El Marronzito

Porque nem tudo são rosas cheirosas

11 Comentários

And the Oscar, goes to...

Há dias que o bombeiro que apaga fogueiras armado de sua robusta mangueira, quando chega em casa, nega fogo à sua fogosa esposa. Bah, acontece. Existe dias que o artilheiro matador e obeso, acostumado a balançar a redes dos adversários, mal consegue pegar na bola. Acontece. Tem dias que até mesmo o intrépido Batman não soluciona as pegadinhas malucas do Charada e ainda escorrega na casca de banana jogada pelo sádico Coringa. Nessas horas o o morcegão volta para os braços torneados de Robin, o menino que sabe tudo e mais um pouco.

Todos nós temos dias bons e dias ruins (embora haja gente tão de mal com a vida que parece que todo santo dia come  jiló com buchada de bode e toma Taffman- E com boldo).

Com fotógrafos e jornalistas é a mesma coisa, embora muita gente pense que tudo é glamour. “Ah, esse negão aí é chique”, dizem. Negão chique é o Netinho de Paula que concorre ao senado. Eu concorro ao “senada” mesmo. Certas pessoas confudem ter e poder.

Vejam como é a vida.

Semana passada cobri o tradicional Prêmio MEPVT (Melhores Empresas para Você Trabalhar) das revistas Exame e Você S/A. Nem é preciso dizer que se trata de um evento glamuroso (uma espécie de Oscar para os empregadores que têm uma atitude diferente para com seus funcionários).

Por incrível que pareça, existem empresas em que trabalhar não é um fardo tão pesado. Plano de carreira, bonificações e a chance de reclamar do seu supervisor maluco sem correr o risco de perder o dedo mindinho são algumas das vantagens em se trabalhar em uma empresa que visa o bem estar do seus colaboradores.

Enfim, fotos,  gente bem apresentável, comida boa e algumas doses cavalares de glamour.

Peões glamurosos

No dia seguinte, o mesmo fotojornalista que freqüenta a roda do poder, estava andando por uma estrada sob um sol de secar as Cataratas do Niágara, um clima tão seco quanto aquele vocalista do Silverchair. Vestido profissionalmente (camiseta, bermuda e sexys havaianas brancas), o sujeito em questão andou alguns sete quilometros, ‘havaianou’ na terra vermelha que nem o cabelo Nando Reis, sujou-se e ralou-se todo até chegar aonde desejava: um pontilhão que tem uma vista decente da rodovia Anhanguera.

A missão era fotografar uma estrada com alguns caminhões para uma matéria sobre logística. Fiquei ali nas posições “ninja e mamãe vou me jogar” por algumas horas clicando e clicando, até conseguir um número de fotos que seduzissem meu querido Ed-tor.

No fim, a foto não entrou para a matéria pois alegaram que precisava de imagens mais distantes. Como eu ainda brinco de Peter Parker Preto, o máximo que consigo é chegar ao ponto alto de uma ponte. Mais alto que isso, só enchendo a cara de Red Bull e ganhar asas pra sair voando. Também poderia locar um helicóptero, mas isso é missão do contratante. Enfim, não rolou.

Voltei pra casa todo sujo. Eu mais parecia a versão afro do homem do saco da Canon. Mesmo assim valeu a experiência. Na verdade, estaria xingando horrores se não tivesse encaixado outros trampos na mesma matéria. A vida segue entre altos e baixos. Umdia você está debaixo da ponte, outro dia está em cima, fotografando).

E para quem pensa que vida de fotojornalista é só glamour, que vá comigo nas próximas pautas malucas. Só não me apareça de havaianas brancas. As minhas ficaram vermelhinhas.

Mi casa, su casa

Ah, no dia seguinte tive que acordar cedo para fazer as fotos de um empreendimento. Tinha a certeza que havia esquecido a tampa da minha lente sob o maldito pontilhão. Por pouco não voltei lá (agora de bota Sete Léguas) para buscar o brinquedo. Sorte que acabei a encontrado no saco preto do homem do saco preto da Canon. Ufa.

E pra fechar com chave de ouro, cliquei as redondezas no sabadão (não, não fiz fotos do Ronaldo).

Abraços:

Algumas fotos das aventuras desventuradas:

Só faltou a galinha Freeway ou o sapinho Frogger atravessando a estrada

Hum, a surveillance camera!

Sabia que um dia eu iria sair debaixo da ponte

Coruja vizinha que não gosta muito de fazer amigos

A dama presa e o vagabundo livre

Sabadim melancólico, mas findado

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Autor: ronielfelipe

Jornalista e Fotógrafo

11 pensamentos sobre “Porque nem tudo são rosas cheirosas

  1. Roni, Roni, que saudade dos seus textos! Como de costume, adorei as fotos e a sua narração. Mas, falando de ralação, eu entendo bem de altos e baixos na profissão. A vida de revisão e tradução de textos tem suas peculiaridades. Hehehe!
    Beijos!!

  2. Adorei a descrição das pessoas de mal com a vida “que parece que todo santo dia come jiló com buchada de bode e toma Taffman- E com boldo” Lembra-me tanta gente.

    Ah-dorei tb as fotos e as legendas.

    😉

  3. hehehe .. pois é .. como vc disse .. td na vida são altos e baixos ..

    Viu .. em qm vc vai votar ..? HAUAHUAHAUHAU ..

    Abraço mano .. T+!

  4. Da próxima vez leva mtos red bulls na mochila, não vai correr o risco de sujar as havaianas novamente, kkk

  5. Éeeee vida de jornalista não é fácil não haha tem gente q ainda me pergunta quando vou aparecer na bancada do JN ¬¬ hehe

    Adorei o texto e as fotos Roni…passarei mais por aqui ;D

    ps: consegui um estágio \o/

    Bjooo

  6. lindas, lindas fotos!!!
    bj no coração.

  7. Adorei muito bom
    Parabéns / quero ver mais fotos da ponte
    quando via subir na vida nao me chama né ahahhaha

    bjoo

  8. Adorei!!!

  9. Fotos ótimas! Vc é mesmo mto talentoso!
    Já me acostumei com as diferenças: em um mesmo dia nos vemos ralando e “sujos” por cumprir algumas pautas…no mesmo dia (à noite) estamos alinhadíssimos para cobertura de eventos.
    Vemos isso através das vestimentas….às vezes os eventos exigem nossas melhores roupas e os saltos mais altos e finos….e algumas coberturas nos exigem roupas velhas e tênis!!! O mesmo é com o comportamento…. em eventos chiques somos pessoas finas e educadas…..e em coberturas (como em política) devemos ser pessoas “agressivas”.
    Como dizem, ser jornalista é uma das formas mais glamourosas de ser pobre!!! rs

    Sucesso, Roniel.
    Bjs

  10. A vida de fotojornalista pode não ser puro glamour sempre, mas bem que você adora, né? 😉

    Hahaha… Lindas as fotos e amei o texto! Vc desenterrou o Silverchair! Nem lembrava mais que essa banda existiu, de fato! Hahaha!

    E super vou usar a frase da sua amiga aí de cima: “ser jornalista é uma das formas mais glamourosas de ser pobre”! Muito verdade! Sou pobre, estagiária e já me sinto glamourosa! 🙂

    Bjo, Rô!

  11. sem palavras, amei!

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