El Marronzito

Praga, muito mais bela que a Paris que eu nunca visitei

Deixe um comentário

Turismo ao pé da letra em Praga

Turismo ao pé da letra em Praga

Saudações, caros e caras leitores do El Marronzito. Dando sequência às postagens relativas ao mochilão emergente vida louca classe econômica europeu, hoje é dia de falar de Praga, a belíssima capital da República Tcheca, terra do Pavel Nedved, do Milan Barros, da Veronika Zemanova e do Rei Carlos (não falo do amigo perna de pau do Erasmus tremendus).

Após passar por Londres, Amsterdã, Roterdã e Munique (ver posts anteriores) fui conferir com meus próprios olhos porque tanto falam de Praga. Léo, o falastrão lateral-esquerdo do Santos FC, diria “Vamos ver se Praga é tudo isso mesmo”. Eu sabia que estava para conhecer uma dos points mais visitados da Europa (a cidade só perde para Paris no quesito turistas farofeiros no verão), mas também sabia que tinha que ficar esperto.

Aquela sensação de segurança constante vivenciada na Alemanha, Inglaterra e Holanda não me acompanhava no Leste Europeu. Acho que antes de enfiarmos nossos narizes em algum país ou cidade, é importante lermos bastante sobre o nosso destino. No caso de Praga, era necessário ficar esperto na estação central, já que alguns batedores de carteira agem por lá.

“Ah, mas você é do Brasil. Mora na periferia, já foi no baile funk do morro carioca e assiste ao programa do Datena. Tu anda de trem em SP e vive de rolê em altas quebradas. E mesmo assim tá com medinho?”.

Ok.

Não se trata de medo, mas é necessário chegar no sapatinho e na humildade em lugares que não conhecemos. Alerta, cheguei até a Praha Hlavni Nadrazi, a principal estação de trens da cidade. Lá, troquei alguns euros por coroas tchecas (sim, tem gente que ri desse nome, mas as coroas tchecas cozinham maravilhosamente como as panelas velhas do Sérgio Reis). Em tcheco, o nome da grana é koruna czech. Eu a apelidei de “checos”.

Todo santo dia, eu passava na frente do meretrício. Jamais o adentrei

Todo santo dia eu passava na frente da zona de meretrício. Jamais a adentrei

Como as minhas bolsas pesavam demais, e eu precisava de créditos para o celular, parei numa loja da Vodafone. Negociei um chip e pedi para o vendedor guardar meus trecos. Um tanto receoso, saí pela estação mal assombrada em busca de checos (o dinheiro, gente, o dinheiro). Alguns dos funcionários da casa de câmbio tinham cara de bunda mal lavada, mas consegui a grana na boa.

A missão seguinte era conseguir o ticket do metrô (simples, pois já havia aprendido as manhas em Munique) e rumar até o ótimo Miss Sophie Hostel’s. Como na Alemanha, as estações de metrô da República Checa não têm catracas (conheci um brasileiro paranaense que pensou que o transporte fosse gratuito). Como cheguei por volta das 17h, e o verão europeu é longo como a enrolação de alguns capítulos de Games of Thrones, aproveitei para conhecer a noite da cidade.

I ar di ordi, i arnu stivin

Voltando no tempo:

Em outubro de 2012, estive no Rio de Janeiro como turistão. Das vezes anteriores que estive na terra do Zé Carioca, não pude comer a feijoada do Pedrão e nem compor um funk erudito com o meu parceiro Mr. Catra e a Valeska Popozuda (que no fundo é um amor de pessoa). O trabalho não deixou. Todavia, em 2012 pude me divertir de verdade no purgatório da beleza e do caos (praia, funk no morro e foto no Cristo). Na ocasião, conheci gente do mundo todo no hostel que estava e, como brasileiro descolado, levei alguns gringos para conhecer a Favela da Rocinha (nos tempos em que o pessoal da UPP não matava pedreiros).

Alena e Sasha, minhas guias checas

Alena e Sasha, minhas guias checas

A turma era formada por uma peruana, uma mexicana, dois colombianos, dois tchecos e dois brasileiros (sendo que um tinha cara de gringo). Entre os representantes da República Tcheca, estava a belíssima Alexandra Vysocká, mais conhecida como Sasha. Fizemos amizade, trocamos contato e quando estivemos no Sugar Loaf, fiz um belo retrato da bela checa (sem piadas de mal gosto, por favor).

Como o mundo dá voltas, após eu mostrar pra Sasha a Rocinha, ela me encontrou em Praga para me mostrar o castelo da cidade. Justo! Porém, antes de revê-la, o pessoal do Couchsurfing foi a minha companhia na minha primeira noite em Praga.

Eu havia combinado passear com uma russa, mas ela furou comigo e, dessa forma, criou um incidente diplomático que me fez abdicar do Zanguief no Street Fighter. Como o mundo é grande, eu fiz novos contatos no CS e uma simpática israelita se comprometeu a levar o marmanjo aqui para passear no parquinho.  Minutos antes do nosso encontro, ela me mandou um SMS perguntando se havia problema dela levar um cara do Couchsurfing. Disse que por mim tudo estava ótimo, mas como a vida prega peças, o cidadão em questão era  argentino torcedor do Boca (aquele time que havia eliminado o Corinthians da Libertadores com ajuda do Amarilla).

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

Juntos, o brasileiro, a israelita e o hermano (esqueci o nome do cara, mas ele é muito gente fina) saíram para um rolê na Staré Město, a cidade velha. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, mas antes o turistão aqui saiu fotografando loucamente tudo que via. Em um certo momento, encontrei um cidadão africano vestido com uma roupa bem estranha. Fiz o clique da rua, mas o homem com cara de bravo ficou no frame. Ao perceber que eu tinha o fotografado, ele começou a se exaltar.

Eu, cínico, fiz que não entendi, mas o cara ficou ainda mais bravo. Com um inglês carregado de um sotaque forte, ele dizia “Im nót óur memolial. Ifi u uant , memolial, gou tu castou”. Seus olhos ardiam em fogo e o ódio exalava pela pele. Eu respondia que eu estava numa área pública e poderia fotografar o que eu bem entendesse, já que não estava denegrindo sua imagem. Como ele estava cada vez mais exaltado,  decidi apagar a foto  (mas uma cópia dela foi salva no backup).

Meu "amigo"

Meu “amigo”

Após o leve entrevero (aqui no Brasil eu chamaria de barraco mesmo), encontrei os novos colegas e saímos pelas lotadas ruas de Staré Město. Dikla, a israelita que mora em Praga, nos levou a vários lugares bacanas. Primeiro demos um pulo na Karlův most, mais conhecida como Ponte Carlos. Além de fotografarmos as belas esculturas barrocas que enfeitam a mais antiga ponte de Praga, avistamos de longe o iluminado Pražský hrad, o Castelo de Praga. Ao ver as luzes do castelo sendo refletidas no rio, entendi porque o povo gosta tanto dessa cidade. Com o castelo estava com as portas fechadas durante à noite, rumamos para o pub e o muro John Lennon, onde pessoas deixam mensagens de paz e amor.

Quando a fome apertou, fomos comer kebab para, logo em seguida, andarmos pela margem do Rio Vltava (onde jovens curtem o verão enchendo a cara de cerveja e curtindo baladas nos barcos ancorados na beira do rio). Andamos mais um pouco até chegarmos ao prédio dançante, o Tančící dům. Antes que me perguntem, eu não estava bêbado. Existe um prédio que tem a forma de um casal dançando. É bem interessante.

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

No fim da noite, nos despedimos e cada um foi para o seu canto. Eu não tinha grana para pegar o tram, mas a Dikla disse que eu poderia fazê-lo. Fiquei um pouco receoso e fui andando até o hostel mesmo. Como é bom ser vida louca checo!

Tudo de novo, mas agora com as checas originais

No dia seguinte, acordei cedo e troquei mensagens com a Sasha, a menina checa do Rio. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, na frente do Starbucks (lá tem wi-fi free e a turistada se ajeita lá como abutres na carniça). Depois de quase um ano, a reencontrei. Muito legal essa história de rever colegas do mundo. Junto dela, estava outra bela checa, a divertida Alena (que teria a missão de me levar para passear à noite). Fizemos o rolê turistão, mas dessa vez tive que dar uma parada na Old Square Town e, ao lado de centenas de pessoas, vi o espetáculo do Orloj, o velho relógio da velha cidade de Praga.

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

Como a divulgação dos resultados da Tele-Sena, de hora em hora o espetáculo do relógio astronómico construído em 1410, é repetido. Em suma, é uma espécie de apresentações de bonecos. A caveira que representa a morte faz o sino badalar. Logo em seguida, surgem figuras que representam os 12 apóstolos. Outro detalhe interessante é que o Orloj mostra quatro tempos distintos: boêmio, europeu central, babilônico e astral. Eu não vi muita graça e creio que seja uma das atrações mais superestimadas de toda a Europa, mas vale a visita. Sou mais bater palmas para o por do sol do Arpoador ou para os artistas de rua que animam o povão.

Com as bonitonas ao meu lado, fui conhecer a a bela Maisel Synagogue e partimos, debaixo de um sol que rachar coco, para o Castelo de Praga. E como é bonito o cafofo do presidente da República Checa e considerado pelo Guiness o maior castelo do planeta! O céu checo anunciava uma chuva checa e preferimos deixar para outra hora um passeio checo mais detalhado. Me despedi das moças e marquei um passeio noturno com a Alena (quem me ensinou várias coisas sobre cinema).

Durante à noite, voltei pra Old Town Square para encontrar a Alena (que se atrasou e disse que o fez porque esperava que eu me atrasasse por ser brasileiro). Juntos, fizemos um piquenique num belo parque de onde podíamos ver o por-do-sol (e as formigas fizeram a festa nos pés da menina). Do parque, fomos até a interessantíssima Žižkov Television Tower. O nome é estranho, mas se trata de um imensa torre de tv. Nesse momento você deve estar pensando “Que tipo de turismo é esse que a pessoa chama a outra para observar uma torre de tv?”.

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

Bem, essa torre tem algo diferente. Ela é conhecida como Baby Tower. Em 2000, um artista malucão teve a ideia de inserir esculturas de bebês na torre. É como se eles estivem engatinhando rumo ao infinito. A torre também tem um belo restaurante de onde é possível ter uma visão de toda a cidade. Ah, nesse dia eu expliquei a letra de “Ai se eu te pego” para a Alena. Ela não gostou nada.

Esse tal de Comunismo e This is Sparta

Para quem não acompanha esse blog, em Londres eu conheci uma checa que se tornou uma espécie de companheira de viagem, a Monika Moková (Monchá para os intímos). Pois bem, a gente marcou de se reencontrar em Praga. Ao lado da minha nova velha guia, fui até o bairro Vinohrady visitar a bela praça da Igreja de Santa Ludmila. Como estava próximo da Torre dos Bebês Ninja, convidei a Monchá para me acompanhar até lá para que eu fizesse algumas fotos (ela nem conhecia a torre).

Igreja da Santa Ludmila

Igreja da Santa Ludmila

Um detalhe muito interessante de Praga é que as estações de metrô são muito, mas muito profundas. As escadas rolantes são íngremes e é possível devorar um pacote de Baconzitos até chegar ao topo de algumas estações. Aliás, a arquitetura da estações e as paredes tem gravuras e formas muito bonitas. Muito bacana mesmo.

Como ainda não fui para Paris, aproveitei para conhecer o Petřín, literalmente, um dos pontos altos de Praga. Se trata de uma espécie de ladeirona de onde é possível ter uma vista muito ampla da cidade. Subimos de bonde. Antes de chegarmos a Torre Eiffel dos turistas sem glamour, a Petřín Lookout Tower, eu vi uma das cenas mais estranhas e tristes da viagem: um homem imitando pássaro para ganhar a vida. Sério. Era um homem careca, com seu lá 40, 45 anos. Ele usava uma espécie de bico e asas bem fajutas. Tudo contrastava com aquele lugar lindo, o jardim, as crianças correndo.

Bizarro.

O famoso Muro da Fome

O famoso Muro da Fome

A Monchá me disse que no dia do trabalho, há uma espécie de torneio em que casais se beijam debaixo das cerejeiras do Petrin. É a olimpíada do beijo checo (já quero voltar pra lá em maio).

Antes de nos perdermos descendo o morro, a gente passou por um monumento que não sei o nome, mas tinha um cheiro danado de comunismo. É impressionante ver as edificações seguindo o mesmo padrão. Também conheci o Strahov, um dos maiores estádios do planeta (capacidade para 220 mil pessoas sentadas). Durante os tempos de comunismo, havia muitas atividades esportivas por lá (entenda-se ginástica olímpica a céu aberto). Com o fim do regime, o Strahov recebeu shows de gente como U2, Aerosmith, Rolling Stones, Guns N’Roses, Bon Jovi, Aerosmith, Pink Floyd e AC/DC, entre outros.

Olha o Strahov aí gente

Olha o Strahov aí gente

Outro fato legal: no Strahov eram realizadas demonstrações de ginástica sincronizada que envolviam milhares de pessoas e a Spartakiadas.

Após mais uma viagem de metrô, chegamos ao Forte Visehrad.  Foi lá que vi meu primeiro e único top less europeu, pois até então só tinha visto os velhos nus de Munique com o pingulim de fora. E que lugar bonito! Aproveitamos o dia de sol para fazermos alguns cliques nas muralhas do forte.

Praga é bem bonita, assim como as checas <3

Praga é bem bonita, assim como as checas ❤

A vista é privilegiada e sem dúvida é uma das imagens que guardarei para sempre na minha cachola. Dei uma olhadela na linda basílica de São Pedro e São Paulo e conheci um monte de lendas de Praga que minha amiga contou (mas estou com preguiça de contar para vocês). Nos despedimos (sniff) e no caminho fiz uma foto de um prédio com os dizeres Corinthia. Brilha muito na República Checa o Timão.

2N7A5833

Ao fundo do parque é possível ver a torre dos sem glamour

Excomungado que há de voltar

Como já tinha visto quase tudo que queria, aproveitei o dia azul para, enfim, fotografar o castelo e seu interior. Como já era praticamente um checo, fui sozinho para o Pražský hrad. Lá dentro, aproveitei para clicar a fantástica Capela de São Venceslau, o padroeiro da cidade que jaz por aquelas quebradas santas.

É barroco, sim senhor

É barroco, sim senhor

Também estive na Catedral de São Vito, uma das mais fascinantes construções que conheci no mochilão. Barroco define. Foi nessa igreja que tomei um bronca por estar de chapéu turistando. Fui excomungado em checo, antes de voltar para o hostel, me despedir dos trutas e rumar para a Polônia.

E assim acabaram-se meus dias em Praga. Não sei se a cidade é mais bela que Paris, mas eu devo voltar assim que possível para pedir perdão na igreja. Preciso recuperar meu status de bom moço (mentira, o que quero mesmo é rever as belas checas e passear de escada gigantes de metrô enquanto como Baconzitos). Eis as fotos, povo:

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

A bela vista noturna do Castelo de Praga

A bela vista noturna do Castelo de Praga

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Vai, Curintians!

Vai, Curintians!

O Rio Vtlava continua lindo

O Rio Vtlava continua lindo

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

São Venceslau, um cara legal

São Venceslau, um cara legal

A impressionante Catedral de São Vito

A impressionante Catedral de São Vito

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Profunda viagem

Profunda viagem

A avenida que dá acesso à cidade velha

A avenida que dá acesso à cidade velha

A minha companheira de viagem, Mochá

A minha companheira de viagem, Mochá

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

É nóis in Praga

É nóis in Praga

Anúncios

Autor: ronielfelipe

Jornalista e Fotógrafo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s