El Marronzito

O rei preto da cocada idem

10 Comentários

O “Globismo” é um mal que acomete as pessoas que tem algum amigo, parente, colega ou um simples conhecido que seja estudante ou profissional de Jornalismo. Seu principal sintoma é identificado facilmente no meio social. Seja na cerveja entre amigos, na fila para comprar figurinhas da Copa do Mundo, no trenzinho mal intencionado no baile de Carnaval ou até mesmo durante o nostálgico fazcaribundum no show dos Demônios da Garoa.

“Ei, quero te ver na Globo” ou “Imagino você apresentando o Jornal Nacional” são frases comuns de quem sofre a doença acima citada. Um dos casos mais graves de globismo é percebido com a frase “Ah, essa matéria/foto/vídeo vai pra Globo?”. Mais grave ainda é a situação quando a pessoa percebe que você é um estudante/profissional humilde, que está ali para fazer seu trabalho em um grau de simplicidade altíssimo. Você é praticamente um Chico Xavier da comunicação, mas as pessoas lhe imprimem uma pompa de Pedro Bial.

Antes que pensem que eu sou um esquerdista, fã de Stalin e comedor de criançinhas vivas, existe o “bandismo”, “recordismo” e outras variações de ismos de menores relevância entre o povo.

Bem, eu disse tudo isso para falar do dia de ontem. Na reunião de pauta do Viva Favela, eu e outros jornalistas tivemos um papo com Caco Barcellos, companheiro de profissão, escritor e para alegria dos globistas, um global dos bons, praticamente o Charles Xavier dos jovens mutunas do Profissão Repórter. Caco foi convidado pela direção do site de jornalismo colaborativo a escolher o conteúdo que integrará a revista virtual número zero do Portal Viva Favela.

Reunião Virtual = Pauta Genial

Se a sua fidelidade a este espaço é tão intensa quanto a briga entre uma tartaruga depressiva e um bicho-preguiça sedentário, você certamente está ciente que eu havia produzido um vídeo para o portal que é um dos braços da ONG Viva Rio.

Pois bem, para delírio do meu fã clube (que empata em números de componentes com o fã clube do Roberto Leal cover), Caco não só selecionou meu trabalho, como fez vários elogios pertinentes. E o que significa isso para um não infectado pelo vírus zumbi globismo? Bastantão de legal, eu diria. Afinal Caco Barcellos é uma baita referência em várias formas de se fazer jornalismo. Gosto muito dos trabalhos do cara na área de jornalismo investigativo. “Rota 66” e “Abusado, o dono do morro Dona Marta” são livros fantásticos que com exímia competência mostram realidades cruéis de nossa sociedade pouco sociável. Nem vou me ater aos perrengues que Caco passou (teve que sair do País porque policiais que brincavam de Call of Duty com menores abandonados do centro de SP queriam fazer o mesmo com o jornalista).

Meu pai e eu. Nepotismo não rola

Se eu fosse maravilhado pelo glamour jornalístico (igual certas pessoas que estudaram comigo), estaria aí dando pulos de alegria e cantarolando feito Marry Poppins. Primeiro, para chamar a atenção dos meus amiguinhos  (e causar invejinhas em outros), filmaria a reunião interativa e colocaria o vídeo no meu Orkut. Em seguida, faria spam via Twitter, Facebook, ICQ, Yahoochat, Chat Amizade e até mesmo entraria na sala UOL Sexo e postaria a seguinte mensagem “Caco Barcellos é meu miguxo”. Lógico que meu Nick no MSN seria algo como “Profissão Repórter que me aguarde”, “To com um pé na Globo” ou “Caco Barcellos finge que me odeia, mas no fundo paga pau”.

Pior que um leigo, é um aluno ou profissional da informação que é maravilhado com celebridades. Já até vi uma jovem colega de profissão que postou uma foto no Orkut com a legenda “Somos fodas”. A imagem mostrava a estudante entrevistando um famoso jornalista. As sonoras provavelmente foram captadas para um jornal que nem mesmo a entrevistadora lerá, mas a vida é assim mesmo. É desta maneira que se traça o caminho pra ganhar o Pulitzer, o prêmio máximo para o povo que usa óculos de aros grossos e tênis All Star. E pensar que tenho colegas jornalistas que entrevistam políticos, fazem grandes matérias com gente famosa e nem por isso ficam por aí se vangloriando.

Quanto ao Caco, não que eu seja um mala, um chato ou um sujeito mal agradecido com o que Deus me deu. Muito pelo contrário. Gostei demais da possibilidade de trocar figurinhas (não da Copa) com um baita profissional. A questão é que elogios, infelizmente, não são revertidos em moedas de ouro do Super Mario que transformam o vermelho em azul da conta corrente. Elogios, nesse caso, servem para nos dar mais força e traçar estratégias melhores para um futuro menos ordinário.

As semelhanças entre o adular de um leigo e um profissional de nome, é que ambos não vão pro curriculum. Já pensou que bacana:

Elogios: “Adorei as fotografias” – Caco Barcellos / “Mano, que fita loca” – Brother da Vila – “É…hic, ta, hic, bonit..hic” – Tonhão do bar do Silas.

O ideal é não se achar o rei preto da cocada preta. Não sou da turma que come miojo com sardinha e arrota spaghetti com caviar. Agradeço a todos pelos elogios e aproveitarei a ocasião da melhor maneira possível. Acabei de comprar um espaço em um outdoor para falar para o mundo todo que o Caco Barcellos é fã do Ronin.

O próximo passo é dominar o mundo.

Ainda chego lá.

Como a minha coleguinha estudante que entrevistou o Heródoto Barbeiro, sou foda.

É rir pra não chorar.

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Autor: ronielfelipe

Jornalista e Fotógrafo

10 pensamentos sobre “O rei preto da cocada idem

  1. O sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.Não é fácil..Vc está no caminho certo, Parabéns!!

  2. Rô,

    Mto bom o artigo!
    Sucesso sempre!
    Vc é foda…rs!
    Bjão!
    Ina

  3. Roo, parabéns, amei saber dessa nova conquista e mais ainda amei ler este texto super engraçadão e ao mesmo tempo consciente! Mil bjos

  4. Sempre ótimo ler seus textos, ainda mais quando vem com alguma boa notícia! Parabéns, meu amigo!
    Beijos!

  5. Post brilhante, adorei! Vou até divulgar no meu Twitter para coleguinhas futuros jornalistas pra ver se enfio um pouco de humildade na cabecinha deles. Pode? 😉

    E parabéns pelo feito, poxa! Orgulho!
    Um beijo!

  6. CONGRATSSSSSSSSSSSSS BROTHA!

  7. Parabéns, amigo talentoso, curioso e criativo! Digo isso porque nada disso adiantaria sem a sua luta e paixão pelo que faz, e o melhor, sem estrelismos (ECA!).
    Beijo grande!
    ps: Ow, eu já entrevistei o Heródoto hahaha

  8. Pingback: O Psicanalista, o Monstro e o Fotógrafo « El Marronzito

  9. Com o trabalho .. vem o sucesso .. nunca o inverso .. (excluindo os eternos BBB’s .. capas de Playboy e etc ..)

    Como futuro colega de profissão .. espero tb ter a oportunidade de trilhar um caminho de sucesso .. baseado no trabalho .. (msm estando dentro do mundo das geladeiras pretas chamadas Mainframes) como vc .. mano!

    Parabens pelas conquistas Roni.

  10. Pingback: Mostrando o pau que matou a cobra que me cobrava « El Marronzito

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