou que o transporte fosse gratuito). Como cheguei por volta das 17h, e o verão europeu é longo como a enrolação de alguns capítulos de Games of Thrones, aproveitei para conhecer a noite da cidade.

I ar di ordi, i arnu stivin

Voltando no tempo:

Em outubro de 2012, estive no Rio de Janeiro como turistão. Das vezes anteriores que estive na terra do Zé Carioca, não pude comer a feijoada do Pedrão e nem compor um funk erudito com o meu parceiro Mr. Catra e a Valeska Popozuda (que no fundo é um amor de pessoa). O trabalho não deixou. Todavia, em 2012 pude me divertir de verdade no purgatório da beleza e do caos (praia, funk no morro e foto no Cristo). Na ocasião, conheci gente do mundo todo no hostel que estava e, como brasileiro descolado, levei alguns gringos para conhecer a Favela da Rocinha (nos tempos em que o pessoal da UPP não matava pedreiros).

Alena e Sasha, minhas guias checas

Alena e Sasha, minhas guias checas

A turma era formada por uma peruana, uma mexicana, dois colombianos, dois tchecos e dois brasileiros (sendo que um tinha cara de gringo). Entre os representantes da República Tcheca, estava a belíssima Alexandra Vysocká, mais conhecida como Sasha. Fizemos amizade, trocamos contato e quando estivemos no Sugar Loaf, fiz um belo retrato da bela checa (sem piadas de mal gosto, por favor).

Como o mundo dá voltas, após eu mostrar pra Sasha a Rocinha, ela me encontrou em Praga para me mostrar o castelo da cidade. Justo! Porém, antes de revê-la, o pessoal do Couchsurfing foi a minha companhia na minha primeira noite em Praga.

Eu havia combinado passear com uma russa, mas ela furou comigo e, dessa forma, criou um incidente diplomático que me fez abdicar do Zanguief no Street Fighter. Como o mundo é grande, eu fiz novos contatos no CS e uma simpática israelita se comprometeu a levar o marmanjo aqui para passear no parquinho.  Minutos antes do nosso encontro, ela me mandou um SMS perguntando se havia problema dela levar um cara do Couchsurfing. Disse que por mim tudo estava ótimo, mas como a vida prega peças, o cidadão em questão era  argentino torcedor do Boca (aquele time que havia eliminado o Corinthians da Libertadores com ajuda do Amarilla).

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

Juntos, o brasileiro, a israelita e o hermano (esqueci o nome do cara, mas ele é muito gente fina) saíram para um rolê na Staré Město, a cidade velha. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, mas antes o turistão aqui saiu fotografando loucamente tudo que via. Em um certo momento, encontrei um cidadão africano vestido com uma roupa bem estranha. Fiz o clique da rua, mas o homem com cara de bravo ficou no frame. Ao perceber que eu tinha o fotografado, ele começou a se exaltar.

Eu, cínico, fiz que não entendi, mas o cara ficou ainda mais bravo. Com um inglês carregado de um sotaque forte, ele dizia “Im nót óur memolial. Ifi u uant , memolial, gou tu castou”. Seus olhos ardiam em fogo e o ódio exalava pela pele. Eu respondia que eu estava numa área pública e poderia fotografar o que eu bem entendesse, já que não estava denegrindo sua imagem. Como ele estava cada vez mais exaltado,  decidi apagar a foto  (mas uma cópia dela foi salva no backup).

Meu "amigo"

Meu “amigo”

Após o leve entrevero (aqui no Brasil eu chamaria de barraco mesmo), encontrei os novos colegas e saímos pelas lotadas ruas de Staré Město. Dikla, a israelita que mora em Praga, nos levou a vários lugares bacanas. Primeiro demos um pulo na Karlův most, mais conhecida como Ponte Carlos. Além de fotografarmos as belas esculturas barrocas que enfeitam a mais antiga ponte de Praga, avistamos de longe o iluminado Pražský hrad, o Castelo de Praga. Ao ver as luzes do castelo sendo refletidas no rio, entendi porque o povo gosta tanto dessa cidade. Com o castelo estava com as portas fechadas durante à noite, rumamos para o pub e o muro John Lennon, onde pessoas deixam mensagens de paz e amor.

Quando a fome apertou, fomos comer kebab para, logo em seguida, andarmos pela margem do Rio Vltava (onde jovens curtem o verão enchendo a cara de cerveja e curtindo baladas nos barcos ancorados na beira do rio). Andamos mais um pouco até chegarmos ao prédio dançante, o Tančící dům. Antes que me perguntem, eu não estava bêbado. Existe um prédio que tem a forma de um casal dançando. É bem interessante.

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

No fim da noite, nos despedimos e cada um foi para o seu canto. Eu não tinha grana para pegar o tram, mas a Dikla disse que eu poderia fazê-lo. Fiquei um pouco receoso e fui andando até o hostel mesmo. Como é bom ser vida louca checo!

Tudo de novo, mas agora com as checas originais

No dia seguinte, acordei cedo e troquei mensagens com a Sasha, a menina checa do Rio. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, na frente do Starbucks (lá tem wi-fi free e a turistada se ajeita lá como abutres na carniça). Depois de quase um ano, a reencontrei. Muito legal essa história de rever colegas do mundo. Junto dela, estava outra bela checa, a divertida Alena (que teria a missão de me levar para passear à noite). Fizemos o rolê turistão, mas dessa vez tive que dar uma parada na Old Square Town e, ao lado de centenas de pessoas, vi o espetáculo do Orloj, o velho relógio da velha cidade de Praga.

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

Como a divulgação dos resultados da Tele-Sena, de hora em hora o espetáculo do relógio astronómico construído em 1410, é repetido. Em suma, é uma espécie de apresentações de bonecos. A caveira que representa a morte faz o sino badalar. Logo em seguida, surgem figuras que representam os 12 apóstolos. Outro detalhe interessante é que o Orloj mostra quatro tempos distintos: boêmio, europeu central, babilônico e astral. Eu não vi muita graça e creio que seja uma das atrações mais superestimadas de toda a Europa, mas vale a visita. Sou mais bater palmas para o por do sol do Arpoador ou para os artistas de rua que animam o povão.

Com as bonitonas ao meu lado, fui conhecer a a bela Maisel Synagogue e partimos, debaixo de um sol que rachar coco, para o Castelo de Praga. E como é bonito o cafofo do presidente da República Checa e considerado pelo Guiness o maior castelo do planeta! O céu checo anunciava uma chuva checa e preferimos deixar para outra hora um passeio checo mais detalhado. Me despedi das moças e marquei um passeio noturno com a Alena (quem me ensinou várias coisas sobre cinema).

Durante à noite, voltei pra Old Town Square para encontrar a Alena (que se atrasou e disse que o fez porque esperava que eu me atrasasse por ser brasileiro). Juntos, fizemos um piquenique num belo parque de onde podíamos ver o por-do-sol (e as formigas fizeram a festa nos pés da menina). Do parque, fomos até a interessantíssima Žižkov Television Tower. O nome é estranho, mas se trata de um imensa torre de tv. Nesse momento você deve estar pensando “Que tipo de turismo é esse que a pessoa chama a outra para observar uma torre de tv?”.

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

Bem, essa torre tem algo diferente. Ela é conhecida como Baby Tower. Em 2000, um artista malucão teve a ideia de inserir esculturas de bebês na torre. É como se eles estivem engatinhando rumo ao infinito. A torre também tem um belo restaurante de onde é possível ter uma visão de toda a cidade. Ah, nesse dia eu expliquei a letra de “Ai se eu te pego” para a Alena. Ela não gostou nada.

Esse tal de Comunismo e This is Sparta

Para quem não acompanha esse blog, em Londres eu conheci uma checa que se tornou uma espécie de companheira de viagem, a Monika Moková (Monchá para os intímos). Pois bem, a gente marcou de se reencontrar em Praga. Ao lado da minha nova velha guia, fui até o bairro Vinohrady visitar a bela praça da Igreja de Santa Ludmila. Como estava próximo da Torre dos Bebês Ninja, convidei a Monchá para me acompanhar até lá para que eu fizesse algumas fotos (ela nem conhecia a torre).

Igreja da Santa Ludmila

Igreja da Santa Ludmila

Um detalhe muito interessante de Praga é que as estações de metrô são muito, mas muito profundas. As escadas rolantes são íngremes e é possível devorar um pacote de Baconzitos até chegar ao topo de algumas estações. Aliás, a arquitetura da estações e as paredes tem gravuras e formas muito bonitas. Muito bacana mesmo.

Como ainda não fui para Paris, aproveitei para conhecer o Petřín, literalmente, um dos pontos altos de Praga. Se trata de uma espécie de ladeirona de onde é possível ter uma vista muito ampla da cidade. Subimos de bonde. Antes de chegarmos a Torre Eiffel dos turistas sem glamour, a Petřín Lookout Tower, eu vi uma das cenas mais estranhas e tristes da viagem: um homem imitando pássaro para ganhar a vida. Sério. Era um homem careca, com seu lá 40, 45 anos. Ele usava uma espécie de bico e asas bem fajutas. Tudo contrastava com aquele lugar lindo, o jardim, as crianças correndo.

Bizarro.

O famoso Muro da Fome

O famoso Muro da Fome

A Monchá me disse que no dia do trabalho, há uma espécie de torneio em que casais se beijam debaixo das cerejeiras do Petrin. É a olimpíada do beijo checo (já quero voltar pra lá em maio).

Antes de nos perdermos descendo o morro, a gente passou por um monumento que não sei o nome, mas tinha um cheiro danado de comunismo. É impressionante ver as edificações seguindo o mesmo padrão. Também conheci o Strahov, um dos maiores estádios do planeta (capacidade para 220 mil pessoas sentadas). Durante os tempos de comunismo, havia muitas atividades esportivas por lá (entenda-se ginástica olímpica a céu aberto). Com o fim do regime, o Strahov recebeu shows de gente como U2, Aerosmith, Rolling Stones, Guns N’Roses, Bon Jovi, Aerosmith, Pink Floyd e AC/DC, entre outros.

Olha o Strahov aí gente

Olha o Strahov aí gente

Outro fato legal: no Strahov eram realizadas demonstrações de ginástica sincronizada que envolviam milhares de pessoas e a Spartakiadas.

Após mais uma viagem de metrô, chegamos ao Forte Visehrad.  Foi lá que vi meu primeiro e único top less europeu, pois até então só tinha visto os velhos nus de Munique com o pingulim de fora. E que lugar bonito! Aproveitamos o dia de sol para fazermos alguns cliques nas muralhas do forte.

Praga é bem bonita, assim como as checas <3

Praga é bem bonita, assim como as checas ❤

A vista é privilegiada e sem dúvida é uma das imagens que guardarei para sempre na minha cachola. Dei uma olhadela na linda basílica de São Pedro e São Paulo e conheci um monte de lendas de Praga que minha amiga contou (mas estou com preguiça de contar para vocês). Nos despedimos (sniff) e no caminho fiz uma foto de um prédio com os dizeres Corinthia. Brilha muito na República Checa o Timão.

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Ao fundo do parque é possível ver a torre dos sem glamour

Excomungado que há de voltar

Como já tinha visto quase tudo que queria, aproveitei o dia azul para, enfim, fotografar o castelo e seu interior. Como já era praticamente um checo, fui sozinho para o Pražský hrad. Lá dentro, aproveitei para clicar a fantástica Capela de São Venceslau, o padroeiro da cidade que jaz por aquelas quebradas santas.

É barroco, sim senhor

É barroco, sim senhor

Também estive na Catedral de São Vito, uma das mais fascinantes construções que conheci no mochilão. Barroco define. Foi nessa igreja que tomei um bronca por estar de chapéu turistando. Fui excomungado em checo, antes de voltar para o hostel, me despedir dos trutas e rumar para a Polônia.

E assim acabaram-se meus dias em Praga. Não sei se a cidade é mais bela que Paris, mas eu devo voltar assim que possível para pedir perdão na igreja. Preciso recuperar meu status de bom moço (mentira, o que quero mesmo é rever as belas checas e passear de escada gigantes de metrô enquanto como Baconzitos). Eis as fotos, povo:

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

A bela vista noturna do Castelo de Praga

A bela vista noturna do Castelo de Praga

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Vai, Curintians!

Vai, Curintians!

O Rio Vtlava continua lindo

O Rio Vtlava continua lindo

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

São Venceslau, um cara legal

São Venceslau, um cara legal

A impressionante Catedral de São Vito

A impressionante Catedral de São Vito

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Profunda viagem

Profunda viagem

A avenida que dá acesso à cidade velha

A avenida que dá acesso à cidade velha

A minha companheira de viagem, Mochá

A minha companheira de viagem, Mochá

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

É nóis in Praga

É nóis in Praga


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Munique: história, alemães, leões, busões, peladões e diversões

História, meus amigos, história. Este é um post direto e sem muito rodeio.

Turismo sem japoneses não é turismo

Turismo sem japoneses não é turismo

Fiquei de fazer um texto duplo da última vez que aqui estive, mas como dizem na internet “me esaltei e foi melior pará”. Hoje serei direto (bem, ao menos tentarei). Após narrar os meus planos de ser o Napoleão de Bell Air e dominar a Europa e falar das aventuras em Londres, Amsterdã, Roterdã e vizinhanças, hoje é dia de história. E, para falar de história, falo dos meus rolês em Munique, a bela capital da Baviera (sei que a baixa porcentagem de sangue no álcool que corre em suas veias lhe fez ler Bavaria).

Cheguei em Munique numa bela manhã de domingo, após horas e horas de viagem de trem.

A chegada estava prevista para às 7h10 da matina, mas houve problemas que resultaram em um leve atraso. Como os alemães são sérios, entregaram a todos os passageiros um envelope contendo um formulário. Caso o delay trouxesse problemas, a empresa se comprometeria a reembolsar a cada um a grana investida na viagem. Bacana, né? No Brasil a gente ganharia um envelope que contém uma foto nossa com nariz de palhaço.

Em Munique toda hora você dá de cara com um carrão

Em Munique toda hora você dá de cara com um carrão do Gran Turismo 5

Ainda no trem, enviei uma mensagem para o meu amigo Richard Suwelack, jovem brasileiro que mora na Alemanha há alguns anos e casou-se com a Flora Zilberleib, também brasileira e que escreve sobre suas aventuras na Alemanha neste blog. Se você que frequenta o El Marronzito, é provável que você não tenha estranhado esses nomes . Fotografei o divertido casamento dos dois no ano passado (Richard casou-se vestindo uma camisa do Iron Maiden, para o deleite dos meus amigos headbangers e desespero de suas noivas conservadoras).

Munique é uma cidade rica. Até os dinossauros usam Luis Vitão

Munique é uma cidade rica. Até os dinossauros usam Luis Vitão

Pois bem, após ter sido abordado por um italiano bigodudo (a cara do Super Mario) que me pediu um euro para ajudar-lhe, me dirigi até a frente do Starbucks da München Hauptbahnhof, a estação central de Munique. Sentei no chão e fiquei observando o povo.  Logo notei que havia um grupo de policiais alemães bem atentos ao movimento da galera (tanto que intervieram num barraco entre uma moça e um jovem). Não demorou para que Richard chegasse e fôssemos até o Macdonald alemão provar um breaksfast (o infeliz aqui tinha esquecido os lanches no apartamento em Roterdã e viajou por horas com o estômago roncando mais que o Gigante do Pé de Feijão).

Como o dia estava muito bonito apesar do calor de rachar coco, o anfitrião me convidou para passeio. Topei. Richard também notou que as condições físicas ridículas desse magrelo que vos escreve não eram das melhores (nunca foram, na verdade). Sendo assim, ele gentilmente se propôs a carregar meu mochilão por alguns momentos enquanto me apresentava o que que a Alemanha tem.

E como Munique é bonita.

A pé e começando com o pé direito, passamos pela vistosa Marienplatz, praça que fica no coração da cidade e que chama atenção pela beleza do prédio chamado Neues Rhataus. Certeza que de 10 brasileiros que ali chegam, 13 vão dizer “Olha que legal o Castelo de Grayskull alemão, mano”. Eu também pensei que a imponente construção néo-gótica fosse um castelo e o Richard também o fez quando pisou em Munique pela primeira vez.

Parece um castelo, mas não é

Parece um castelo, mas não é

Na verdade, o Rhataus é a sede da prefeitura (imaginei Maluf sentado no trono de ferro do Rei Joffrey, de Games of Thrones). Na mesma Marientplatz acontece a Schannenmarkt, uma das mais tradicionais feiras da cidade onde rola a promoção da alemoa bonita que não paga, mas também não leva. Após algumas passadas, ali da praça mesmo consegui alguns cliques da Frauenkirche, a Catedral de Munique.

Ainda sob o sol escaldante, fomos dar um rolé (ou rolet, se você for francês) pelas bandas do Teatro Nacional de Munique, palco de grandes óperas e espetáculos (os caras instalam telões para que as pessoas que não conseguiram adentrar o prédio possam ver o espetáculo gratuitamente do lado de fora). De lá, bastou andar alguns metros para chegarmos até a Odeonsplatz. Foi nessa praça alemã, mas com um jeitão italiano, que momentos importantes da história contemporânea foram escritos. Foi exatamente na Odeon que o barraqueiro Hitler e alguns amigos de seu bonde foram presos  após entrarem em confronto com a polícia, em 1923.

Odeonstplatz: palco da história

Odeonstplatz: palco da história

Hilter discursa para multidão na Odeon, em 1933

Hilter discursa para multidão na Odeon, em 1933

Como o mundo dá umas voltas bem tortas de vez em quando, na mesma praça Hitler voltaria como grande estrela da SS para discursar para uma imensa multidão, em 1933. Um detalhe interessante é que pipocam pela internet supostas imagens do führer na Odeon em 1914, quando houve um comício que Alemanha comemorava a declaração da Primeira Guerra Mundial.

Olha o coisa ruim aí no meio do povão

Olha o coisa ruim aí no meio do povão

Alguns dizem que é montagem, outros juram pela mãe morta atrás da porta que a cena é real. Eu não sei. Só sei que as estátuas dos leões ainda estão e o clima é muito mais agradável do que outrora (ao menos pra mim que só sou ariano no zodíaco).

Após clicar o amarelo chamativo da igreja Theatinekirche e me encantar com a calmaria do Hofgarten, andamos mais por alguns cantos que esqueci o nome (e não estão nas anotações) até chegarmos ao Englischer Garten, também conhecido como Jardim Inglês. Foi ali que a zoeira sem limites estava prestes a começar.

Se ontem houve dor e morte, hoje Munique é um lindo lugar

Se ontem houve dor e morte, hoje, Munique é um lindo lugar

O Simba alemão não foi com minha cara

Richard fazendo um cafuné no leão da zoeira

Richard fazendo um cafuné no leão da zoeira

Ah, detalhe. Antes de ir passearmos no Jardim Inglês (ui, que fofos), passamos pelas estátuas dos leões da Residenz Street. A lenda diz que o cidadão que passar a mão nos focinho dos bichos será um sujeito afortunado. Pois bem. Alisei-o-o e rumamos para o parque. No caminho, Richard começou a falar dos surfistas de rio de Munique. Eu não entendi muito, mas ele me disse que apenas vendo a cena eu entenderia.

Tipo…ah, vejam vocês.

O mais incrível (para eu que morro de frio) é saber que a água no verão já é bem fria e que os caras repetem a dose da brincadeira no inverno alemão.

Eu estava maravilhado com o belo parque, boquiaberto com os surfistas e o clima gostoso. Para completar o cenário Disney, a imagem do tiozinho sorveteiro com um carrinho cheio de balões coloridos anunciava um dia e tanto. Era tudo muito bonito e pensei “Agora que passei a mão na fuça do Simba alemão, vou dar de cara com lindas modelos fazendo topless e me chamando de Mr. Catra. Ah, Mulek, lek, lek, lek”.

Ledo engano. A zoeira do leão estava prestes a se manifestar.

Enquanto Richard falava do carinho que tem pelo parque e de como é a vida de um brasileiro na Alemanha, avistamos cenas inusitadas. Quem pensou que iria dar de cara com lindas alemãs, teve que se contentar com simpáticos homens de meia idade completamente nus.

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As mina pira

Explico.

A noção de nudez dos alemães é bem diferente da nossa. Sendo assim, no verão é comum encontrar  peladões tomando sol em poses de gosto duvidoso. Como canta o Roupa Nova, “É verão, bom sinal”.

Como sou turista, fiz alguns cliques dos bonitões desnudos. O que fez mais sucesso entre as minhas colegas e meus amigos que gostam daquilo que balança, com certeza foi o do homem que levantou as pernas para o alto. Com certeza, essa foi uma das cenas mais inusitadas de todo mochilão. Os urologista pira.

O belo Jardim Inglês

O belo Jardim Inglês

Após o trauma, fomos tomar algo para relaxar. Eu tomei água (mais cara que a cerveja)  e peguei um sorvete e o Richard, como bom brasileiro alemão, atacou um copo de 500 ml de cerveja alemã. Aproveitei para fazer uns cliques da simpática banda de senhores que estavam vestindo as roupas tradicionais e tocando a música bavaria. Embora não beba cerveja, eu senti o gostinho da Oktoberfest.

À tarde, fomos a uma piscina pública com mais outros brasileiros bacanas que conheci (e também vi umas tiazonas desnudas perante à sociedade) e me diverti com o anúncio de uma alemã que perdeu um par de sua sandália no “clube”, mas deixou um anúncio muito interessante.

Alguém perdeu um par da sandália. Caso vocês encontrem, por favor, devolvam

Alguém perdeu um par da sandália. Caso vocês encontrem, por favor, devolvam

Nessa bumba eu ando mais, acharam um brasileiro no banco de trás

Como o tempo em Munique era curto, optei pelo passeio de ônibus hop-on hop-off. Se trata de um busão turístico que passa por diversos pontos da cidade. Você desce, faz papel de turistão e volta para o local marcado para “pegar” outro bus até o próximo ponto turístico. Para quem não tem muito tempo, esse tipo de atração é perfeita. Porém, antes de chegar ao meu destino, eu tinha que me perder um pouco por Munique para entender um pouco mais do modo de vida alemão.

Uma das características mais marcantes da Alemanha é o senso de justiça. Aqui no Brasil, somos educados pela Lei de Gerson, aquela que diz que devemos nos dar bem em tudo. Quem é que nunca ouviu a expressão que diz que “o mundo é dos espertos”?

A bela estação que eu esqueci o nome, mas não deixei de clicar

A bela estação que eu esqueci o nome, mas não deixei de clicar

Na terra do Beckenbauer e da Nina Hagen o papo é diferente. Na Alemanha é vergonhoso não ter vergonha na cara. Sendo assim, as estações de metrô não possuem catracas. Você vai na boa para o trem e vai de sua índole ser uma pessoa correta ou não. Se algum funcionário da estação lhe parar e perguntar onde está seu bilhete, aí a cobra vai fumar em alemão.

Tu ganha o pack multa+vergonha (sendo que para eles a vergonha dói mais que ter que desembolsar uma grana). Outros fato interessante: na Alemanha pirataria é proibida. Se você estiver baixando uma série via Torrent (conhecido como torresmo no Brasil), é bem possível que homens de preto batam à sua porta e te levem pro xilindró para tomar café de canequinha na pensão da tia Merkel.

Não basta avisar que é proibido. É necessário lembrar que é muito proibido

Não basta avisar que é proibido. É necessário lembrar que é muito proibido

Falando de transporte, o metrô de Munique é bem legal. A espera dos trens é embalada ao som de música clássica e os carros são confortáveis (para variar, eles não se atrasam). Há um modelo de composição mais antiga, a qual o cidadão abre as portas do trem. Eu não tive problemas em Munique e alemão é bem solícito também. Das vezes que precisei de ajuda para me localizar, não tive problemas.

Bem, voltando ao busão hip-hop on/off, valeu muito ter feito essa escolha. Os pontos mais legais do passeio foram:

Nymphenburg Palace e Royal Gardens

Munique e seus arredores têm alguns castelos. Eu fui conhecer o Nymphenburg Palace. Construído no estilo barroco, lá pelas bandas de 1664, o palácio é bem bonito mas o que mais me chamou a atenção foi o jardinzão. O dia estava meio cinza, mas consegui algumas fotos bacanas, principalmente das fantásticas estátuas que enfeitam o Royal Gardens. Para quem pensou nas deusas gregas alemãs, fotografar estátuas de mitos como Poseidon foi bem legal. Turista que sou, pedi que um japonês fizesse um clique meu. Aliás, os turistas japoneses são os melhores (já disse isso em outro post, mas gosto de reafirmar). O jardim é muito grande e tem diversos pavilhões, além de um canal que o corta de fora a fora. Coisa linda.

Olha o turistão aí com cara de bobo

Olha o turistão aí com cara de bobo

BMW

A próxima para do bus me deixou numa espécie de concessionária de luxo da BMW. A ideia era conhecer o museu da empresa automotiva, mas era uma segunda-feira brava e alguns museus estavam fechados, inclusive o da Brasília Muito Welha. Eu não sou muito chegado em carros, mas curti muito o passeio. Pela primeira vez na minha vida tive a sensação de estar guiando uma BMW. Só faltou o rap no talo, a Beyoncé do meu lado e o carro ser meu. Só. Se você é apaixonado por velocidade e carros, não deve deixar de passar pela Alemanha. Aliás, lá BMW e Audi são como Fiat Uno e Celta 1.0, todo mundo tem.

Coisa linda os carros da BMW. E eles ainda viram robôs

Coisa linda os carros da BMW. E eles ainda viram robôs

Olympic Park

Como eu já não aguentava mais andar de BMW, fui passear e conhecer o Olympic Park. Nem precisei do busão do hip-hop on/off para me levar lá. Fui na caneta mesmo, a pé. Construído para os Jogos Olímpicos de 1972 (por isso é o Parque Olímpico…duh), o complexo é dividido por várias edificações: piscina olímpica (que vontade que me deu de saber nadar), torre, teatro, quadras, centro de esportes de inverno e, claro, o famoso Estádio Olímpico, onde o Bayern de Munique mandava seus jogos e palco de grandes momentos do esporte. O grande destaque do parque é sua arquitetura. Mesmo tendo seus 30 e poucos anos, o visual é de babar já que o teto do estádio é retrátil e as estruturas metálicas de todo o parque significaram um baita avanço para arquitetura moderna. Segundo o Richard, o morro do ponto mais alto do Olympic Park é formado por entulhos da guerra. Tenso.

Olympic Park: cenário de grandes momentos do esporte

Olympic Park: cenário de grandes momentos do esporte

Allianz Arena

Diferentemente do Brasil, a Copa do Mundo na Alemanha não teve tantas trapalhadas financeiras. Se valendo da conhecida capacidade administrativa, os germânicos inauguraram em 2005 o Allianz Arena. Estive lá para conhecer o estádio e posso dizer que é muito bonito. Sinceramente, o  Arena é fantástico, mas posso dizer, sem qualquer tipo de clubismo, que se trata de uma Rua Javari com grife. Tão impressionante quanto a feiura do Riberry é a arquitetura empregada na construção. Para quem não joga Fifa nem PES, o Allianz tem uma espécie de cinturão de bolhas que cobre o estádio. Essas bolhas têm leds coloridos que enfeitam o bichão criando um visual maravilhoso. Exemplo, se o SPFC estiver jogando lá, o estádio fica cor-de-rosa. Não é o máximo, amigas?

É quase um Itaquerão

É quase um Itaquerão

O leão agora é meu amigo e me adicionou no Facebook

No fim do dia, aproveitei ainda para conhecer a estátua do Walking Man (se você imaginou um toca fita gigantes, por favor, saia do meu blog) antes de voltar para casa. Para ajudar o turistão, a chuva apertou e sorte que meus amigos emprestaram um guarda-chuva (engraçado que a previsão do tempo funciona bem em Munique porque a cidade é vizinha dos alpes). O problema foi que esqueci completamente o nome da estação que eu deveria descer para chegar até a casa da Flora e do Richard. Para ajudar, o chip da maldita Lebara/Vodafone não quis mais funcionar e eu não conseguia contatá-los via telefone.

O Walking Man. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

O Walking Man. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

Estava ficando tarde e, confesso que batia uma preocupação nesse coração jovial. Fiquei andando feito uma barata tonta kafkaniana até encontrar um terminal de serviço para passageiros no metrô. Quase chorando, disse que estava perdido, mas a moça alemã afirmou que não dava ajuda em inglês…só em alemão.

Para piorar a situação, a bateria do telefone-esperto estava acabando, mas fui esperto o bastante para me lembrar que eu havia fotografado a estação de trem próximo à casa dos meus amigos no dia anterior.

Sabia que o leãozinho iria me ajudar. Ele não poderia me sacanear duas vezes. Ao encontra a foto, me dirigi a uma linda alemã, mostrei lhe a imagem e perguntei em inglês se ela conhecia tal lugar. Ela disse que sim e respondeu algo como “munquinfrairait” numa velocidade cinco do créu. Óbvio que eu não entendi nada. Abusei de sua paciência, dei-lhe o telefone e pedi que, com aquela mão linda, ela escrevesse o nome da estação (óbvio que a parte da mão linda eu guardei na mente).

Ela digitou graciosamente Münchener Freiheit.

Munique tem um transporte muito bom, mas a velha bike está por todos os lugares

Munique tem um transporte público muito bom, mas a velha bike está por todos os lugares

Agradeci com um sorriso do Bozo de orelha a orelha e parti para meu destino final. Na manhã seguinte eu já tinha uma missão. Voltar para München Hauptbahnhof e pegar um busão (sem hip hop on/off) para Praga, próxima cidade a ser dissecada nesse singelo blog, deste mochileiro desajeitado, mas muito bem intencionado.

Fotos de Munique, meu povo.

Olha aí o Poseidon fazendo pose

Olha aí o Poseidon fazendo pose

O belo e democrático Teatro de Munique

O belo e democrático Teatro de Munique

Se não dá pra surfar no trem, nóis surfa no rio mesmo

Se não dá pra surfar no trem, nóis surfa no rio mesmo

Frauenkirche, a Catedral de Munique

Frauenkirche, a Catedral de Munique

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Hofgarten. Se no verão é bonito, imagine na primavera

Como não tinha guia em inglês no horário que fui pro Allienz, abrasileirei a turma de turistas alemães

Como não tinha guia em inglês no horário que fui pro Allienz, abrasileirei a turma de turistas alemães

Todo mundo curtindo um sol, pegando uma cor

Todo mundo curtindo um sol, pegando uma cor

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Marientplatz. É só colar na feira e pedir por uma Açaí

A banda do zé pretinho alemão animou a festa

A banda do zé pretinho alemão animou a festa

Antigamente, havia uma suástica nessa área. Se trata do ex QG da SS. Hoje é uma galeria de arte

Antigamente, havia uma suástica nessa área. Se trata do ex QG da SS. Hoje é uma galeria de arte

Interior do Allienz Arena. É impossível não ter vontade de ser jogador de futebol

Interior do Allienz Arena. Bateu aquela vontade de ser jogador de futebol profissional

O outro lado do prédio da prefeitura.

O outro lado do prédio da prefeitura.

Dá para ser levado pela correnteza do rio do Jardim Inglês numa boa

Dá para ser levado pela correnteza do rio do Jardim Inglês numa boa

Munique tem uma arquitetura maravilhosa e você tropeça na história o tempo todo

Munique tem uma arquitetura maravilhosa e você tropeça na história o tempo todo

A bela piscina do Olympic Park

A bela piscina do Olympic Park

Além de carros, o prédio da BMW é muito bacana

Além de carros lindos e a possibilidade dos mortais fazerem test drive, o prédio da BMW tem um desing futurista

Pobre urso

Pobre urso

Existe amor em Munique

Existe amor em Munique

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Como esse blog é acessado por gente de valores morais, optei por censurar o banho de sol completo do simpático alemão. Um dia vocês vão me agradecer por esse ato


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Roterdã e vizinhanças: paz, amor e moinhos gigantes

Saudações, gente bronzeada que vive a mostrar seu valor.

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Pedalar é preciso

Como escrevi mais do que deveria na última postagem quando falei de Amsterdã, cidade onde conheci meu futuro amor, a anã Smurfete, hoje procurarei ser sucinto. Após narrar o plano básico do mochilão e falar das minhas aventuras em Londres, agora é a hora de um post duplo. Sendo assim, nada mais justo que encaixar em um mesmo texto Roterdã e Munique. Não se trata apenas de uma questão de preguiça deste jovem viajante que vos escreve. Ambas cidades têm aquele jeitão de Europa civilizada e organizada (não que os demais locais que visitei lembrem a bateria da Mangueira tocando à todo vapor na Estação Sé às 18h numa quinta-feira véspera de feriado).

Agora é chegado o momento de  falar de Rotterdam, a terra do Erasmo, que na verdade é a priminha rica e comportada da alternativa e maloqueira Amsterdam. Logo ao chegar na belíssima estação Rotterdam Central, tive a impressão de estar numa cidade toda planejada. Para quem cabulou aulas de história para jogar Street Fighter 2 no fliperama, segue uma breve e simples explicação.

Pre-pa-ra.

Rotterdam foi bom-bar-de-ada durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um show da poderosa ofensiva alemã. Holanda e Bélgica estavam em cima do muro durante o conflito. Já que nutriam simpatia pelos países do Eixo e os Aliados, os chamados países baixos ficaram vendo a banda passar cantando coisas de amor. Porém, Hitler não quis saber de brincadeira e ordenou o ataque aos países baixos. Após a investida de bombardeiros Heinkel He 111, Rotterdam se tornou um inferno: fogo, destruição e morte para todos os lados anunciaram a imediata rendição da pequena Holanda, preza fácil para os nazi.

A bela Rotterdam Central

A bela Rotterdam Central

Pois bem…

Como todos sabemos, felizmente a história teve um final feliz e Rotterdam está firme, forte, renascida e bonita. E como a cidade é bonita! Quem olha para o céu esperando encontrar o holandês voador, vai encontrar prédios vistosos e uma arquitetura de cair o queixo. Fiquei hospedado no apartamento da brasileira Sara Lee Santos, amiga das antigas e de seu então noivo Marjin Westmaas, torcedor do glorioso Excelsior, a Ponte Preta da Holanda.

Como não poderia deixar de ser, andei muito de bicicleta por lá. Como sou uma visita modesta, não fiz questão de ficar com a melhor bike e a Sara emprestou-me uma velha mountain bike (monstro bike). Ela dizia que nem era preciso amarrar a bicicleta nos postes pois ladrão algum a levaria…Pura verdade.

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

Como o mundo plano é perfeito, pedalamos pelo centro e conheci as principais atrações turísticas de Rotterdam. Embora seja muito moderna, o que mais me chamou a atenção na cidade foram os belíssimos Zundelpark e o Kralingse Bos, áreas verdes, vastas, limpas, cheias de pessoas se divertindo e coelhos correndo livremente pelos bosques. Até o Kid Bengala estava lá tirando uma onda. Me senti em casa porque Rotterdam tem muito surinameses. Aliás, as “surinaminas” são bem bonitas.

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Como a cidade é bem calma e não é tão grande, após turistar pelos principais pontos e conhecer o centro, aproveitamos os dias quentes para irmos até a bela Kinderdijk. Foi lá que a cobra fumou.

Pelados em Santos, perdidos em Kinderdijk

Visitar Kinderdijk foi ideia minha. Eu queria muito fotografar e ver de perto os imensos 19 moinhos que, junto com as belezas naturais da cidade, formam um dos cartões postais mais atraentes da Holanda. Além do paulista caipira do interior (eu), da mineira com vários sotaques malucos (Sara), o time foi completo pela piauíense Waldina Carvalho, radicada na Holanda há 11 anos. Farofa da boa.

Sara, Waldine e eu. Brasileirices na Holanda

Sara, Waldina e eu. Brasileirices na Holanda

Além de usarem trens para se locomoverem entre cidades e distritos, os holandeses também fazem uso do waterbus. O bacana é que o busão da água funciona da mesma maneira que os metrôs: dependendo de onde você for, é necessário pegar uma baldeação. Na margens dos rios existem belas e confortáveis estações com relógios que informam o horário de chegada dos bichões. E, para variar, eles não se atrasam.

Após o divertido passeio de waterbus (primeira vez é sempre uma beleza) e uma baldeação corrida (incrível como a bicicleta da gente empaca nas horas que mais precisamos de mobilidade), chegamos a Kinderdijk. Como as meninas já haviam visitado o local e estavam a fim de prosear sobre o casamento que se aproximava, me deixaram livre, leve e solto para fazer o que eu bem entendesse (claro, sem quebrar nada).

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

E que lugar fantástico!

Aproveitei para ir para o centro da cidade (afinal, não é todo mundo que mora em moinhos gigantes que fariam Don Quixote ter orgasmos múltiplos). No caminho, encontrei um jardim fantástico que parecia cenário de algum desenho da Disney. Lá, fui cordialmente cumprimentado pelos locais. Coisa linda: flores, céu azul, pessoas educadas e ninguém me chamando de Seu Jorge. Pura paz e aquela sensação que o mundo é bão, Sebastião.

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

Do jardim, parti para, enfim, fotografar o belíssimo centro da cidade. Tudo muito organizado e calmo. Até os corvos de Kinder são simpáticos a ponto de me lembrarem Faísca e Fumaça. Pensei em pedalar ainda mais por lá,  mas como a fome já batia forte, aproveitei para voltar pelo mesmo caminho enquanto trocava mensagens com a Sarinha. Durante o trajeto tive tempo de fotografar crianças mergulhando no rio e um casal de idosos curtindo a vida o tal de amor. Sem dúvida, momentos que ficarão para sempre na minha cachola.

Após reencontrar as moças e fazermos juntos alguns cliques no melhor estilo “sou turista”, rumamos para um restaurante muito bacana, todo decorado com aparelhos de rádios antigos. Eram quase 18h quando acabamos o jantar e descobrimos que teríamos que pedalar até outra cidade para pegarmos o último bus do mar para Rotterdam.

Nesse momento, também descobri duas coisas: a primeira é que se perdêssemos o waterbus, teríamos que pedalar cerca de 4h para chegar em casa. A segunda foi que, mesmo em um mundo plano, não é coisa de gente comum pedalar tanto assim após já ter percorrido 30km de magrela.

Como a zica também se manifesta na Europa, nós perdemos o último waterbus enquanto fotografávamos o pôr-do-sol e a linda vista (e as duas amigas falavam holandês com pescadores simpáticos perguntando como poderíamos voltar pra Rotterdam). Após um leve desespero (delas, porque eu sou turista e pra turista tudo é lindo), descobrimos uma forma de voltar pra Rotterdam: waterbus, pedalar por uma cidade que não sei o nome e ainda pegar um trem. Como podem notar, a maratona foi intensa, mas aqui estou vivinho de Jesus Felipe.

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois,  as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois, as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses. Um dos caras do barco fez sinal de positivo como se dissesse “Venham nadando até o barco”

A minha última viagem de waterbus rendeu ótimas fotos. O momento  chato do dia foi ver aves sendo alvejadas por tiros enquanto voavam em forma de V e preenchiam o céu azul. Acontece que, segundo o noticiário holandês, os pássaros põem em risco a segurança dos aeroportos durante o verão.

No último dia em Rotterdam, a Sara que estava noiva me levou à praia (ela se casou no dia 30 de agosto). Na verdade, a ideia era que eu fizesse uma E-session dela e do Marjin (pronuncia-se Marraim que, na verdade,  é um nome comum na Holanda como José e Katylin Victória são no Brasil).

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Eu queria fotografar em um parque, mas como a “cliente” é que manda, fomos parar numa praia em um distrito holandês que também esqueci o nome, mas que fica coladinho à Alemanha. Apesar da praia não ser praia como as nossas, as fotos ficaram bem legais. No fim do dia, fomos até o bairro da Waldina comer comida chinesa (sim, os chineses já dominaram o mundo faz tempo). Quando o pessoal se despedia, ouvi algo como “Todos morram”.

Fiquei um pouco curioso com esse povo que diz um até amanhã tão fúnebre, mas enfim…é cultura.

Bom dia, Vietnã

Após dias de muita atividade física na Holanda, meu próximo destino era a Alemanha de Oliver Khan e do Martin Lawrence (sim, ele é mano, mas nasceu em Frankfurt). Precisamente, saí de Rotterdam em um trem noturno para a Munchen ou Munique, a menina dos olhos da Baviera ou Bavaria (não a cerveja), uma das regiões federais da Alemanha.

De Rotterdam fui para Eindhoven, cidade em que Romário e Ronaldo brilharam muito (não no Corinthians, mas sim no PSV). De lá, sairia o trem para Munique. Sem muito o que fazer e mais falador que o homem da cobra, puxei papo com uma simpática vietnamita que também estava indo para a terra do chucrute.

Papo vai, papo vem e o trem chegou. Porém, mais uma vez a zica zicou e a plataforma de embarque foi mudada aos 49 do segundo tempo, quando ninguém tinha mais forças pra xingar a mãe do juiz. Estávamos na plataforma 1 e o embarque foi para a plataforma 4. Eu até pensei em dar um salto do Super Mario Black para chegar até o outro lado, mas fiquei envergonhado.

A carta de agradecimento à Sarita

A carta de agradecimento à Sarita

O fato engraçado é que havia uma espécie de elevador que nos levaria para a parte de baixo da estação e nos aproximaria de nosso destino, o trem. O problema é que o elevador estava lotado e os funcionários da estação pediram que duas pessoas saíssem. Havia umas 12 pessoas, cada uma de um jeito (parecia uma daquelas feiras das nações). Olhei pra moça e disse em baixo e ruim inglês que não deveríamos sair porque poderíamos perder o trem.

Como o peso era grande, o elevador desceu, mas travou. Os holandeses da estação, um tanto irritados, ordenaram que duas pessoas saíssem. Eu olhei para o trem do outro lado, o relógio e disse pra oriental “Vamos correndo até lá”.

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

E fomos. O problema que eu desci pela escada de concreto e a jovem viet girl, desesperada, tentou descer pela escada rolante (que, por sinal, estava subindo). Eu queria rir do engano da moça, mas não podia. Apesar do susto e da cena épica da menina catando cavaco na escada, chegamos a tempo. A ideia era ir ao lado dela conversando (até porque o infeliz aqui esqueceu de pegar os lanches que a tia Sara deixara na geladeira e iria passar fome até chegar em Munique), mas cada um tem seu lugar no trem, acabamos nos separamos.

Em tempo, o nome da moça é Zeo alguma coisa. Ela não é japonesa, mas é minha Yoko Ono da escada rolante inversa. Sei que a anã Smurfete ficou com ciúme, mas faz parte da vida.

Ah, eu disse que era um post duplo?

Ficou muito grande, mas essa semana eu posto sobre a bela Munique e seus velhos nus. O texto está pronto, portanto fique com imagens Rotterdam e das suas lindas adjacências.

Tot morgen, manos e minas (não é todos morram não).

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldine Carvalho

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldina Carvalho

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark (foto: Sara Lee Santos)

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Tranquilidade resume

Tranquilidade resume

Sarinha andando de bike e quase caindo na água. Eu pronto pra fotografar :P

Coisas do verão

A bela Kinderdijke e seus moinhos mágicos

A bela Kinderdijk e seus moinhos mágicos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Turista fazendo turismo

Turista fazendo turismo

Muito amor <3

Muito amor ❤

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Ah, Roterdão

Ah, Roterdão

Barcos, luzes e o dia virando noite

Barcos, luzes e o dia virando noite

As bikes no bus da água

As bikes no bus da água

Jardinsney world

Jardinsney world