El Marronzito

Vai de retro 2013: 13 cliques de um ano quase passado

1 comentário

Para não deixar a bola cair e manter a tradição, cá estou com mais uma retrospectiva. Nem é preciso saber que dois e dois somam quatro para entender que, depois de 2010, 2011 e 2012, vem a retrospectiva de 2013.

E como 2013 foi um ano bacana fotograficamente falando!

Ao todo, foram mais de 12 mil imagens arquivadas. Dentre elas, há histórias de amor, sorrisos, situações corriqueiras e algumas curiosidades. Também há imagens que sintetizam diversas culturas e um pouco do quão variado e delicioso é o nosso mundão bão Sebastião. Pois bem, vou parar de enrolação. Infelizmente, não tive tempo (nem paciência para inserir as fotos produzidas com o uso do telefone celular). Em todo caso, elas podem ser vistas neste link. O mesmo vale para fotos de casamentos. Separei 13 cliques que gostei muito e pus aqui, ó.

Prometo não falar do lançamento de Negros Heróis e nem de Ato, Fato & Retrato, então, bora falar das fotos:

1- Mais bicicletas, menos carros, mais alegria (Amsterdã/Holanda)

Dizem que ass melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos. Essa foto foi feita enquanto eu descobria o Vondelpark, um dos mais tradicionais parques de Amsterdã, a capital da terra do Van Persie. Ela não é perfeita tecnicamente, mas quem liga pra técnica quando capta uma cena dessa?Foto simples que diz muito sobre a tal da felicidade que encontramos nas coisas pequenas da vida. Será quem um dia teremos menos brigas no trânsito e mais felicidade gratuita como a desta imagem? Espero que sim.

As melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos

02 – A penumbra santificada (Campinas/São Paulo)

O ano de 2013 foi um ano que rendeu muitas experiências fotográficas com a soma novos equipamentos e velhos conhecidos. Em junho, reuni maquiadora, duas modelos e uma outra fotógrafa para fazermos alguns cliques em um hotel dos anos 50, próximo ao centro de Campinas. Dentre as fotos, está a imagem das costas da magrela amiga /modelo/ Paloma Lopez e o desenho da Pomba, representação do Espírito Santo. Ano a ano, percebo que fotografar a fé que move as pessoas tem se tornado cada vez mais interessante, mesmo quando a ocasião é completamente outra. Keep the faith e ralando a coisa rola.

A pomba santificada

03 – Até quando não iremos desistir?  (Itaquera/São Paulo)

Muita vezes, após de produzir certas imagens, notamos que nossa maneira de ver as coisas muda. Foi assim que me senti ao fim de uma exaustiva semana de cobertura do “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”, evento realizado em Itaquera, Zona Leste de SP, que envolveu a Rede de Culturas Populares Tradicionais e o Ministério da Cultura (Minc). Se por um lado o coração se encheu de orgulho em ser brasileiro e ter vivenciado de uma maneira intensa quão rica é nossa cultura, por outro lado, fiquei entristecido com a situação dos índios e de gente humilde que nada contra a corrente para que tradições não morram. Foram tantas cenas bacanas, mas escolhi a foto de um mestre do Fandango Caipira. Ela diz muito sobre o que é ser brasileiro.

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04 – Uma questão de identificação (Berlim/Alemanha)

Dentre tantas lições aprendidas no Velho Continente, há uma que marcou meus dias na Alemanha e na Polônia: ao encararmos quão baixo pode ser o ser humano, ficamos automaticamente atormentados. Assim que saí do Museu do Holocausto de Berlim, voltei para a área onde fica o Monumento do Holocausto. Dentre os blocos de concreto, que para muitos simbolizam os judeus mortos pelo regime fascista, vizualizei duas jovens trocando carícias e se autofografando. Nem pensei duas vezes antes de sacar a minha câmera e registrar o momento. Alguns dirão que se trata de desrespeito. Outros podem dizer que se é uma cena que afronta os regimes autoritários que ainda existem (principalmente o machismo nosso de cada dia). A imagem também pode ser entendida como a resposta que o amor, enfim, venceu. Eu não sei exatamente o que dizer. Só sei que essa foto, por tudo que ela representa, é um dos meus cliques prediletos de 2013.

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05- Sinhá e sinhazinha (Campinas/São Paulo)

Era dia de festa. O “Urucungos, Puitas e Quijengues”, grupo  campineiro que mantém viva tradições culturais de origem africana, realizava um cortejo pelas ruas do Bairro Bonfim para comemorar 25 anos de luta. Foi nesse clima gostoso que fotografei a simpática Sinhá, uma dos mais antigos e carismáticos membros do Urucungos, preparando a pequena sinhazinha para o cortejo. Quem conhece a Sinhá sabe quão querida e humana ela é. No nosso próximo encontro, desejo dar essa foto impressa pra esse doce de mulher que a todos conquista com seu jeito faceiro.

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06 – Like a little Rolling Stone (Londres/Inglaterra)

Era início da noite no meu primeiro dia na terra da Rainha, quando dentro de uma lanchonete, avistei um menino cheio de atitude: camisa do Rolling Stones, cabelos compridos como dos grandes roqueiros e calças arreadas. Só tive tempo de fazer o clique porque me atentei inicialmente às calças do garoto que passou diante à porta da lanchonete, desfilando carisma. Só mais tarde, quando voltava para “casa”, que percebi a composição dessa cena divertida. Enquanto houver mais meninos como esse, creio que o Rock and Roll continuará vivo. E Deus salve a rainha.

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07 – Dom Quixote feelings (Kinderdijk/Holanda)

Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro famosos por seus devaneios e histórias esdrúxulas, em sua vida nobre enfrentou diversos moinhos (entenda-se, dragões). Eu que não sou bobo, fiz questão de viver meu momento Dom Quixote em  Kinderdijk, vila holandesa considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. Lá, visualizei os 19 moinhos gigantes, além de conhecer outras áreas incrivelmente charmosas. Não há como não se apaixonar pela genialidade humana. Seja pela construção dos imponentes moinhos ou pela ideia de transformá-los em terríveis monstros.

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08 – Por Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis -MG (Itaquera/SP)

Creio que as imagens mais ricas do ano foram feitas durante o “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”. Esse retrato é um dos que mais gosto, pois sintetiza a humildade e a fé de um povo especial. Sei que já falei isso logo acima, mas é realmente tocante a beleza da nossa cultura. Outro retrato que gosto muito, é a encarada que recebi da velha índia do Povo Karajá. Esse aqui, ó.

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09 – Frank (Londres/Inglaterra)

Num desses encontros mágicos da vida, dei de cara com um casal de amigos brasileiros que também visitavam Londres enquanto eu clicava as simpáticas figuras de Candem Town, bairro alternativo da capital inglesa. Juntos, fomos dar um pulo no The Hawley Arms, o pub onde Amy Winehouse, que morava próximo às quebradas de Candem, tomava altos gorós e saia de lá pra lá de Bagdá. Era fim de tarde de verão Europeu, fato que por si só já rende uma luz muito bacana. Foi o bastante para fazer um clique dessa bela inglesinha. Se um dia for pra Londres, vá para Candem Town.

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10 – Filha de um santo observador (Campinas/São Paulo)

Desde 2010 eu estava para fotografar a mística Lavagem da Escadaria de Catedral de Campinas. Em 2013, finalmente consegui. Mais do que ter um grande respeito pelas religiões de matrizes africanas, tenho verdadeira adoração pelas fotos da lavagem. É interessante rever rostos que fotografamos em um passado recente e ver suas mudanças. A minha foto predileta desse dia é a da filha de santo que observa calmamente tudo que acontece. De traços leves, a bela jovem negra chamou minha atenção e deve ter atraído olhares de tantos outros fotógrafos. Em que será que ela estaria pensando? A graça é olhar a foto e ficar matutando.

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10 – Admirável mundo louco (Praga/República Tcheca)

A gente sabe que vive num mundo cada vez mais dinâmico a ponto de no futuro a Skynet tomar conta da humanidade. Essa relação homem e tecnologia segue rendendo imagens interessantes. Enquanto eu passava alguns minutos observando o efeverscente clima da capital checa, bem abaixo da famosa ponte Carlos, notei que um artista de rua deixou sua personagem, sentou-se no banco que lhe servia como base e, de pernas graciosamente cruzadas, passou a prosear em alto e bom checo. Foi a primeira vez que vi uma estátua usar celular. Para onde estamos caminhando?

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11- Pretinha na prosa (Campinas/São Paulo)

Foi na festança da feijoada da Comunidade de Jongo Dito Ribeiro que avistei essa cena comum. Cada vez mais presentes em nossas vidas, pelo bem ou pelo mal, os celulares muitas vezes acabam roubando a cena na fotografia. Eu mesmo fiz milhares de imagens com esses bichos espertos que nos fazem muito burros, às vezes. Na cena, uma jovem menina se delícia com um papo. Do outro lado pode estar um namoradinho, uma amiga ou sejá lá quem for. Só sei que a sua alegria era inspiradora, assim como tudo que aconteceu em mais uma edição da tradicional festa da Fazenda Roseiras.

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12 – Jeff, devolva a minha alma (Amsterdã/Holanda)

Sabe aquele ditado que diz que não importa onde estejamos, ainda seremos os mesmos, assim como nossas raízes? Então, senti isso na Holanda quando diante ao Rusk Museum fui atraído pelo jazz de um preto grisalho e seu saxofone. Poucas vezes eu chorei tanto em minha vida. E nem venham com esse papo que homem não chora. Cada nota da música que invadia o ambiente e chamava atenção dos que ali passavam, me cortava um pedaço da alma. Sem dúvida, dentre tantas coisas fantásticas que vi em 30 dias de mochilão vida louca, a música de Jeff foi a que mais me fascinou. É a música da alma, a música dos negros sofridos, a música que faz a gente se encontrar e saber quem realmente somos. Parei para conversar com ele, deixei algumas moedas e lhe agradeci pela viagem ao passado. Essa foto eu não esqueço tão fácil. E o som ainda bate aqui no meu coração.

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13 – A vida é uma dádiva

Poxa, quem me conhece bem sabe que vivenciei alguns dramas em 2013. O momento mais tenso de 2013 foi o AVC sofrido pela minha mãe. Por Deus, eu estava em casa para, mais uma vez, socorrer alguém que sempre me socorreu quando precisei. O AVC não foi grave, não ficaram sequelas e a cuca da Dona Marlene está funcionando muito bem. Incrível como a gente é praticamente nada nesse mundão. Agora estou aqui escrevendo e amanhã posso estar partindo pra uma melhor. Por isso, em 2013 eu mantive ao máximo a filosofia de tentar ser um cara bacana por onde passar. Claro que não sou santo e tive muitos momentos tensos e barracos. Mas, enfim. O importante é que a vida segue sendo vivida ao lado da mãe, dos poucos amigos e de tantas pessoas que conheci em 2013. Quer melhor presente do que ter quem mais se ama ao lado? A vida é pra ser vivida. E a melhor foto do ano mostra a nossa união, um elo que transcende cor de pele, filosofia de vida e idade. É apenas o que somos: mãe e filho em um momento de superação. O resto é novela das nove.

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A todos que acompanharam meu trabalho em 2013, meu muito obrigado. Ano que vem estamos de volta com mais histórias, fotos e muitas abobrinhas. Obrigado de coração a quem me apoiou, a quem me jogou ao vento e quem ainda tá comigo na luta. Beijo no coração de todxs.

Roniel Felipe

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Autor: ronielfelipe

Jornalista e Fotógrafo

Um pensamento sobre “Vai de retro 2013: 13 cliques de um ano quase passado

  1. Que linda a mão da D. Marlene!
    Mais um ano de histórias e aprendizados!
    Feliz 2014, Roni!

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