El Marronzito

Roterdã e vizinhanças: paz, amor e moinhos gigantes

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Saudações, gente bronzeada que vive a mostrar seu valor.

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Pedalar é preciso

Como escrevi mais do que deveria na última postagem quando falei de Amsterdã, cidade onde conheci meu futuro amor, a anã Smurfete, hoje procurarei ser sucinto. Após narrar o plano básico do mochilão e falar das minhas aventuras em Londres, agora é a hora de um post duplo. Sendo assim, nada mais justo que encaixar em um mesmo texto Roterdã e Munique. Não se trata apenas de uma questão de preguiça deste jovem viajante que vos escreve. Ambas cidades têm aquele jeitão de Europa civilizada e organizada (não que os demais locais que visitei lembrem a bateria da Mangueira tocando à todo vapor na Estação Sé às 18h numa quinta-feira véspera de feriado).

Agora é chegado o momento de  falar de Rotterdam, a terra do Erasmo, que na verdade é a priminha rica e comportada da alternativa e maloqueira Amsterdam. Logo ao chegar na belíssima estação Rotterdam Central, tive a impressão de estar numa cidade toda planejada. Para quem cabulou aulas de história para jogar Street Fighter 2 no fliperama, segue uma breve e simples explicação.

Pre-pa-ra.

Rotterdam foi bom-bar-de-ada durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um show da poderosa ofensiva alemã. Holanda e Bélgica estavam em cima do muro durante o conflito. Já que nutriam simpatia pelos países do Eixo e os Aliados, os chamados países baixos ficaram vendo a banda passar cantando coisas de amor. Porém, Hitler não quis saber de brincadeira e ordenou o ataque aos países baixos. Após a investida de bombardeiros Heinkel He 111, Rotterdam se tornou um inferno: fogo, destruição e morte para todos os lados anunciaram a imediata rendição da pequena Holanda, preza fácil para os nazi.

A bela Rotterdam Central

A bela Rotterdam Central

Pois bem…

Como todos sabemos, felizmente a história teve um final feliz e Rotterdam está firme, forte, renascida e bonita. E como a cidade é bonita! Quem olha para o céu esperando encontrar o holandês voador, vai encontrar prédios vistosos e uma arquitetura de cair o queixo. Fiquei hospedado no apartamento da brasileira Sara Lee Santos, amiga das antigas e de seu então noivo Marjin Westmaas, torcedor do glorioso Excelsior, a Ponte Preta da Holanda.

Como não poderia deixar de ser, andei muito de bicicleta por lá. Como sou uma visita modesta, não fiz questão de ficar com a melhor bike e a Sara emprestou-me uma velha mountain bike (monstro bike). Ela dizia que nem era preciso amarrar a bicicleta nos postes pois ladrão algum a levaria…Pura verdade.

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

Como o mundo plano é perfeito, pedalamos pelo centro e conheci as principais atrações turísticas de Rotterdam. Embora seja muito moderna, o que mais me chamou a atenção na cidade foram os belíssimos Zundelpark e o Kralingse Bos, áreas verdes, vastas, limpas, cheias de pessoas se divertindo e coelhos correndo livremente pelos bosques. Até o Kid Bengala estava lá tirando uma onda. Me senti em casa porque Rotterdam tem muito surinameses. Aliás, as “surinaminas” são bem bonitas.

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Como a cidade é bem calma e não é tão grande, após turistar pelos principais pontos e conhecer o centro, aproveitamos os dias quentes para irmos até a bela Kinderdijk. Foi lá que a cobra fumou.

Pelados em Santos, perdidos em Kinderdijk

Visitar Kinderdijk foi ideia minha. Eu queria muito fotografar e ver de perto os imensos 19 moinhos que, junto com as belezas naturais da cidade, formam um dos cartões postais mais atraentes da Holanda. Além do paulista caipira do interior (eu), da mineira com vários sotaques malucos (Sara), o time foi completo pela piauíense Waldina Carvalho, radicada na Holanda há 11 anos. Farofa da boa.

Sara, Waldine e eu. Brasileirices na Holanda

Sara, Waldina e eu. Brasileirices na Holanda

Além de usarem trens para se locomoverem entre cidades e distritos, os holandeses também fazem uso do waterbus. O bacana é que o busão da água funciona da mesma maneira que os metrôs: dependendo de onde você for, é necessário pegar uma baldeação. Na margens dos rios existem belas e confortáveis estações com relógios que informam o horário de chegada dos bichões. E, para variar, eles não se atrasam.

Após o divertido passeio de waterbus (primeira vez é sempre uma beleza) e uma baldeação corrida (incrível como a bicicleta da gente empaca nas horas que mais precisamos de mobilidade), chegamos a Kinderdijk. Como as meninas já haviam visitado o local e estavam a fim de prosear sobre o casamento que se aproximava, me deixaram livre, leve e solto para fazer o que eu bem entendesse (claro, sem quebrar nada).

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

E que lugar fantástico!

Aproveitei para ir para o centro da cidade (afinal, não é todo mundo que mora em moinhos gigantes que fariam Don Quixote ter orgasmos múltiplos). No caminho, encontrei um jardim fantástico que parecia cenário de algum desenho da Disney. Lá, fui cordialmente cumprimentado pelos locais. Coisa linda: flores, céu azul, pessoas educadas e ninguém me chamando de Seu Jorge. Pura paz e aquela sensação que o mundo é bão, Sebastião.

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

Do jardim, parti para, enfim, fotografar o belíssimo centro da cidade. Tudo muito organizado e calmo. Até os corvos de Kinder são simpáticos a ponto de me lembrarem Faísca e Fumaça. Pensei em pedalar ainda mais por lá,  mas como a fome já batia forte, aproveitei para voltar pelo mesmo caminho enquanto trocava mensagens com a Sarinha. Durante o trajeto tive tempo de fotografar crianças mergulhando no rio e um casal de idosos curtindo a vida o tal de amor. Sem dúvida, momentos que ficarão para sempre na minha cachola.

Após reencontrar as moças e fazermos juntos alguns cliques no melhor estilo “sou turista”, rumamos para um restaurante muito bacana, todo decorado com aparelhos de rádios antigos. Eram quase 18h quando acabamos o jantar e descobrimos que teríamos que pedalar até outra cidade para pegarmos o último bus do mar para Rotterdam.

Nesse momento, também descobri duas coisas: a primeira é que se perdêssemos o waterbus, teríamos que pedalar cerca de 4h para chegar em casa. A segunda foi que, mesmo em um mundo plano, não é coisa de gente comum pedalar tanto assim após já ter percorrido 30km de magrela.

Como a zica também se manifesta na Europa, nós perdemos o último waterbus enquanto fotografávamos o pôr-do-sol e a linda vista (e as duas amigas falavam holandês com pescadores simpáticos perguntando como poderíamos voltar pra Rotterdam). Após um leve desespero (delas, porque eu sou turista e pra turista tudo é lindo), descobrimos uma forma de voltar pra Rotterdam: waterbus, pedalar por uma cidade que não sei o nome e ainda pegar um trem. Como podem notar, a maratona foi intensa, mas aqui estou vivinho de Jesus Felipe.

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois,  as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois, as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses. Um dos caras do barco fez sinal de positivo como se dissesse “Venham nadando até o barco”

A minha última viagem de waterbus rendeu ótimas fotos. O momento  chato do dia foi ver aves sendo alvejadas por tiros enquanto voavam em forma de V e preenchiam o céu azul. Acontece que, segundo o noticiário holandês, os pássaros põem em risco a segurança dos aeroportos durante o verão.

No último dia em Rotterdam, a Sara que estava noiva me levou à praia (ela se casou no dia 30 de agosto). Na verdade, a ideia era que eu fizesse uma E-session dela e do Marjin (pronuncia-se Marraim que, na verdade,  é um nome comum na Holanda como José e Katylin Victória são no Brasil).

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Eu queria fotografar em um parque, mas como a “cliente” é que manda, fomos parar numa praia em um distrito holandês que também esqueci o nome, mas que fica coladinho à Alemanha. Apesar da praia não ser praia como as nossas, as fotos ficaram bem legais. No fim do dia, fomos até o bairro da Waldina comer comida chinesa (sim, os chineses já dominaram o mundo faz tempo). Quando o pessoal se despedia, ouvi algo como “Todos morram”.

Fiquei um pouco curioso com esse povo que diz um até amanhã tão fúnebre, mas enfim…é cultura.

Bom dia, Vietnã

Após dias de muita atividade física na Holanda, meu próximo destino era a Alemanha de Oliver Khan e do Martin Lawrence (sim, ele é mano, mas nasceu em Frankfurt). Precisamente, saí de Rotterdam em um trem noturno para a Munchen ou Munique, a menina dos olhos da Baviera ou Bavaria (não a cerveja), uma das regiões federais da Alemanha.

De Rotterdam fui para Eindhoven, cidade em que Romário e Ronaldo brilharam muito (não no Corinthians, mas sim no PSV). De lá, sairia o trem para Munique. Sem muito o que fazer e mais falador que o homem da cobra, puxei papo com uma simpática vietnamita que também estava indo para a terra do chucrute.

Papo vai, papo vem e o trem chegou. Porém, mais uma vez a zica zicou e a plataforma de embarque foi mudada aos 49 do segundo tempo, quando ninguém tinha mais forças pra xingar a mãe do juiz. Estávamos na plataforma 1 e o embarque foi para a plataforma 4. Eu até pensei em dar um salto do Super Mario Black para chegar até o outro lado, mas fiquei envergonhado.

A carta de agradecimento à Sarita

A carta de agradecimento à Sarita

O fato engraçado é que havia uma espécie de elevador que nos levaria para a parte de baixo da estação e nos aproximaria de nosso destino, o trem. O problema é que o elevador estava lotado e os funcionários da estação pediram que duas pessoas saíssem. Havia umas 12 pessoas, cada uma de um jeito (parecia uma daquelas feiras das nações). Olhei pra moça e disse em baixo e ruim inglês que não deveríamos sair porque poderíamos perder o trem.

Como o peso era grande, o elevador desceu, mas travou. Os holandeses da estação, um tanto irritados, ordenaram que duas pessoas saíssem. Eu olhei para o trem do outro lado, o relógio e disse pra oriental “Vamos correndo até lá”.

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

E fomos. O problema que eu desci pela escada de concreto e a jovem viet girl, desesperada, tentou descer pela escada rolante (que, por sinal, estava subindo). Eu queria rir do engano da moça, mas não podia. Apesar do susto e da cena épica da menina catando cavaco na escada, chegamos a tempo. A ideia era ir ao lado dela conversando (até porque o infeliz aqui esqueceu de pegar os lanches que a tia Sara deixara na geladeira e iria passar fome até chegar em Munique), mas cada um tem seu lugar no trem, acabamos nos separamos.

Em tempo, o nome da moça é Zeo alguma coisa. Ela não é japonesa, mas é minha Yoko Ono da escada rolante inversa. Sei que a anã Smurfete ficou com ciúme, mas faz parte da vida.

Ah, eu disse que era um post duplo?

Ficou muito grande, mas essa semana eu posto sobre a bela Munique e seus velhos nus. O texto está pronto, portanto fique com imagens Rotterdam e das suas lindas adjacências.

Tot morgen, manos e minas (não é todos morram não).

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldine Carvalho

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldina Carvalho

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark (foto: Sara Lee Santos)

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Tranquilidade resume

Tranquilidade resume

Sarinha andando de bike e quase caindo na água. Eu pronto pra fotografar :P

Coisas do verão

A bela Kinderdijke e seus moinhos mágicos

A bela Kinderdijk e seus moinhos mágicos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Turista fazendo turismo

Turista fazendo turismo

Muito amor <3

Muito amor ❤

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Ah, Roterdão

Ah, Roterdão

Barcos, luzes e o dia virando noite

Barcos, luzes e o dia virando noite

As bikes no bus da água

As bikes no bus da água

Jardinsney world

Jardinsney world

Autor: ronielfelipe

Jornalista e Fotógrafo

Um pensamento sobre “Roterdã e vizinhanças: paz, amor e moinhos gigantes

  1. Parabens pelo belo trabalho, eu acompanho algumas de suas postagens e me vejo na hollanda como voce, parece ser um lugar fascinante ou pelo menos voce deixar isso transparecer. Bernadete (mãe da Elisangela, Campinas SP)

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