El Marronzito


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Vai de retro 2013: 13 cliques de um ano quase passado

Para não deixar a bola cair e manter a tradição, cá estou com mais uma retrospectiva. Nem é preciso saber que dois e dois somam quatro para entender que, depois de 2010, 2011 e 2012, vem a retrospectiva de 2013.

E como 2013 foi um ano bacana fotograficamente falando!

Ao todo, foram mais de 12 mil imagens arquivadas. Dentre elas, há histórias de amor, sorrisos, situações corriqueiras e algumas curiosidades. Também há imagens que sintetizam diversas culturas e um pouco do quão variado e delicioso é o nosso mundão bão Sebastião. Pois bem, vou parar de enrolação. Infelizmente, não tive tempo (nem paciência para inserir as fotos produzidas com o uso do telefone celular). Em todo caso, elas podem ser vistas neste link. O mesmo vale para fotos de casamentos. Separei 13 cliques que gostei muito e pus aqui, ó.

Prometo não falar do lançamento de Negros Heróis e nem de Ato, Fato & Retrato, então, bora falar das fotos:

1- Mais bicicletas, menos carros, mais alegria (Amsterdã/Holanda)

Dizem que ass melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos. Essa foto foi feita enquanto eu descobria o Vondelpark, um dos mais tradicionais parques de Amsterdã, a capital da terra do Van Persie. Ela não é perfeita tecnicamente, mas quem liga pra técnica quando capta uma cena dessa?Foto simples que diz muito sobre a tal da felicidade que encontramos nas coisas pequenas da vida. Será quem um dia teremos menos brigas no trânsito e mais felicidade gratuita como a desta imagem? Espero que sim.

As melhores coisas do mundo não são coisas, são gestos

02 – A penumbra santificada (Campinas/São Paulo)

O ano de 2013 foi um ano que rendeu muitas experiências fotográficas com a soma novos equipamentos e velhos conhecidos. Em junho, reuni maquiadora, duas modelos e uma outra fotógrafa para fazermos alguns cliques em um hotel dos anos 50, próximo ao centro de Campinas. Dentre as fotos, está a imagem das costas da magrela amiga /modelo/ Paloma Lopez e o desenho da Pomba, representação do Espírito Santo. Ano a ano, percebo que fotografar a fé que move as pessoas tem se tornado cada vez mais interessante, mesmo quando a ocasião é completamente outra. Keep the faith e ralando a coisa rola.

A pomba santificada

03 – Até quando não iremos desistir?  (Itaquera/São Paulo)

Muita vezes, após de produzir certas imagens, notamos que nossa maneira de ver as coisas muda. Foi assim que me senti ao fim de uma exaustiva semana de cobertura do “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”, evento realizado em Itaquera, Zona Leste de SP, que envolveu a Rede de Culturas Populares Tradicionais e o Ministério da Cultura (Minc). Se por um lado o coração se encheu de orgulho em ser brasileiro e ter vivenciado de uma maneira intensa quão rica é nossa cultura, por outro lado, fiquei entristecido com a situação dos índios e de gente humilde que nada contra a corrente para que tradições não morram. Foram tantas cenas bacanas, mas escolhi a foto de um mestre do Fandango Caipira. Ela diz muito sobre o que é ser brasileiro.

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04 – Uma questão de identificação (Berlim/Alemanha)

Dentre tantas lições aprendidas no Velho Continente, há uma que marcou meus dias na Alemanha e na Polônia: ao encararmos quão baixo pode ser o ser humano, ficamos automaticamente atormentados. Assim que saí do Museu do Holocausto de Berlim, voltei para a área onde fica o Monumento do Holocausto. Dentre os blocos de concreto, que para muitos simbolizam os judeus mortos pelo regime fascista, vizualizei duas jovens trocando carícias e se autofografando. Nem pensei duas vezes antes de sacar a minha câmera e registrar o momento. Alguns dirão que se trata de desrespeito. Outros podem dizer que se é uma cena que afronta os regimes autoritários que ainda existem (principalmente o machismo nosso de cada dia). A imagem também pode ser entendida como a resposta que o amor, enfim, venceu. Eu não sei exatamente o que dizer. Só sei que essa foto, por tudo que ela representa, é um dos meus cliques prediletos de 2013.

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05- Sinhá e sinhazinha (Campinas/São Paulo)

Era dia de festa. O “Urucungos, Puitas e Quijengues”, grupo  campineiro que mantém viva tradições culturais de origem africana, realizava um cortejo pelas ruas do Bairro Bonfim para comemorar 25 anos de luta. Foi nesse clima gostoso que fotografei a simpática Sinhá, uma dos mais antigos e carismáticos membros do Urucungos, preparando a pequena sinhazinha para o cortejo. Quem conhece a Sinhá sabe quão querida e humana ela é. No nosso próximo encontro, desejo dar essa foto impressa pra esse doce de mulher que a todos conquista com seu jeito faceiro.

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06 – Like a little Rolling Stone (Londres/Inglaterra)

Era início da noite no meu primeiro dia na terra da Rainha, quando dentro de uma lanchonete, avistei um menino cheio de atitude: camisa do Rolling Stones, cabelos compridos como dos grandes roqueiros e calças arreadas. Só tive tempo de fazer o clique porque me atentei inicialmente às calças do garoto que passou diante à porta da lanchonete, desfilando carisma. Só mais tarde, quando voltava para “casa”, que percebi a composição dessa cena divertida. Enquanto houver mais meninos como esse, creio que o Rock and Roll continuará vivo. E Deus salve a rainha.

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07 – Dom Quixote feelings (Kinderdijk/Holanda)

Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro famosos por seus devaneios e histórias esdrúxulas, em sua vida nobre enfrentou diversos moinhos (entenda-se, dragões). Eu que não sou bobo, fiz questão de viver meu momento Dom Quixote em  Kinderdijk, vila holandesa considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. Lá, visualizei os 19 moinhos gigantes, além de conhecer outras áreas incrivelmente charmosas. Não há como não se apaixonar pela genialidade humana. Seja pela construção dos imponentes moinhos ou pela ideia de transformá-los em terríveis monstros.

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08 – Por Nossa Senhora do Rosário de Justinópolis -MG (Itaquera/SP)

Creio que as imagens mais ricas do ano foram feitas durante o “Encontro de Culturas Populares e Tradicionais”. Esse retrato é um dos que mais gosto, pois sintetiza a humildade e a fé de um povo especial. Sei que já falei isso logo acima, mas é realmente tocante a beleza da nossa cultura. Outro retrato que gosto muito, é a encarada que recebi da velha índia do Povo Karajá. Esse aqui, ó.

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09 – Frank (Londres/Inglaterra)

Num desses encontros mágicos da vida, dei de cara com um casal de amigos brasileiros que também visitavam Londres enquanto eu clicava as simpáticas figuras de Candem Town, bairro alternativo da capital inglesa. Juntos, fomos dar um pulo no The Hawley Arms, o pub onde Amy Winehouse, que morava próximo às quebradas de Candem, tomava altos gorós e saia de lá pra lá de Bagdá. Era fim de tarde de verão Europeu, fato que por si só já rende uma luz muito bacana. Foi o bastante para fazer um clique dessa bela inglesinha. Se um dia for pra Londres, vá para Candem Town.

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10 – Filha de um santo observador (Campinas/São Paulo)

Desde 2010 eu estava para fotografar a mística Lavagem da Escadaria de Catedral de Campinas. Em 2013, finalmente consegui. Mais do que ter um grande respeito pelas religiões de matrizes africanas, tenho verdadeira adoração pelas fotos da lavagem. É interessante rever rostos que fotografamos em um passado recente e ver suas mudanças. A minha foto predileta desse dia é a da filha de santo que observa calmamente tudo que acontece. De traços leves, a bela jovem negra chamou minha atenção e deve ter atraído olhares de tantos outros fotógrafos. Em que será que ela estaria pensando? A graça é olhar a foto e ficar matutando.

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10 – Admirável mundo louco (Praga/República Tcheca)

A gente sabe que vive num mundo cada vez mais dinâmico a ponto de no futuro a Skynet tomar conta da humanidade. Essa relação homem e tecnologia segue rendendo imagens interessantes. Enquanto eu passava alguns minutos observando o efeverscente clima da capital checa, bem abaixo da famosa ponte Carlos, notei que um artista de rua deixou sua personagem, sentou-se no banco que lhe servia como base e, de pernas graciosamente cruzadas, passou a prosear em alto e bom checo. Foi a primeira vez que vi uma estátua usar celular. Para onde estamos caminhando?

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11- Pretinha na prosa (Campinas/São Paulo)

Foi na festança da feijoada da Comunidade de Jongo Dito Ribeiro que avistei essa cena comum. Cada vez mais presentes em nossas vidas, pelo bem ou pelo mal, os celulares muitas vezes acabam roubando a cena na fotografia. Eu mesmo fiz milhares de imagens com esses bichos espertos que nos fazem muito burros, às vezes. Na cena, uma jovem menina se delícia com um papo. Do outro lado pode estar um namoradinho, uma amiga ou sejá lá quem for. Só sei que a sua alegria era inspiradora, assim como tudo que aconteceu em mais uma edição da tradicional festa da Fazenda Roseiras.

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12 – Jeff, devolva a minha alma (Amsterdã/Holanda)

Sabe aquele ditado que diz que não importa onde estejamos, ainda seremos os mesmos, assim como nossas raízes? Então, senti isso na Holanda quando diante ao Rusk Museum fui atraído pelo jazz de um preto grisalho e seu saxofone. Poucas vezes eu chorei tanto em minha vida. E nem venham com esse papo que homem não chora. Cada nota da música que invadia o ambiente e chamava atenção dos que ali passavam, me cortava um pedaço da alma. Sem dúvida, dentre tantas coisas fantásticas que vi em 30 dias de mochilão vida louca, a música de Jeff foi a que mais me fascinou. É a música da alma, a música dos negros sofridos, a música que faz a gente se encontrar e saber quem realmente somos. Parei para conversar com ele, deixei algumas moedas e lhe agradeci pela viagem ao passado. Essa foto eu não esqueço tão fácil. E o som ainda bate aqui no meu coração.

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13 – A vida é uma dádiva

Poxa, quem me conhece bem sabe que vivenciei alguns dramas em 2013. O momento mais tenso de 2013 foi o AVC sofrido pela minha mãe. Por Deus, eu estava em casa para, mais uma vez, socorrer alguém que sempre me socorreu quando precisei. O AVC não foi grave, não ficaram sequelas e a cuca da Dona Marlene está funcionando muito bem. Incrível como a gente é praticamente nada nesse mundão. Agora estou aqui escrevendo e amanhã posso estar partindo pra uma melhor. Por isso, em 2013 eu mantive ao máximo a filosofia de tentar ser um cara bacana por onde passar. Claro que não sou santo e tive muitos momentos tensos e barracos. Mas, enfim. O importante é que a vida segue sendo vivida ao lado da mãe, dos poucos amigos e de tantas pessoas que conheci em 2013. Quer melhor presente do que ter quem mais se ama ao lado? A vida é pra ser vivida. E a melhor foto do ano mostra a nossa união, um elo que transcende cor de pele, filosofia de vida e idade. É apenas o que somos: mãe e filho em um momento de superação. O resto é novela das nove.

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A todos que acompanharam meu trabalho em 2013, meu muito obrigado. Ano que vem estamos de volta com mais histórias, fotos e muitas abobrinhas. Obrigado de coração a quem me apoiou, a quem me jogou ao vento e quem ainda tá comigo na luta. Beijo no coração de todxs.

Roniel Felipe


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Praga, muito mais bela que a Paris que eu nunca visitei

Turismo ao pé da letra em Praga

Turismo ao pé da letra em Praga

Saudações, caros e caras leitores do El Marronzito. Dando sequência às postagens relativas ao mochilão emergente vida louca classe econômica europeu, hoje é dia de falar de Praga, a belíssima capital da República Tcheca, terra do Pavel Nedved, do Milan Barros, da Veronika Zemanova e do Rei Carlos (não falo do amigo perna de pau do Erasmus tremendus).

Após passar por Londres, Amsterdã, Roterdã e Munique (ver posts anteriores) fui conferir com meus próprios olhos porque tanto falam de Praga. Léo, o falastrão lateral-esquerdo do Santos FC, diria “Vamos ver se Praga é tudo isso mesmo”. Eu sabia que estava para conhecer uma dos points mais visitados da Europa (a cidade só perde para Paris no quesito turistas farofeiros no verão), mas também sabia que tinha que ficar esperto.

Aquela sensação de segurança constante vivenciada na Alemanha, Inglaterra e Holanda não me acompanhava no Leste Europeu. Acho que antes de enfiarmos nossos narizes em algum país ou cidade, é importante lermos bastante sobre o nosso destino. No caso de Praga, era necessário ficar esperto na estação central, já que alguns batedores de carteira agem por lá.

“Ah, mas você é do Brasil. Mora na periferia, já foi no baile funk do morro carioca e assiste ao programa do Datena. Tu anda de trem em SP e vive de rolê em altas quebradas. E mesmo assim tá com medinho?”.

Ok.

Não se trata de medo, mas é necessário chegar no sapatinho e na humildade em lugares que não conhecemos. Alerta, cheguei até a Praha Hlavni Nadrazi, a principal estação de trens da cidade. Lá, troquei alguns euros por coroas tchecas (sim, tem gente que ri desse nome, mas as coroas tchecas cozinham maravilhosamente como as panelas velhas do Sérgio Reis). Em tcheco, o nome da grana é koruna czech. Eu a apelidei de “checos”.

Todo santo dia, eu passava na frente do meretrício. Jamais o adentrei

Todo santo dia eu passava na frente da zona de meretrício. Jamais a adentrei

Como as minhas bolsas pesavam demais, e eu precisava de créditos para o celular, parei numa loja da Vodafone. Negociei um chip e pedi para o vendedor guardar meus trecos. Um tanto receoso, saí pela estação mal assombrada em busca de checos (o dinheiro, gente, o dinheiro). Alguns dos funcionários da casa de câmbio tinham cara de bunda mal lavada, mas consegui a grana na boa.

A missão seguinte era conseguir o ticket do metrô (simples, pois já havia aprendido as manhas em Munique) e rumar até o ótimo Miss Sophie Hostel’s. Como na Alemanha, as estações de metrô da República Checa não têm catracas (conheci um brasileiro paranaense que pensou que o transporte fosse gratuito). Como cheguei por volta das 17h, e o verão europeu é longo como a enrolação de alguns capítulos de Games of Thrones, aproveitei para conhecer a noite da cidade.

I ar di ordi, i arnu stivin

Voltando no tempo:

Em outubro de 2012, estive no Rio de Janeiro como turistão. Das vezes anteriores que estive na terra do Zé Carioca, não pude comer a feijoada do Pedrão e nem compor um funk erudito com o meu parceiro Mr. Catra e a Valeska Popozuda (que no fundo é um amor de pessoa). O trabalho não deixou. Todavia, em 2012 pude me divertir de verdade no purgatório da beleza e do caos (praia, funk no morro e foto no Cristo). Na ocasião, conheci gente do mundo todo no hostel que estava e, como brasileiro descolado, levei alguns gringos para conhecer a Favela da Rocinha (nos tempos em que o pessoal da UPP não matava pedreiros).

Alena e Sasha, minhas guias checas

Alena e Sasha, minhas guias checas

A turma era formada por uma peruana, uma mexicana, dois colombianos, dois tchecos e dois brasileiros (sendo que um tinha cara de gringo). Entre os representantes da República Tcheca, estava a belíssima Alexandra Vysocká, mais conhecida como Sasha. Fizemos amizade, trocamos contato e quando estivemos no Sugar Loaf, fiz um belo retrato da bela checa (sem piadas de mal gosto, por favor).

Como o mundo dá voltas, após eu mostrar pra Sasha a Rocinha, ela me encontrou em Praga para me mostrar o castelo da cidade. Justo! Porém, antes de revê-la, o pessoal do Couchsurfing foi a minha companhia na minha primeira noite em Praga.

Eu havia combinado passear com uma russa, mas ela furou comigo e, dessa forma, criou um incidente diplomático que me fez abdicar do Zanguief no Street Fighter. Como o mundo é grande, eu fiz novos contatos no CS e uma simpática israelita se comprometeu a levar o marmanjo aqui para passear no parquinho.  Minutos antes do nosso encontro, ela me mandou um SMS perguntando se havia problema dela levar um cara do Couchsurfing. Disse que por mim tudo estava ótimo, mas como a vida prega peças, o cidadão em questão era  argentino torcedor do Boca (aquele time que havia eliminado o Corinthians da Libertadores com ajuda do Amarilla).

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

O hermano gente boa e a Dikla. Ao fundo, o Castelo de Praga

Juntos, o brasileiro, a israelita e o hermano (esqueci o nome do cara, mas ele é muito gente fina) saíram para um rolê na Staré Město, a cidade velha. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, mas antes o turistão aqui saiu fotografando loucamente tudo que via. Em um certo momento, encontrei um cidadão africano vestido com uma roupa bem estranha. Fiz o clique da rua, mas o homem com cara de bravo ficou no frame. Ao perceber que eu tinha o fotografado, ele começou a se exaltar.

Eu, cínico, fiz que não entendi, mas o cara ficou ainda mais bravo. Com um inglês carregado de um sotaque forte, ele dizia “Im nót óur memolial. Ifi u uant , memolial, gou tu castou”. Seus olhos ardiam em fogo e o ódio exalava pela pele. Eu respondia que eu estava numa área pública e poderia fotografar o que eu bem entendesse, já que não estava denegrindo sua imagem. Como ele estava cada vez mais exaltado,  decidi apagar a foto  (mas uma cópia dela foi salva no backup).

Meu "amigo"

Meu “amigo”

Após o leve entrevero (aqui no Brasil eu chamaria de barraco mesmo), encontrei os novos colegas e saímos pelas lotadas ruas de Staré Město. Dikla, a israelita que mora em Praga, nos levou a vários lugares bacanas. Primeiro demos um pulo na Karlův most, mais conhecida como Ponte Carlos. Além de fotografarmos as belas esculturas barrocas que enfeitam a mais antiga ponte de Praga, avistamos de longe o iluminado Pražský hrad, o Castelo de Praga. Ao ver as luzes do castelo sendo refletidas no rio, entendi porque o povo gosta tanto dessa cidade. Com o castelo estava com as portas fechadas durante à noite, rumamos para o pub e o muro John Lennon, onde pessoas deixam mensagens de paz e amor.

Quando a fome apertou, fomos comer kebab para, logo em seguida, andarmos pela margem do Rio Vltava (onde jovens curtem o verão enchendo a cara de cerveja e curtindo baladas nos barcos ancorados na beira do rio). Andamos mais um pouco até chegarmos ao prédio dançante, o Tančící dům. Antes que me perguntem, eu não estava bêbado. Existe um prédio que tem a forma de um casal dançando. É bem interessante.

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

John Lennon Wall: imagine toda as pessoa

No fim da noite, nos despedimos e cada um foi para o seu canto. Eu não tinha grana para pegar o tram, mas a Dikla disse que eu poderia fazê-lo. Fiquei um pouco receoso e fui andando até o hostel mesmo. Como é bom ser vida louca checo!

Tudo de novo, mas agora com as checas originais

No dia seguinte, acordei cedo e troquei mensagens com a Sasha, a menina checa do Rio. Marcamos de nos encontrar na Old Town Square, na frente do Starbucks (lá tem wi-fi free e a turistada se ajeita lá como abutres na carniça). Depois de quase um ano, a reencontrei. Muito legal essa história de rever colegas do mundo. Junto dela, estava outra bela checa, a divertida Alena (que teria a missão de me levar para passear à noite). Fizemos o rolê turistão, mas dessa vez tive que dar uma parada na Old Square Town e, ao lado de centenas de pessoas, vi o espetáculo do Orloj, o velho relógio da velha cidade de Praga.

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

O Orloj e a turistada esperando a oitava maravilha da humanidade

Como a divulgação dos resultados da Tele-Sena, de hora em hora o espetáculo do relógio astronómico construído em 1410, é repetido. Em suma, é uma espécie de apresentações de bonecos. A caveira que representa a morte faz o sino badalar. Logo em seguida, surgem figuras que representam os 12 apóstolos. Outro detalhe interessante é que o Orloj mostra quatro tempos distintos: boêmio, europeu central, babilônico e astral. Eu não vi muita graça e creio que seja uma das atrações mais superestimadas de toda a Europa, mas vale a visita. Sou mais bater palmas para o por do sol do Arpoador ou para os artistas de rua que animam o povão.

Com as bonitonas ao meu lado, fui conhecer a a bela Maisel Synagogue e partimos, debaixo de um sol que rachar coco, para o Castelo de Praga. E como é bonito o cafofo do presidente da República Checa e considerado pelo Guiness o maior castelo do planeta! O céu checo anunciava uma chuva checa e preferimos deixar para outra hora um passeio checo mais detalhado. Me despedi das moças e marquei um passeio noturno com a Alena (quem me ensinou várias coisas sobre cinema).

Durante à noite, voltei pra Old Town Square para encontrar a Alena (que se atrasou e disse que o fez porque esperava que eu me atrasasse por ser brasileiro). Juntos, fizemos um piquenique num belo parque de onde podíamos ver o por-do-sol (e as formigas fizeram a festa nos pés da menina). Do parque, fomos até a interessantíssima Žižkov Television Tower. O nome é estranho, mas se trata de um imensa torre de tv. Nesse momento você deve estar pensando “Que tipo de turismo é esse que a pessoa chama a outra para observar uma torre de tv?”.

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

E cadê a Super Nanny checa para dar um jeito nessas crias?

Bem, essa torre tem algo diferente. Ela é conhecida como Baby Tower. Em 2000, um artista malucão teve a ideia de inserir esculturas de bebês na torre. É como se eles estivem engatinhando rumo ao infinito. A torre também tem um belo restaurante de onde é possível ter uma visão de toda a cidade. Ah, nesse dia eu expliquei a letra de “Ai se eu te pego” para a Alena. Ela não gostou nada.

Esse tal de Comunismo e This is Sparta

Para quem não acompanha esse blog, em Londres eu conheci uma checa que se tornou uma espécie de companheira de viagem, a Monika Moková (Monchá para os intímos). Pois bem, a gente marcou de se reencontrar em Praga. Ao lado da minha nova velha guia, fui até o bairro Vinohrady visitar a bela praça da Igreja de Santa Ludmila. Como estava próximo da Torre dos Bebês Ninja, convidei a Monchá para me acompanhar até lá para que eu fizesse algumas fotos (ela nem conhecia a torre).

Igreja da Santa Ludmila

Igreja da Santa Ludmila

Um detalhe muito interessante de Praga é que as estações de metrô são muito, mas muito profundas. As escadas rolantes são íngremes e é possível devorar um pacote de Baconzitos até chegar ao topo de algumas estações. Aliás, a arquitetura da estações e as paredes tem gravuras e formas muito bonitas. Muito bacana mesmo.

Como ainda não fui para Paris, aproveitei para conhecer o Petřín, literalmente, um dos pontos altos de Praga. Se trata de uma espécie de ladeirona de onde é possível ter uma vista muito ampla da cidade. Subimos de bonde. Antes de chegarmos a Torre Eiffel dos turistas sem glamour, a Petřín Lookout Tower, eu vi uma das cenas mais estranhas e tristes da viagem: um homem imitando pássaro para ganhar a vida. Sério. Era um homem careca, com seu lá 40, 45 anos. Ele usava uma espécie de bico e asas bem fajutas. Tudo contrastava com aquele lugar lindo, o jardim, as crianças correndo.

Bizarro.

O famoso Muro da Fome

O famoso Muro da Fome

A Monchá me disse que no dia do trabalho, há uma espécie de torneio em que casais se beijam debaixo das cerejeiras do Petrin. É a olimpíada do beijo checo (já quero voltar pra lá em maio).

Antes de nos perdermos descendo o morro, a gente passou por um monumento que não sei o nome, mas tinha um cheiro danado de comunismo. É impressionante ver as edificações seguindo o mesmo padrão. Também conheci o Strahov, um dos maiores estádios do planeta (capacidade para 220 mil pessoas sentadas). Durante os tempos de comunismo, havia muitas atividades esportivas por lá (entenda-se ginástica olímpica a céu aberto). Com o fim do regime, o Strahov recebeu shows de gente como U2, Aerosmith, Rolling Stones, Guns N’Roses, Bon Jovi, Aerosmith, Pink Floyd e AC/DC, entre outros.

Olha o Strahov aí gente

Olha o Strahov aí gente

Outro fato legal: no Strahov eram realizadas demonstrações de ginástica sincronizada que envolviam milhares de pessoas e a Spartakiadas.

Após mais uma viagem de metrô, chegamos ao Forte Visehrad.  Foi lá que vi meu primeiro e único top less europeu, pois até então só tinha visto os velhos nus de Munique com o pingulim de fora. E que lugar bonito! Aproveitamos o dia de sol para fazermos alguns cliques nas muralhas do forte.

Praga é bem bonita, assim como as checas <3

Praga é bem bonita, assim como as checas <3

A vista é privilegiada e sem dúvida é uma das imagens que guardarei para sempre na minha cachola. Dei uma olhadela na linda basílica de São Pedro e São Paulo e conheci um monte de lendas de Praga que minha amiga contou (mas estou com preguiça de contar para vocês). Nos despedimos (sniff) e no caminho fiz uma foto de um prédio com os dizeres Corinthia. Brilha muito na República Checa o Timão.

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Ao fundo do parque é possível ver a torre dos sem glamour

Excomungado que há de voltar

Como já tinha visto quase tudo que queria, aproveitei o dia azul para, enfim, fotografar o castelo e seu interior. Como já era praticamente um checo, fui sozinho para o Pražský hrad. Lá dentro, aproveitei para clicar a fantástica Capela de São Venceslau, o padroeiro da cidade que jaz por aquelas quebradas santas.

É barroco, sim senhor

É barroco, sim senhor

Também estive na Catedral de São Vito, uma das mais fascinantes construções que conheci no mochilão. Barroco define. Foi nessa igreja que tomei um bronca por estar de chapéu turistando. Fui excomungado em checo, antes de voltar para o hostel, me despedir dos trutas e rumar para a Polônia.

E assim acabaram-se meus dias em Praga. Não sei se a cidade é mais bela que Paris, mas eu devo voltar assim que possível para pedir perdão na igreja. Preciso recuperar meu status de bom moço (mentira, o que quero mesmo é rever as belas checas e passear de escada gigantes de metrô enquanto como Baconzitos). Eis as fotos, povo:

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

O metrô de Praga tem uma arquitetura muito bacana

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

A cidade é um misto de capitalismo e comunismo. E há vários pedintes que ficam agachados dessa forma

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

São João Nepomuceno. Dizem que dá sorte passar a mão na imagem dele caindo na água, terá seu desejo realizado

A bela vista noturna do Castelo de Praga

A bela vista noturna do Castelo de Praga

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Turistas, turistas e bolhas de sabão para alegrar as crias dos turistas

Vai, Curintians!

Vai, Curintians!

O Rio Vtlava continua lindo

O Rio Vtlava continua lindo

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

Essa delegacia fica praticamente no mesmo prédio que a casa da luz vermelha

São Venceslau, um cara legal

São Venceslau, um cara legal

A impressionante Catedral de São Vito

A impressionante Catedral de São Vito

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Praga tem muitos artistas de rua. Eis um cidadão acessando o Facebook enquanto dá uma pausa no trampo

Profunda viagem

Profunda viagem

A avenida que dá acesso à cidade velha

A avenida que dá acesso à cidade velha

A minha companheira de viagem, Mochá

A minha companheira de viagem, Mochá

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

O tram de Praga não tem tanto glamour quantos os da Holanda, mas é bem útil

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

Pela cidade há muito artesanato. Destaque especial para os bonecos de corda

É nóis in Praga

É nóis in Praga


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Munique: história, alemães, leões, busões, peladões e diversões

História, meus amigos, história. Este é um post direto e sem muito rodeio.

Turismo sem japoneses não é turismo

Turismo sem japoneses não é turismo

Fiquei de fazer um texto duplo da última vez que aqui estive, mas como dizem na internet “me esaltei e foi melior pará”. Hoje serei direto (bem, ao menos tentarei). Após narrar os meus planos de ser o Napoleão de Bell Air e dominar a Europa e falar das aventuras em Londres, Amsterdã, Roterdã e vizinhanças, hoje é dia de história. E, para falar de história, falo dos meus rolês em Munique, a bela capital da Baviera (sei que a baixa porcentagem de sangue no álcool que corre em suas veias lhe fez ler Bavaria).

Cheguei em Munique numa bela manhã de domingo, após horas e horas de viagem de trem.

A chegada estava prevista para às 7h10 da matina, mas houve problemas que resultaram em um leve atraso. Como os alemães são sérios, entregaram a todos os passageiros um envelope contendo um formulário. Caso o delay trouxesse problemas, a empresa se comprometeria a reembolsar a cada um a grana investida na viagem. Bacana, né? No Brasil a gente ganharia um envelope que contém uma foto nossa com nariz de palhaço.

Em Munique toda hora você dá de cara com um carrão

Em Munique toda hora você dá de cara com um carrão do Gran Turismo 5

Ainda no trem, enviei uma mensagem para o meu amigo Richard Suwelack, jovem brasileiro que mora na Alemanha há alguns anos e casou-se com a Flora Zilberleib, também brasileira e que escreve sobre suas aventuras na Alemanha neste blog. Se você que frequenta o El Marronzito, é provável que você não tenha estranhado esses nomes . Fotografei o divertido casamento dos dois no ano passado (Richard casou-se vestindo uma camisa do Iron Maiden, para o deleite dos meus amigos headbangers e desespero de suas noivas conservadoras).

Munique é uma cidade rica. Até os dinossauros usam Luis Vitão

Munique é uma cidade rica. Até os dinossauros usam Luis Vitão

Pois bem, após ter sido abordado por um italiano bigodudo (a cara do Super Mario) que me pediu um euro para ajudar-lhe, me dirigi até a frente do Starbucks da München Hauptbahnhof, a estação central de Munique. Sentei no chão e fiquei observando o povo.  Logo notei que havia um grupo de policiais alemães bem atentos ao movimento da galera (tanto que intervieram num barraco entre uma moça e um jovem). Não demorou para que Richard chegasse e fôssemos até o Macdonald alemão provar um breaksfast (o infeliz aqui tinha esquecido os lanches no apartamento em Roterdã e viajou por horas com o estômago roncando mais que o Gigante do Pé de Feijão).

Como o dia estava muito bonito apesar do calor de rachar coco, o anfitrião me convidou para passeio. Topei. Richard também notou que as condições físicas ridículas desse magrelo que vos escreve não eram das melhores (nunca foram, na verdade). Sendo assim, ele gentilmente se propôs a carregar meu mochilão por alguns momentos enquanto me apresentava o que que a Alemanha tem.

E como Munique é bonita.

A pé e começando com o pé direito, passamos pela vistosa Marienplatz, praça que fica no coração da cidade e que chama atenção pela beleza do prédio chamado Neues Rhataus. Certeza que de 10 brasileiros que ali chegam, 13 vão dizer “Olha que legal o Castelo de Grayskull alemão, mano”. Eu também pensei que a imponente construção néo-gótica fosse um castelo e o Richard também o fez quando pisou em Munique pela primeira vez.

Parece um castelo, mas não é

Parece um castelo, mas não é

Na verdade, o Rhataus é a sede da prefeitura (imaginei Maluf sentado no trono de ferro do Rei Joffrey, de Games of Thrones). Na mesma Marientplatz acontece a Schannenmarkt, uma das mais tradicionais feiras da cidade onde rola a promoção da alemoa bonita que não paga, mas também não leva. Após algumas passadas, ali da praça mesmo consegui alguns cliques da Frauenkirche, a Catedral de Munique.

Ainda sob o sol escaldante, fomos dar um rolé (ou rolet, se você for francês) pelas bandas do Teatro Nacional de Munique, palco de grandes óperas e espetáculos (os caras instalam telões para que as pessoas que não conseguiram adentrar o prédio possam ver o espetáculo gratuitamente do lado de fora). De lá, bastou andar alguns metros para chegarmos até a Odeonsplatz. Foi nessa praça alemã, mas com um jeitão italiano, que momentos importantes da história contemporânea foram escritos. Foi exatamente na Odeon que o barraqueiro Hitler e alguns amigos de seu bonde foram presos  após entrarem em confronto com a polícia, em 1923.

Odeonstplatz: palco da história

Odeonstplatz: palco da história

Hilter discursa para multidão na Odeon, em 1933

Hilter discursa para multidão na Odeon, em 1933

Como o mundo dá umas voltas bem tortas de vez em quando, na mesma praça Hitler voltaria como grande estrela da SS para discursar para uma imensa multidão, em 1933. Um detalhe interessante é que pipocam pela internet supostas imagens do führer na Odeon em 1914, quando houve um comício que Alemanha comemorava a declaração da Primeira Guerra Mundial.

Olha o coisa ruim aí no meio do povão

Olha o coisa ruim aí no meio do povão

Alguns dizem que é montagem, outros juram pela mãe morta atrás da porta que a cena é real. Eu não sei. Só sei que as estátuas dos leões ainda estão e o clima é muito mais agradável do que outrora (ao menos pra mim que só sou ariano no zodíaco).

Após clicar o amarelo chamativo da igreja Theatinekirche e me encantar com a calmaria do Hofgarten, andamos mais por alguns cantos que esqueci o nome (e não estão nas anotações) até chegarmos ao Englischer Garten, também conhecido como Jardim Inglês. Foi ali que a zoeira sem limites estava prestes a começar.

Se ontem houve dor e morte, hoje Munique é um lindo lugar

Se ontem houve dor e morte, hoje, Munique é um lindo lugar

O Simba alemão não foi com minha cara

Richard fazendo um cafuné no leão da zoeira

Richard fazendo um cafuné no leão da zoeira

Ah, detalhe. Antes de ir passearmos no Jardim Inglês (ui, que fofos), passamos pelas estátuas dos leões da Residenz Street. A lenda diz que o cidadão que passar a mão nos focinho dos bichos será um sujeito afortunado. Pois bem. Alisei-o-o e rumamos para o parque. No caminho, Richard começou a falar dos surfistas de rio de Munique. Eu não entendi muito, mas ele me disse que apenas vendo a cena eu entenderia.

Tipo…ah, vejam vocês.

O mais incrível (para eu que morro de frio) é saber que a água no verão já é bem fria e que os caras repetem a dose da brincadeira no inverno alemão.

Eu estava maravilhado com o belo parque, boquiaberto com os surfistas e o clima gostoso. Para completar o cenário Disney, a imagem do tiozinho sorveteiro com um carrinho cheio de balões coloridos anunciava um dia e tanto. Era tudo muito bonito e pensei “Agora que passei a mão na fuça do Simba alemão, vou dar de cara com lindas modelos fazendo topless e me chamando de Mr. Catra. Ah, Mulek, lek, lek, lek”.

Ledo engano. A zoeira do leão estava prestes a se manifestar.

Enquanto Richard falava do carinho que tem pelo parque e de como é a vida de um brasileiro na Alemanha, avistamos cenas inusitadas. Quem pensou que iria dar de cara com lindas alemãs, teve que se contentar com simpáticos homens de meia idade completamente nus.

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As mina pira

Explico.

A noção de nudez dos alemães é bem diferente da nossa. Sendo assim, no verão é comum encontrar  peladões tomando sol em poses de gosto duvidoso. Como canta o Roupa Nova, “É verão, bom sinal”.

Como sou turista, fiz alguns cliques dos bonitões desnudos. O que fez mais sucesso entre as minhas colegas e meus amigos que gostam daquilo que balança, com certeza foi o do homem que levantou as pernas para o alto. Com certeza, essa foi uma das cenas mais inusitadas de todo mochilão. Os urologista pira.

O belo Jardim Inglês

O belo Jardim Inglês

Após o trauma, fomos tomar algo para relaxar. Eu tomei água (mais cara que a cerveja)  e peguei um sorvete e o Richard, como bom brasileiro alemão, atacou um copo de 500 ml de cerveja alemã. Aproveitei para fazer uns cliques da simpática banda de senhores que estavam vestindo as roupas tradicionais e tocando a música bavaria. Embora não beba cerveja, eu senti o gostinho da Oktoberfest.

À tarde, fomos a uma piscina pública com mais outros brasileiros bacanas que conheci (e também vi umas tiazonas desnudas perante à sociedade) e me diverti com o anúncio de uma alemã que perdeu um par de sua sandália no “clube”, mas deixou um anúncio muito interessante.

Alguém perdeu um par da sandália. Caso vocês encontrem, por favor, devolvam

Alguém perdeu um par da sandália. Caso vocês encontrem, por favor, devolvam

Nessa bumba eu ando mais, acharam um brasileiro no banco de trás

Como o tempo em Munique era curto, optei pelo passeio de ônibus hop-on hop-off. Se trata de um busão turístico que passa por diversos pontos da cidade. Você desce, faz papel de turistão e volta para o local marcado para “pegar” outro bus até o próximo ponto turístico. Para quem não tem muito tempo, esse tipo de atração é perfeita. Porém, antes de chegar ao meu destino, eu tinha que me perder um pouco por Munique para entender um pouco mais do modo de vida alemão.

Uma das características mais marcantes da Alemanha é o senso de justiça. Aqui no Brasil, somos educados pela Lei de Gerson, aquela que diz que devemos nos dar bem em tudo. Quem é que nunca ouviu a expressão que diz que “o mundo é dos espertos”?

A bela estação que eu esqueci o nome, mas não deixei de clicar

A bela estação que eu esqueci o nome, mas não deixei de clicar

Na terra do Beckenbauer e da Nina Hagen o papo é diferente. Na Alemanha é vergonhoso não ter vergonha na cara. Sendo assim, as estações de metrô não possuem catracas. Você vai na boa para o trem e vai de sua índole ser uma pessoa correta ou não. Se algum funcionário da estação lhe parar e perguntar onde está seu bilhete, aí a cobra vai fumar em alemão.

Tu ganha o pack multa+vergonha (sendo que para eles a vergonha dói mais que ter que desembolsar uma grana). Outros fato interessante: na Alemanha pirataria é proibida. Se você estiver baixando uma série via Torrent (conhecido como torresmo no Brasil), é bem possível que homens de preto batam à sua porta e te levem pro xilindró para tomar café de canequinha na pensão da tia Merkel.

Não basta avisar que é proibido. É necessário lembrar que é muito proibido

Não basta avisar que é proibido. É necessário lembrar que é muito proibido

Falando de transporte, o metrô de Munique é bem legal. A espera dos trens é embalada ao som de música clássica e os carros são confortáveis (para variar, eles não se atrasam). Há um modelo de composição mais antiga, a qual o cidadão abre as portas do trem. Eu não tive problemas em Munique e alemão é bem solícito também. Das vezes que precisei de ajuda para me localizar, não tive problemas.

Bem, voltando ao busão hip-hop on/off, valeu muito ter feito essa escolha. Os pontos mais legais do passeio foram:

Nymphenburg Palace e Royal Gardens

Munique e seus arredores têm alguns castelos. Eu fui conhecer o Nymphenburg Palace. Construído no estilo barroco, lá pelas bandas de 1664, o palácio é bem bonito mas o que mais me chamou a atenção foi o jardinzão. O dia estava meio cinza, mas consegui algumas fotos bacanas, principalmente das fantásticas estátuas que enfeitam o Royal Gardens. Para quem pensou nas deusas gregas alemãs, fotografar estátuas de mitos como Poseidon foi bem legal. Turista que sou, pedi que um japonês fizesse um clique meu. Aliás, os turistas japoneses são os melhores (já disse isso em outro post, mas gosto de reafirmar). O jardim é muito grande e tem diversos pavilhões, além de um canal que o corta de fora a fora. Coisa linda.

Olha o turistão aí com cara de bobo

Olha o turistão aí com cara de bobo

BMW

A próxima para do bus me deixou numa espécie de concessionária de luxo da BMW. A ideia era conhecer o museu da empresa automotiva, mas era uma segunda-feira brava e alguns museus estavam fechados, inclusive o da Brasília Muito Welha. Eu não sou muito chegado em carros, mas curti muito o passeio. Pela primeira vez na minha vida tive a sensação de estar guiando uma BMW. Só faltou o rap no talo, a Beyoncé do meu lado e o carro ser meu. Só. Se você é apaixonado por velocidade e carros, não deve deixar de passar pela Alemanha. Aliás, lá BMW e Audi são como Fiat Uno e Celta 1.0, todo mundo tem.

Coisa linda os carros da BMW. E eles ainda viram robôs

Coisa linda os carros da BMW. E eles ainda viram robôs

Olympic Park

Como eu já não aguentava mais andar de BMW, fui passear e conhecer o Olympic Park. Nem precisei do busão do hip-hop on/off para me levar lá. Fui na caneta mesmo, a pé. Construído para os Jogos Olímpicos de 1972 (por isso é o Parque Olímpico…duh), o complexo é dividido por várias edificações: piscina olímpica (que vontade que me deu de saber nadar), torre, teatro, quadras, centro de esportes de inverno e, claro, o famoso Estádio Olímpico, onde o Bayern de Munique mandava seus jogos e palco de grandes momentos do esporte. O grande destaque do parque é sua arquitetura. Mesmo tendo seus 30 e poucos anos, o visual é de babar já que o teto do estádio é retrátil e as estruturas metálicas de todo o parque significaram um baita avanço para arquitetura moderna. Segundo o Richard, o morro do ponto mais alto do Olympic Park é formado por entulhos da guerra. Tenso.

Olympic Park: cenário de grandes momentos do esporte

Olympic Park: cenário de grandes momentos do esporte

Allianz Arena

Diferentemente do Brasil, a Copa do Mundo na Alemanha não teve tantas trapalhadas financeiras. Se valendo da conhecida capacidade administrativa, os germânicos inauguraram em 2005 o Allianz Arena. Estive lá para conhecer o estádio e posso dizer que é muito bonito. Sinceramente, o  Arena é fantástico, mas posso dizer, sem qualquer tipo de clubismo, que se trata de uma Rua Javari com grife. Tão impressionante quanto a feiura do Riberry é a arquitetura empregada na construção. Para quem não joga Fifa nem PES, o Allianz tem uma espécie de cinturão de bolhas que cobre o estádio. Essas bolhas têm leds coloridos que enfeitam o bichão criando um visual maravilhoso. Exemplo, se o SPFC estiver jogando lá, o estádio fica cor-de-rosa. Não é o máximo, amigas?

É quase um Itaquerão

É quase um Itaquerão

O leão agora é meu amigo e me adicionou no Facebook

No fim do dia, aproveitei ainda para conhecer a estátua do Walking Man (se você imaginou um toca fita gigantes, por favor, saia do meu blog) antes de voltar para casa. Para ajudar o turistão, a chuva apertou e sorte que meus amigos emprestaram um guarda-chuva (engraçado que a previsão do tempo funciona bem em Munique porque a cidade é vizinha dos alpes). O problema foi que esqueci completamente o nome da estação que eu deveria descer para chegar até a casa da Flora e do Richard. Para ajudar, o chip da maldita Lebara/Vodafone não quis mais funcionar e eu não conseguia contatá-los via telefone.

O Walking Man. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

O Walking Man. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

Estava ficando tarde e, confesso que batia uma preocupação nesse coração jovial. Fiquei andando feito uma barata tonta kafkaniana até encontrar um terminal de serviço para passageiros no metrô. Quase chorando, disse que estava perdido, mas a moça alemã afirmou que não dava ajuda em inglês…só em alemão.

Para piorar a situação, a bateria do telefone-esperto estava acabando, mas fui esperto o bastante para me lembrar que eu havia fotografado a estação de trem próximo à casa dos meus amigos no dia anterior.

Sabia que o leãozinho iria me ajudar. Ele não poderia me sacanear duas vezes. Ao encontra a foto, me dirigi a uma linda alemã, mostrei lhe a imagem e perguntei em inglês se ela conhecia tal lugar. Ela disse que sim e respondeu algo como “munquinfrairait” numa velocidade cinco do créu. Óbvio que eu não entendi nada. Abusei de sua paciência, dei-lhe o telefone e pedi que, com aquela mão linda, ela escrevesse o nome da estação (óbvio que a parte da mão linda eu guardei na mente).

Ela digitou graciosamente Münchener Freiheit.

Munique tem um transporte muito bom, mas a velha bike está por todos os lugares

Munique tem um transporte público muito bom, mas a velha bike está por todos os lugares

Agradeci com um sorriso do Bozo de orelha a orelha e parti para meu destino final. Na manhã seguinte eu já tinha uma missão. Voltar para München Hauptbahnhof e pegar um busão (sem hip hop on/off) para Praga, próxima cidade a ser dissecada nesse singelo blog, deste mochileiro desajeitado, mas muito bem intencionado.

Fotos de Munique, meu povo.

Olha aí o Poseidon fazendo pose

Olha aí o Poseidon fazendo pose

O belo e democrático Teatro de Munique

O belo e democrático Teatro de Munique

Se não dá pra surfar no trem, nóis surfa no rio mesmo

Se não dá pra surfar no trem, nóis surfa no rio mesmo

Frauenkirche, a Catedral de Munique

Frauenkirche, a Catedral de Munique

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Hofgarten. Se no verão é bonito, imagine na primavera

Como não tinha guia em inglês no horário que fui pro Allienz, abrasileirei a turma de turistas alemães

Como não tinha guia em inglês no horário que fui pro Allienz, abrasileirei a turma de turistas alemães

Todo mundo curtindo um sol, pegando uma cor

Todo mundo curtindo um sol, pegando uma cor

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Marientplatz. É só colar na feira e pedir por uma Açaí

A banda do zé pretinho alemão animou a festa

A banda do zé pretinho alemão animou a festa

Antigamente, havia uma suástica nessa área. Se trata do ex QG da SS. Hoje é uma galeria de arte

Antigamente, havia uma suástica nessa área. Se trata do ex QG da SS. Hoje é uma galeria de arte

Interior do Allienz Arena. É impossível não ter vontade de ser jogador de futebol

Interior do Allienz Arena. Bateu aquela vontade de ser jogador de futebol profissional

O outro lado do prédio da prefeitura.

O outro lado do prédio da prefeitura.

Dá para ser levado pela correnteza do rio do Jardim Inglês numa boa

Dá para ser levado pela correnteza do rio do Jardim Inglês numa boa

Munique tem uma arquitetura maravilhosa e você tropeça na história o tempo todo

Munique tem uma arquitetura maravilhosa e você tropeça na história o tempo todo

A bela piscina do Olympic Park

A bela piscina do Olympic Park

Além de carros, o prédio da BMW é muito bacana

Além de carros lindos e a possibilidade dos mortais fazerem test drive, o prédio da BMW tem um desing futurista

Pobre urso

Pobre urso

Existe amor em Munique

Existe amor em Munique

censured

Como esse blog é acessado por gente de valores morais, optei por censurar o banho de sol completo do simpático alemão. Um dia vocês vão me agradecer por esse ato


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Roterdã e vizinhanças: paz, amor e moinhos gigantes

Saudações, gente bronzeada que vive a mostrar seu valor.

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Pedalar é preciso

Como escrevi mais do que deveria na última postagem quando falei de Amsterdã, cidade onde conheci meu futuro amor, a anã Smurfete, hoje procurarei ser sucinto. Após narrar o plano básico do mochilão e falar das minhas aventuras em Londres, agora é a hora de um post duplo. Sendo assim, nada mais justo que encaixar em um mesmo texto Roterdã e Munique. Não se trata apenas de uma questão de preguiça deste jovem viajante que vos escreve. Ambas cidades têm aquele jeitão de Europa civilizada e organizada (não que os demais locais que visitei lembrem a bateria da Mangueira tocando à todo vapor na Estação Sé às 18h numa quinta-feira véspera de feriado).

Agora é chegado o momento de  falar de Rotterdam, a terra do Erasmo, que na verdade é a priminha rica e comportada da alternativa e maloqueira Amsterdam. Logo ao chegar na belíssima estação Rotterdam Central, tive a impressão de estar numa cidade toda planejada. Para quem cabulou aulas de história para jogar Street Fighter 2 no fliperama, segue uma breve e simples explicação.

Pre-pa-ra.

Rotterdam foi bom-bar-de-ada durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um show da poderosa ofensiva alemã. Holanda e Bélgica estavam em cima do muro durante o conflito. Já que nutriam simpatia pelos países do Eixo e os Aliados, os chamados países baixos ficaram vendo a banda passar cantando coisas de amor. Porém, Hitler não quis saber de brincadeira e ordenou o ataque aos países baixos. Após a investida de bombardeiros Heinkel He 111, Rotterdam se tornou um inferno: fogo, destruição e morte para todos os lados anunciaram a imediata rendição da pequena Holanda, preza fácil para os nazi.

A bela Rotterdam Central

A bela Rotterdam Central

Pois bem…

Como todos sabemos, felizmente a história teve um final feliz e Rotterdam está firme, forte, renascida e bonita. E como a cidade é bonita! Quem olha para o céu esperando encontrar o holandês voador, vai encontrar prédios vistosos e uma arquitetura de cair o queixo. Fiquei hospedado no apartamento da brasileira Sara Lee Santos, amiga das antigas e de seu então noivo Marjin Westmaas, torcedor do glorioso Excelsior, a Ponte Preta da Holanda.

Como não poderia deixar de ser, andei muito de bicicleta por lá. Como sou uma visita modesta, não fiz questão de ficar com a melhor bike e a Sara emprestou-me uma velha mountain bike (monstro bike). Ela dizia que nem era preciso amarrar a bicicleta nos postes pois ladrão algum a levaria…Pura verdade.

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

O centro da cidade: arquitetura moderna e muita organização

Como o mundo plano é perfeito, pedalamos pelo centro e conheci as principais atrações turísticas de Rotterdam. Embora seja muito moderna, o que mais me chamou a atenção na cidade foram os belíssimos Zundelpark e o Kralingse Bos, áreas verdes, vastas, limpas, cheias de pessoas se divertindo e coelhos correndo livremente pelos bosques. Até o Kid Bengala estava lá tirando uma onda. Me senti em casa porque Rotterdam tem muito surinameses. Aliás, as “surinaminas” são bem bonitas.

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Olha o Kid Bengala do Suriname aí

Como a cidade é bem calma e não é tão grande, após turistar pelos principais pontos e conhecer o centro, aproveitamos os dias quentes para irmos até a bela Kinderdijk. Foi lá que a cobra fumou.

Pelados em Santos, perdidos em Kinderdijk

Visitar Kinderdijk foi ideia minha. Eu queria muito fotografar e ver de perto os imensos 19 moinhos que, junto com as belezas naturais da cidade, formam um dos cartões postais mais atraentes da Holanda. Além do paulista caipira do interior (eu), da mineira com vários sotaques malucos (Sara), o time foi completo pela piauíense Waldina Carvalho, radicada na Holanda há 11 anos. Farofa da boa.

Sara, Waldine e eu. Brasileirices na Holanda

Sara, Waldina e eu. Brasileirices na Holanda

Além de usarem trens para se locomoverem entre cidades e distritos, os holandeses também fazem uso do waterbus. O bacana é que o busão da água funciona da mesma maneira que os metrôs: dependendo de onde você for, é necessário pegar uma baldeação. Na margens dos rios existem belas e confortáveis estações com relógios que informam o horário de chegada dos bichões. E, para variar, eles não se atrasam.

Após o divertido passeio de waterbus (primeira vez é sempre uma beleza) e uma baldeação corrida (incrível como a bicicleta da gente empaca nas horas que mais precisamos de mobilidade), chegamos a Kinderdijk. Como as meninas já haviam visitado o local e estavam a fim de prosear sobre o casamento que se aproximava, me deixaram livre, leve e solto para fazer o que eu bem entendesse (claro, sem quebrar nada).

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

De onde você tirou esse escudo Batman? Melhor nem responder. Esse é um guarda-chuva especial contra a chuva com vento holandesa

E que lugar fantástico!

Aproveitei para ir para o centro da cidade (afinal, não é todo mundo que mora em moinhos gigantes que fariam Don Quixote ter orgasmos múltiplos). No caminho, encontrei um jardim fantástico que parecia cenário de algum desenho da Disney. Lá, fui cordialmente cumprimentado pelos locais. Coisa linda: flores, céu azul, pessoas educadas e ninguém me chamando de Seu Jorge. Pura paz e aquela sensação que o mundo é bão, Sebastião.

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

O centro de Kinderdijk. Dá vontade de ficar lá de tão bacana que é

Do jardim, parti para, enfim, fotografar o belíssimo centro da cidade. Tudo muito organizado e calmo. Até os corvos de Kinder são simpáticos a ponto de me lembrarem Faísca e Fumaça. Pensei em pedalar ainda mais por lá,  mas como a fome já batia forte, aproveitei para voltar pelo mesmo caminho enquanto trocava mensagens com a Sarinha. Durante o trajeto tive tempo de fotografar crianças mergulhando no rio e um casal de idosos curtindo a vida o tal de amor. Sem dúvida, momentos que ficarão para sempre na minha cachola.

Após reencontrar as moças e fazermos juntos alguns cliques no melhor estilo “sou turista”, rumamos para um restaurante muito bacana, todo decorado com aparelhos de rádios antigos. Eram quase 18h quando acabamos o jantar e descobrimos que teríamos que pedalar até outra cidade para pegarmos o último bus do mar para Rotterdam.

Nesse momento, também descobri duas coisas: a primeira é que se perdêssemos o waterbus, teríamos que pedalar cerca de 4h para chegar em casa. A segunda foi que, mesmo em um mundo plano, não é coisa de gente comum pedalar tanto assim após já ter percorrido 30km de magrela.

Como a zica também se manifesta na Europa, nós perdemos o último waterbus enquanto fotografávamos o pôr-do-sol e a linda vista (e as duas amigas falavam holandês com pescadores simpáticos perguntando como poderíamos voltar pra Rotterdam). Após um leve desespero (delas, porque eu sou turista e pra turista tudo é lindo), descobrimos uma forma de voltar pra Rotterdam: waterbus, pedalar por uma cidade que não sei o nome e ainda pegar um trem. Como podem notar, a maratona foi intensa, mas aqui estou vivinho de Jesus Felipe.

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois,  as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses

Enquanto fazíamos fotos, o waterbus passou. Depois, as meninas ficaram pedido carona para outros waterbuses. Um dos caras do barco fez sinal de positivo como se dissesse “Venham nadando até o barco”

A minha última viagem de waterbus rendeu ótimas fotos. O momento  chato do dia foi ver aves sendo alvejadas por tiros enquanto voavam em forma de V e preenchiam o céu azul. Acontece que, segundo o noticiário holandês, os pássaros põem em risco a segurança dos aeroportos durante o verão.

No último dia em Rotterdam, a Sara que estava noiva me levou à praia (ela se casou no dia 30 de agosto). Na verdade, a ideia era que eu fizesse uma E-session dela e do Marjin (pronuncia-se Marraim que, na verdade,  é um nome comum na Holanda como José e Katylin Victória são no Brasil).

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Sara, esqueci o nome dessa cidade. Me ajude

Eu queria fotografar em um parque, mas como a “cliente” é que manda, fomos parar numa praia em um distrito holandês que também esqueci o nome, mas que fica coladinho à Alemanha. Apesar da praia não ser praia como as nossas, as fotos ficaram bem legais. No fim do dia, fomos até o bairro da Waldina comer comida chinesa (sim, os chineses já dominaram o mundo faz tempo). Quando o pessoal se despedia, ouvi algo como “Todos morram”.

Fiquei um pouco curioso com esse povo que diz um até amanhã tão fúnebre, mas enfim…é cultura.

Bom dia, Vietnã

Após dias de muita atividade física na Holanda, meu próximo destino era a Alemanha de Oliver Khan e do Martin Lawrence (sim, ele é mano, mas nasceu em Frankfurt). Precisamente, saí de Rotterdam em um trem noturno para a Munchen ou Munique, a menina dos olhos da Baviera ou Bavaria (não a cerveja), uma das regiões federais da Alemanha.

De Rotterdam fui para Eindhoven, cidade em que Romário e Ronaldo brilharam muito (não no Corinthians, mas sim no PSV). De lá, sairia o trem para Munique. Sem muito o que fazer e mais falador que o homem da cobra, puxei papo com uma simpática vietnamita que também estava indo para a terra do chucrute.

Papo vai, papo vem e o trem chegou. Porém, mais uma vez a zica zicou e a plataforma de embarque foi mudada aos 49 do segundo tempo, quando ninguém tinha mais forças pra xingar a mãe do juiz. Estávamos na plataforma 1 e o embarque foi para a plataforma 4. Eu até pensei em dar um salto do Super Mario Black para chegar até o outro lado, mas fiquei envergonhado.

A carta de agradecimento à Sarita

A carta de agradecimento à Sarita

O fato engraçado é que havia uma espécie de elevador que nos levaria para a parte de baixo da estação e nos aproximaria de nosso destino, o trem. O problema é que o elevador estava lotado e os funcionários da estação pediram que duas pessoas saíssem. Havia umas 12 pessoas, cada uma de um jeito (parecia uma daquelas feiras das nações). Olhei pra moça e disse em baixo e ruim inglês que não deveríamos sair porque poderíamos perder o trem.

Como o peso era grande, o elevador desceu, mas travou. Os holandeses da estação, um tanto irritados, ordenaram que duas pessoas saíssem. Eu olhei para o trem do outro lado, o relógio e disse pra oriental “Vamos correndo até lá”.

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

Como não postei foto de rango algum, estou me redimindo

E fomos. O problema que eu desci pela escada de concreto e a jovem viet girl, desesperada, tentou descer pela escada rolante (que, por sinal, estava subindo). Eu queria rir do engano da moça, mas não podia. Apesar do susto e da cena épica da menina catando cavaco na escada, chegamos a tempo. A ideia era ir ao lado dela conversando (até porque o infeliz aqui esqueceu de pegar os lanches que a tia Sara deixara na geladeira e iria passar fome até chegar em Munique), mas cada um tem seu lugar no trem, acabamos nos separamos.

Em tempo, o nome da moça é Zeo alguma coisa. Ela não é japonesa, mas é minha Yoko Ono da escada rolante inversa. Sei que a anã Smurfete ficou com ciúme, mas faz parte da vida.

Ah, eu disse que era um post duplo?

Ficou muito grande, mas essa semana eu posto sobre a bela Munique e seus velhos nus. O texto está pronto, portanto fique com imagens Rotterdam e das suas lindas adjacências.

Tot morgen, manos e minas (não é todos morram não).

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldine Carvalho

Marjin e Sarah no maior love na praia. Foto minha com ajuda da auxiliar arretada Waldina Carvalho

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

A bela Blaak Tram Station. A mais bacana que visitei na cidade

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark

Olha eu fotografando no lindo Zundelpark (foto: Sara Lee Santos)

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Segundo os locais, eis o primeiro prédio vertical da Europa. Há controvérsias

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

Sem encontrar o holandês voador, me contentei com o holandês que pescou o sol

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

As casas cubo de Rotterdam. Os arquiteto pira

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Homenagem aos heróis da Segunda Guerra: passado triste :/

Tranquilidade resume

Tranquilidade resume

Sarinha andando de bike e quase caindo na água. Eu pronto pra fotografar :P

Coisas do verão

A bela Kinderdijke e seus moinhos mágicos

A bela Kinderdijk e seus moinhos mágicos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Os pássaros que são alvejados em voo. Cena chata. De muito longe os caras acertam os bichos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Rádios antigos, boa comida e a senha do wi-fi mais complicada de todo os tempos

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Além do Excelsior, Rotterdam tem como represantes futebolísticos o Feyenoord e o Sparta

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Bicicletas, bicicletas e bicicletas

Turista fazendo turismo

Turista fazendo turismo

Muito amor <3

Muito amor <3

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Sarinha andando de bike e eu fotografando. Ninjas

Ah, Roterdão

Ah, Roterdão

Barcos, luzes e o dia virando noite

Barcos, luzes e o dia virando noite

As bikes no bus da água

As bikes no bus da água

Jardinsney world

Jardinsney world


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As aventuras do Menino Marrom na terra do Maurício de Nassau

Saudações, meu povo.

Roni von Niel  Phillip Cocu (Foto: Julia Spitznagel)

Roni von Niel Phillip Cocu (Foto: Julia Spitznagel)

Este é o terceiro post da série de textos que narram minhas experiências do mochilão na Europa, o Velho Continente, alegria da gente emergente mochileira e solteira. Após relatar meu plano malévolo de conquistar o mundo com uma mochila de 20 litros nas costas e falar aos meus poucos (mas fiéis) leitores sobre Londres, hoje é dia de tecer comentários  sobre a Holanda.

Após deixar a Terra da Rainha, fui passear no mundo do Maurício de Nassau, do Van Gogh, do Paul Verhoeven e do saudoso Dennis Bergkamp. O primeiro passo da viagem foi a fantástica Amsterdam, uma das três cidades mais bacanas dentre tantas que visitei. Logo em seguida, passei por Rotterdam e mais alguns municípios que têm a grafia um tanto complicadas.

Amsterdam: uma cidade deliciosa

Amsterdam: uma cidade deliciosa

Planos de viver em um mundo plano

Antes de visitar um País, temos algumas impressões que nos são passadas de diversas formas. Se você não tem um amigo viajadão que fala pelos cotovelos, é possível obter informações de um determinado local pela Tv, internet, livros e pelo videogame (sim, videogame também é cultura). Desta forma, no caso da Holanda, todos que não vivem de BBB, novelas do SBT e revista Capricho, sabem que por lá existem muitas, mas muitas bicicletas.

Turista apostando corrida com o tram e ainda fazendo foto

Turista apostando corrida com o tram e ainda fazendo foto

Outras ideias que permeiam nossas mentes são os diques (não aqueles de Campinas), os tamancos estilosos,  as famosas moças das vitrines do Red Light District e o uso liberado de mariajoana, também conhecida como maconha, cannabis, erva danada, bagulho do bumba e cigarrinho do capeta, entre outros nomes.

Pois bem.

Como passei cerca de uma semana na Holanda, dividirei o post em duas partes. Na primeira, falo da maluca e divertida Amsterdam e, na segunda, falarei da bela e moderna Rotterdam e as adjacências de nomes impronunciáveis. Resumindo as cidades, podemos dizer que são vizinhas um tanto diferentes. Amsterdam curte Mr. Catra, Rotterdam é chegada no rei Roberto Carlos. Amsterdam é Edmundo e Romário, Rotterdam é Raí e Kaká. Amsterdam é uma bagunça organizada e intensa, Rotterdam é organizada e bem calma.

Apesar das discrepâncias, em ambas cidades (e em tantas outras cidades holandesas que conheci) eu vi que o plano perfeito mais perfeito que “O Plano Perfeito”, filme dirigido por Spike Lee, é viver em um mundo plano. Confuso, né?

É super comum a carona de bike na Holanda. Ela sempre é acompanhada de uma boa fofoca

É super comum a carona de bike na Holanda. Ela sempre é acompanhada de uma boa fofoca

Ao visitar a Holanda entende-se que a vida pode ser perfeita como um comercial de manteiga. Basta você ter disposição, uma bicicleta bacana e ruas planas. Eu gostei tanto da experiência de pedalar como se não houvesse amanhã, que mal conheci holandeses. Dizem quem está na chuva está para se molhar. Portanto, quem vai pra Holanda e não pelada, bom sujeito não é (ou tem algum problema com o bicho do pé).

Pena que no Brasil o governo se importa mais com dinheiro do que com a qualidade de vida dos cidadãos. Andar de bicicleta nos grandes centros é desafiar a morte.

Im Amsterdam, dam, dam, dam, dam

Mas Ronin, por quê Amsterdam é tão querida por quem a visita?

Vamos lá. Após passar pela imigração do Schipol, um dos grandes aeroportos europeus (que nos dão certeza que passaremos baita vergonha na Copa), rumei para Amsterdam. A viagem é feita de trem. Como as demais viagens de trem que fiz pela Europa, é necessário estar atento para não ficar para trás. Muitas vezes, as estações de embarque são trocadas aos 47 minutos do segundo tempo, quando até mesmo o vendedor de amendoim já deixou a arquibancada.

Sendo assim, encher o saco dos funcionários da companhia de trem é uma atitude comum, já que algumas composições não têm a descrição para onde vão. A frase “Já chegou?”, proferida diversas vezes pelo Burro amigo do Shrek foi uma realidade da minha viagem em alguns lugares.

Rola um pouco de desorganização na estação de trem, mas nada catastrófico que nos faça cortar os pulsos. Para quem está acostumado com a realidade da CPTM, foi melzinho na chupeta dado pela Scarlett Johasson usando um lingerie branco e me chamando de meu gato.

O tio argentino preocupado com o trem

O tio argentino preocupado com o trem

Após chegar a imponente Amsterdam Central, saí feito louco pelas ruas, mas nada de bicicleta ainda. Como passei 4 dias no excelente Stayokay Hostel (muito bom, por sinal), teria que, ou andar até lá ou pegar um tram (bonde). Com cerca de 20 kilos de malas, preferir ir de bonde até a estação próxima ao hostel “fica bem nego”.

O tram de Amsterdam é confortável, bonito e moderno (e caro também). Na fila, puxei papo com duas holandesas para saber se eu realmente estava indo para o local certo. Elas disseram que sim e ainda me convidaram para uma festa chamada “Macumbas Party’s”, que rolaria no Vondelpark. Achei o convite bacana, mas desci no ponto errado (eu me atrapalhei com as malas e parei um ponto à frente do qual eu deveria parar. Nem vi mais as holandesas simpáticas que acabara de conhecer).

Ao sair do bonde, rolou aquele impacto visual com uma nova realidade. Bicicletas para todos os lados. Se você bobear, acaba sendo atropelado. É necessário se adaptar ao trânsito maluco de Amsterdam ou a viagem pode acabar abruptamente. Conheci uma canadense que caiu da bike na primeira vez que esteve por lá. Além dos machucados, ganhou um trauma dos bons.

Minha magrela, apelidada carinhosamente de Giselle

Minha magrela, apelidada carinhosamente de Gazelinha. Saudades

Eu, como corinthiano, maloqueiro e turista, tinha que me aventurar com uma magrela. Todavia, Amsterdam é muito mais do que uma cidade para andar de bicicletas sem se importar com a alta do dólar ou se o Obama descobriu o que a Dilma fala em seu Facebook.

Sagrado e profano vão de mãos dadas ao baile funk

Divertido.

Esse é um adjetivo que cai como uma luva branca nas mão pretas do Mickey Mouse para resumir o verão em Amsterdam (Amsterdã em português brasileiro). Famosa pelos canais, o grande porto (Have van), os museus fantásticos e, obviamente, pela zona da pouca vergonha, o Distrito da Luz Vermelha (Red Light District), a cidade é muito agradável. Cheguei por volta das 15 horas e, como bom turista espírito de porco, arrumei minhas trouxas, peguei um mapa e saí andando (e desviando habilmente das bikes assassinas) pelas ruas da cidade também conhecida pela excelência na logística.

Como o Stayokay hostel é vizinho do Vondelpark, só tive que atravessar a rua (olhando para os dois lados para não ser atropelado por uma Cecizona) e cair no mundo mágico de um parque holandês. Lotado de gente de todas as faixas etárias, o Vondelpark tem estátuas, lagos, coretos e um espaço para shows (onde estava rolando a tal festa da Macumba cheia de gringos dançando música latina).

Saravá

Saravá

Além dos bikers, encontra-se muitos patinadores, skaters e jovens jogando uma bola, além do clássico piquenique e o churrascão de parquinho (só faltou o pagode do Raça Negra). Um detalhe interessante é que um deputado holandês propôs a liberação de sexo no parque durante à noite. A lei não virou realidade e tampouco vi moitas se mexendo por lá.

Meu próximo passo foi conhecer o famoso letreiro I Amsterdam. Cheguei lá meio que sem querer. Como estava sozinho, pedi que alguém fizesse alguma foto minha por motivos turísticos farofeiros.

Coladinho ao letreiro, existe a loja do Museu Van Gogh. Na mesma praça, há um belo chafariz e lindas obras modernas. Andando mais um pouco, chega-se a outro belo parque e ao Van Gogh Museum. Neste parque, fiz um piquenique solitário, dormi, conheci um casal de jovens holandeses super bacana e seu cachorrinho branco, usei o Facebook (tem wi-fi gratuito do museu) e cliquei um rapaz hippie namorando uma árvore.

As casas das luzes vermelhas

As casas das luzes vermelhas

Com a chegada da noite, fui a pé até o Red Light District. No caminho, encontrei alguns tipos que me ofereceram drogas como se estivessem oferecendo Yakult. Um outro tio me ofereceu uma bicicleta. Nota: na Europa, o roubo de bicicletas é muito comum. Uma boa bike chega a custar 500 Euros.

Outra coisa legal que rola em toda Europa: os condutores de bike são obrigados a sinalizarem para onde vão virar. É tipo a seta brasileira dos carros, mas a diferença é que lá a sinalização funciona. Aqui a seta é como o gol para o Parrera: um mero detalhe.

Após dois jovens travestis me indicarem o caminho para o Red Light, cheguei ao mundo mágico do meretrício holandês. O mais irônico é que o famoso distrito é próximo às principais igrejas de Amsterdam. Como se trata de turismo, logo entrei em um bar (havia uma cidadã dançando no balcão, mas estava vestida). O segurança parecia brasileiro e corinthiano. Parei para trocar algumas ideias com ele e saí do recinto. No começo, estava meio receoso por estar com a máquina fotográfica em um lugar famoso pela baixaria, mas ninguém me importunou. Além do mais, havia muitos turistas por lá.

Um pouco de tudo

Um pouco de tudo

Finalmente cheguei até a rua onde as moças ficam em vitrines. É uma experiência um tanto confusa. Se o lado Roniel bom dizia “Cara, são pessoas se oferecendo como se fossem produtos. Isso é triste ” o outro lado (Roniel, o Cruel) dizia “Ah, isso é cultura. Tem até manual de negociação”. Como sou bonitão (mentira, sou um turista com uma câmera grande nas mãos e aparentemente tinha euros na carteira), algumas moças me convidaram para o programa.

Dizia que não e seguia meu caminho. O mais estranho é que no Red Light há padarias, restaurantes e muita gente passeando, tudo numa boa. Também presencie uma jovem meretriz xingando um turista oriental (sempre os japas) que estava a fotografar as vitrines. Um dos recepcionistas me convidou para entrar no show da banana. Disse que não, mas vi trechos de vídeos educativos das moças e as bananas do Super Mario Kart.

Cultura, doces meninas e flores para você

Como já disse, os museus de Amsterdam são demais. E há muitos museus: do sexo, da tortura, do gato, da fotografia, dos portos, etc, etc.

Numa das minhas andanças conheci a jovem Julia Spitznagel, uma alemoazinha muito gente boa. Apaixonada por fotografia, se tornou minha companheira de passeio. Fomos clicar as construções e os canais do belo distrito Jordaan. Lá, nos separamos e eu rumei para o Anne Frank Museum. Depois de 40 minutos de fila, finalmente tive a chance de conhecer a casa onde Anne Frank sua família e amigos ficaram escondidos dos nazistas por longos dois anos. Eu li o “O Diário de Anne Frank” há um bom tempo, mas nunca me esqueci de certas passagens.

O museu é fabuloso (na verdade, é a casa onde ela viveu) e muitos documentos da menina que nasceu na Alemanha e que sonhava ser jornalista estão por lá. Situações como a fome, os sonhos e a forma que Anne e sua família foram delatados martelaram a minha cabeça, mas nada me chamou mais atenção da citação abaixo.

A talentosa Anne Frank: legado para o mundo

A talentosa Anne Frank: legado para o mundo

Foi um soco no estômago que teria o combo encerrado quando visite Auschwitz, Birkenau e o Museus do Holocausto, localizados na Polônia e Alemanha, respectivamente. Histórias que serão publicadas futuramente.

Também estive no Rusk Museum e, passando por lá, me desmanchei de chorar como há muito não chorava (sim, homem de blackpower também chora). Havia um senhor negro, grisalho, portando um saxofone e fazendo música. Mas não era qualquer tipo de música. Era a música que, de certa forma, me fez me sentir algo especial. Era música de gente preta sofrida que encontrava no soul a forma de narrar sua vida. Foi de desbundar. Fiquei uns 15 minutos admirando tamanha beleza. A gente é o que é, não importa onde estejamos. Fato.

Ao fundo, Jeff e o Rusk. A maior emoção em 30 dias de descobertas

Ao fundo, Jeff e o Rusk. A maior emoção em 30 dias de descobertas

Interessado pelo que vi, fui até ele. Seu nome é Jeff. Trocamos algumas palavras. Ele disse que estava em Amsterdam para participar de um festival de música. Dei-lhe algumas moedas e pedi desculpas por minha pobreza. Ele sorriu como se a gente se conhecesse há muito tempo e me cumprimentou de um jeito tão digno. Poucas vezes me senti tão bem na minha vida. Saí, peguei a minha magrela e fui ser feliz, ciente que dificilmente encontraria algo tão tocante na viagem (e não encontrei mesmo).

E por falar em beleza, visitei o famoso Mercado de Flores do canal Singel. Mesmo só conhecendo a flor de fogo do Super Mario, a visita valeu muito. Cores, odores e valores encantadores. Só não comprei nada por lá porque as flores iriam morrer durante a viagem. Nas lojas vizinhas do mercado há várias lembranças para turistas. Lá, havia um boneco que simula alguém que fumou muita maconha. Os vendedores deixam o boneco no chão e, de tempos em tempos, ele soltava umas risadas típicas de quem vê gnomos e duendes.

O mercado de flores do Sigel

O mercado de flores do Sigel

Era uma vez um flash e a anã da minha vida

Em Amsterdam também tive problemas. Perdi meu Flash 430 EXII. Procurei em vários lugares, liguei no achados & perdidos do aeroporto e também visite o setor de coisas perdidas da Amsterdam Central. Nada precedido pela palavra paciência.

Por duas vezes, saí à noite em Amsterdam. Como sou velho e chato, não gostei muito das baladas que fui. Numa delas, conheci algumas suecas e um cidadão chegou até a mim e ficou por 20 segundos berrando no meu ouvido. O som alto impediu que eu entendesse o que ele queria. Após muito esforço saquei. Ele perguntou se eu tinha cocaína. Vai ver me confundiu com o Zé Pequeno. Vai saber.

É muito comum ver gente vendendo drogas pelas ruas (como se no Brasil isso fosse novidade). Os coffee shops ficam lotados também. Todo mundo muito confuso e alegre. Acho que o Brasil deveria liberar o fumo pra galera do fumo.

Na mesma noite, quando eu voltava pro Hostel encontrei a anã do Red Light Discrict.
Aí você, amigo leitor que está prestando atenção no texto me pergunta: que Anã?

Bem, na minha primeira vez no Red Light, fotografei uma anã vestida de Smurfete. Sim. E ela estava bêbada de trançar as pernas. Fiquei impressionado com a cena e mostrei para algumas brasileiras que conheci no hostel. Como o mundo dá voltas, reencontrei a anã. Desta vez, sem maquiagem azul e gorro. Ela é artista de rua e canta muito melhor que a Wanessa Camargo e a Anitta. Como o mundo é injusto, ela se apresenta na frente de um cassino. Deixei algumas moedas e ela me disse boa noite com uma voz grossa e rouca. Quase que eu gamo.

Olha a anã Smurfete aí

Olha a anã Smurfete aí

Putz…escrevi demais e não falei de Rotterdam.
Fica para o próximo post.

Eis alguns cliques de Amsterdam, cidade que devo voltar (para procurar meu Flash e, quem sabe, dar uns pegas na anã Smurf).

A gentil e educada, Julia Spinatzigel

A gentil e educada, Julia Spinatzigel

Além das bicicletas, existem muitas scooters pela Holanda

Além das bicicletas, existem muitas scooters pela Holanda

Olha o tram vem surgindo de trás das montanhas azuis olha o tram

Olha o tram vem surgindo de trás das montanhas azuis olha o tram

Vangoguices

Vangoguices

Um I e um A

Um I e um A

Bicicletas de tudo que é jeito

Bicicletas de tudo que é jeito

As belas casas do Joordan District

As belas casas do Joordan District

O doce cão do casal bacanudo

O doce cão do casal bacanudo

Pra bom entendedor, meia palavra basta

Pra bom entendedor, meia palavra basta

O show desse cara é muito engraçado

O show desse cara é muito engraçado

Terra divertida de gente confusa

Terra divertida de gente confusa

O brother que tava namorando a árvore

O brother que tava namorando a árvore

O belo Rusk Museum

O belo Rusk Museum

Amsterdam Central no finzinho de tarde. Nada de flash, mas rolou uma foto legal

Amsterdam Central no finzinho de tarde. Nada de flash, mas rolou uma foto legal

Vondelpark: dá pra ficar por lá até tarde. Detalhe. Após a farra, as pessoas limpam a bagunça. Não tem gari não

Vondelpark: dá pra ficar por lá até tarde. Detalhe. Após a farra, as pessoas limpam a bagunça. Não tem gari não

Um dos melhores programas da cidade é passear de barco pelos canais

Um dos melhores programas da cidade é passear de barco pelos canais

"Ronin, pula aqui seu lindo". Foi o que eu entendi. Meu holândes não é grande coisa

“Ronin, pula aqui seu lindo”. Foi o que eu entendi. Meu holândes não é grande coisa

Os fins de tardes de verão são sempre lindos

Os fins de tardes de verão são sempre lindos

Mandei essa foto para um amigo que não quer ter filhos

Mandei essa foto para um amigo que não quer ter filhos

A praça que fica ao lado dos letreiros mais famosos da Holanda é um brinco (ui)

A praça que fica ao lado dos letreiros mais famosos da Holanda é um brinco (ui)

Red Light é divertido, mas não é um local para todos

Red Light é divertido, mas não é um local para todos

Ah, Misterdã

Ah, Misterdã

Essa imagem define o que é o verão em Amsterdam. Quando puder, vá. Experiência das melhores. Carro para que?

Essa imagem define o que é o verão em Amsterdam. Felicidade nas coisas simples da vida <3


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Reinando na terra da Rainha e do baby Jorginho

Dando continuação à série de posts sobre a férias no Velho Continente, hoje falo das experiências, aventuras e claro, as desventuras, vividas em Londres, a capital da Inglaterra e do Reino Unido. E por quê começar a viagem pela terra do chá das cinco e dos soldados que usam aquele chapéu de microfone, Ronin?

Simples.

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Playcenter

O primeiro ponto é bem elementar (assim diria Sherlock Holmes). Se eu passasse sambando pela temida imigração de Londres, eu passaria por qualquer imigração dos países que visitei. Tecnicamente, faz sentido, mas a coisa não é simples como os acordes de guitarra dos Punks Rocks do final da década de 70.

Cerca de 40% da população londrina é estrangeira e muitos brasileiros já tiveram problemas para entrar no País. Soube de casos de pessoas que passaram muitas horas na “salinha da amizade” do Heatrhow Airport (que mais parece uma cidade de tão grande que é o bicho). O básico para você entrar em um País (digo, passar pela imigração, pois você entra em um País assim que o avião alcança o espaço aéreo) é ter em mãos:

1-Um comprovante que você vai deixá-lo e não vai ficar lá para sempre até que a morte os separe. Não adianta mostrar foto da sua esposa e dos cinco filhos que você deixou passando fome aqui no Brasil enquanto você dizia que iria buscar cigarro e voltaria logo. Tem que ter a impressão do comprovante da passagem que você irá embora. Mesmo que seja em 90 dias o tal voo.

2-Você tem que que ter dinheiro em espécie, cartão de crédito ou moedas de ouro do Super Mario Brothers. É, meus amigos, esse mundo é cão. Sem dinheiro você será enviado de volta para casa. Sem choro e nem vela. Uma boa saída é usar o Visa Travel Money, cartão de débito que tem taxas de câmbio mais generosas e, caso alguém lhe roube ou você perca sua pochete de mochileiro, basta cancelá-lo.

Os tiozões da Toot Broad

Os tiozões da Toot Broad

3-Carta apresentação de algum residente no País ou documento de reserva de hotel ou hostel. Afinal, esse negócio de mundo livre só existe nas histórias da Carmen Sandiego.

4-Seguro de vida, saúde e outras coisas mais. Além de provar que você tem condições financeiras sem ter que vender o corpo por algumas Libras, é necessário também ter um seguro. Muita gente viaja pra fora sem qualquer tipo de plano, mas se o fiscal pedir algum comprovante e você não tiver nada em mãos, the snake can smoke. Além do mais, no caso de possíveis acidentes (como um capote épico de bike na Holanda ou uma troca de carícias com algum knacker de Dublin) você tem auxílio médico. Sem seguro, meu amigo, você pode ter problemas tensos. Além do mais (toc, toc, toc), se houvesse algum acidente aéreo, minha mãe ganharia um pote de ouro igual do Leprechaun que conheci em Bray. Porém, como podem perceber, cá estou firme e forte lhes escrevendo.

Só para deixar as coisas claras: o seguro não cobre dor de barriga nem faniquitos.

Bem, quando cheguei na fila de imigração do Heathrow Airport, o maior dos cinco aeroportos de Londres, já senti a bagunça cultural que impera na cidade: muitos dos fiscais eram indianos (daqueles que usam turbante e devem deitar na cama de pregos enquanto encantam cobras naja com flautas mágicas).

Após os problemas na imigração da Holanda, como explicado no post anterior, estava pronto para o que desse e viesse em Londres. Porém, por incrível que pareça, tudo foi muito tranquilo e rápido. Só levei um puxão de orelha de leve da fiscal porque não preenchi o formulário de imigração por completo e omiti minha profissão (não é vergonha de ser jornalista não). Após perguntas de praxe, fui liberado para a zoeira sem limites na terra da Rainha.

No próprio aeroporto, comprei um cartão magnético de transporte (Oyster) e rumei (meio que sem rumo) para a Tooting Broadway, linha preta do imenso metrô londrinho, a parada próxima a casa dos meus amigos brasileiros.

Multicultural é pouco para definir Londres

Multicultural é pouco para definir Londres

A Arca de Noé continental

Após o furacão chamado Segunda Guerra Mundial, os países europeus, amparados pelo Plano Marshall (não se trata do cara do How i Met Your Mother, por favor), iniciaram o processo de reconstrução. Embora não tenha sido invadida pela turma do Hitler, a Inglaterra foi bastante bombardeada pelos alemães (imaginem mais de 58 toneladas de bombas caindo do céu feito coquinhos caindo de árvores). Desta forma, quando a baixaria da guerra se deu por encerrada, muitos imigrantes foram tentar a vida por lá, principalmente os indianos.

A galera do Leste Europeu assim como alemães foragidos da guerra também correram para Inglaterra. Esse povo todo emprestou mão-de-obra e ajudou reerguer a terra do David Beckham. Quem estava por lá, dando duro, aproveitou para firmar residência e, com os passar dos anos, cada vez mais pessoas foram atraídas para London, London.

Desta forma, não é de se estranhar a divertida mistura de gente que faz Londres ser o que é. No mesmo vagão de metrô (conhecido como Underground) dividem espaço a inglesinha de bochechas rosadas, o indiano de sobrancelhas grossas e cabelos bem lisos, a velha muçulmana que berra coisas que ninguém entende, o negro jamaicano, o brasileiro com a camisa do Olodum e a polonesa de sainha que faria o Papa João Paulo II segundo ter um infarto.

O povo londrino lê muito

O londrino lê muito

Resumindo: Londres é uma cidade onde xénofobos realmente mordem o cotovelo. Eu, como fotógrafo e turista, amei tudo isso. Nos quatro dias que passei por lá, fiquei na casa dos amigos Evandro e Gláucia, brasileiros que, juntos, estão há mais de duas décadas ganhando a vida por lá. Como cheguei por volta das 13h em Londres e no verão o sol se põe bem tarde, saí para bater perna.

O que fazer em Londres?

Munido de um mapa que peguei gratuitamente no aeroporto, saí para fotografar e conhecer Londres, mas acabei “meio que me perdendo”. Na rua, bem próximo à London Bridge, pedi ajuda a algumas pessoas para chegar até o Big Ben, mas eu estava um tanto longe. Nessa perdição total, cruzei o caminho de uma mocinha tcheca com cara de nerd (que parecia tão perdida quanto eu). Trocamos algumas palavras em inglês e vi que ela realmente era mais perdida do que eu. Sendo assim, disse que iria com ela para a ponte que ela procurava. A tal da Millennium Bridge.

Quase sem querer, fiz amizade com a Monika Mocová, a Monča (pronuncia-se montcha) que se tornou minha parceira de viagem e fotógrafa oficial nos quatros dias de Londres. Obvio que nos perdemos juntos várias vezes, mas ter alguém pra dividir as experiências é bem bacana (mesmo ela não entendendo algumas vezes o que eu falava). Também aprendi bastante sobre a República Tcheca, a pátria lindona que eu visitaria em algumas semanas.

Monica Moková, mais conhecida como Montcha

Monica Moková, mais conhecida como Montcha

Voltando aos pontos turísticos e deixando de lado os gracejos e flertes intercontinentais, Londres é bem bacana e se perder lá é bem legal. O sistema de metrô é muito bom. Embora as composições não sejam tão bonitas e luxuosas quanto as de Sampa, não há desconforto (nem mesmo no horário de pico). O mapa do transporte ferroviário é enorme e realmente dá vergonha de vermos uma São Paulo tão deficitária e desumana nesse sentido. Os ônibus são legais também e, o mais importante, são super pontuais. Outro lance legal é que há o anúncio sonoro que indicam o nome das paradas. Isso é muito útil para pessoas com o senso de direção de um bêbado no labirinto do Pac Man.

Para mochileiros vida louca e desabonados, Londres pode ser bem cara, mas com um pouco de paciência dá pra se virar muito bem, mesmo que você deva até as calças para as Casas Bahia aqui no Brasil. Na capital inglesa é possível encontrar muitos restaurantes e lanchonetes que vendem comida boa e barata, além do fato que muitas das principais atrações para turistões são gratuitas. É só chegar chegando, povo.

Eis alguns dos principais passeios que fiz por lá.

Soldados de chumbo, turistas japoneses e vamos passear no parquinho

Não tem como pensar em Londres sem pensar nos soldados com aquele chapéu estranho. Sendo assim, como turista, não pude deixar de dar um pulo nas quebradas do Palácio de Buckingham, no Castelo Windsor e nas Houseguards. Como a bonita da Monča atrasou um pouco (depois dizem que são os brasileiros que se atrasam para tudo), pensei que tivéssemos perdido a cerimônia. Quando vi uma turminha de soldados marchando feito bonecos de brinquedo, saí correndo feito um tonto e fazendo fotos. Logo notei que a cerimônia da troca, que acontece todos os dias no verão e dia sim, dia não, no inverno, não havia começado.

Aproveitei para dar um pulo em um dos pontos de guarda próximo ao castelo de Buckinghan. Lá havia dois guardas. Um deles ficava parado feito uma estátua e o outro marchava graciosamente. De repente, um turista pisou na grama do parque que havia bem próximo do local onde dois guardas guardavam algo que deve ser guardado. Imediatamente o soldado disse que era proibido pisar ali, mas sem perder a graça e o estilo. Foi a primeira vez que vi alguém passar um sermão marchando e sem mexer as sobrancelhas. Foi robótico, mas aos mesmo tempo poético. Diria que foi shakespariano.

Pense numa pessoa séria. Agora multiplique por 1 milhão

Pense numa pessoa séria. Agora multiplique por 1 milhão

De lá, partimos para a Houseguard onde acontece a troca da guarda. Ignorante que sou, pensei que só homens participassem da cerimônia, mas vi lindas inglesas em lindos cavalos participando do (não tão lindo) ritual. E como não esquecer da turista japonesa que chegou atrasada para a troca da guarda e saiu correndo na frente dos soldados e dos equinos? Parecia que ela seria atropelada, tamanho o desespero da cidadã nipônica.

Após a troca de guarda (que aconteceu debaixo de um sol de rachar coco), fomos turistar no imponente Palácio de Buckingham. Para chegarmos ao caminho, tivemos que passar pelo Saint James Park onde crianças ficavam malucas com as pombas e a tcheca ficou louca quando viu um esquilo pela primeira vez. A Monča me perguntou que bicho era aquele. Eu até pensei em sacanear dizendo que era um primo distante de algum dinossaruro, mas fui um bom menino.

Didaticamente, usei Chip and Dale (Tico e Teco) como exemplos e ela entendeu direitinho. Após nosso passeio no parquinho, fomos para o palácio. Lá, fizemos alguns cliques e passamos cerca de 20 minutos tentando atravessar a rua para voltarmos ao parque e rumarmos para a London Eye. Havia dois guardas controlando o trânsito: um bacana sorridente e outro carrancudo que parecia o Seedorf e que pediu para ver as fotos que fiz dele. Fui muito cínico e perguntei se havia algum problema, já que eu estava fotografando a rua e não ele. Ele olhou as fotos com cara de bunda e não falou nada. A vida seguiu e não fomos parar nas páginas do The Sun.

Eu pensei sacanear, mas fui bom menino

Eu pensei sacanear, mas fui bom menino

Um Ben não tão big assim, o orelhão fedido, a roda gigante e os castelinhos

Seguimos turistando pelos principais cartões postais londrindos. Por de trás da Guardhouse é possível avistar a famosa London Eye, a roda gigante do Playcenter de Londres. Antes de gastarmos algumas libras para ter uma vista bacana de London-London, andamos até chegar a belíssima Abadia de Westiminster.

Lá estão enterrados muitos reis ingleses e é nessa mesmíssima paróquia que aconteceram casamentos reais do balacobaco. O mais recente evento bombástico que aconteceu por lá, envolveu William e Kate (que me deixaram bem chateados por não orçarem meus jobs fotográficos). A arquitetura da igreja, que fora construída no ano 960, (bem antes do Brasil ser descoberto) é de babar. Não tem como não se encantar.

Olha o turistão aí e minha fotógrafa oficial enquadrando que é uma beleza

Olha o turistão aí e minha fotógrafa oficial enquadrando que é uma beleza

Após conhecermos um pouco da Abadia, rumamos para o Palácio de Westiminster, também conhecido como Casa do Parlamento Inglês (lá os parlamentarem parecem trabalhar). Logo de cara, ao chegar na esquina da imponente construção, damos de cara com a mais famosa de suas torres: a torre do relógio mais conhecido do mundo (depois do G-shock e dos relógio de morfar dos Power Rangers), o popular Big Ben.

Na verdade, o Big Ben nem é tão big para quem imaginava uma torre do tamanho do Gigante Guerreiro Daileon, mas como todo o castelo, é muito bonito. Como estava muito quente, decidimos para em parque ao lado do Palácio e que margeia o Rio Tâmisa. Lá, fizemos alguns cliques e andamos até a London Eye. Antes disso, tentei fazer uma ligação em um orelhão inglês e senti saudades da Telesp (sim, sou velho). Não sei se o aparelho que peguei era zoado, mas mesmo mais novo que aqueles orelhões vermelhos para turista, o fedor ainda era grande. Tem que ver isso aí, seu Primeiro- Ministro Camarão.

Os turistas japoneses são os melhores. Sempre

Os turistas japoneses são os melhores. Sempre

Após comermos um cachorro quente na rua (que a Monča reclamou ao dizer que não tinha gosto e a salchicha tcheca era muito melhor e blá, blá, blá ), fomos dar um rolê na London Eye. Olha, é legal ver a cidade de cima, mas é um programinha meio bobo. Ele deve ser feito no fim da tarde ou durante à noite. Aí sim creio que seja mais bacana, mas valeu a experiência.

Debaixo da ponte, passeando de Taxi, tcheca louca

Nos dias seguintes, voltei para a região da London Brigde para cumprir a missão de fazer nightshots por lá. Apesar do desencontro épico que tive com minha colega de viagem (hilário, eu ia pra um lado, ela para o outro), conseguimos nos encontrar após uma hora e, enfim, fazermos as fotos com a linda London Bridge e a cidade toda iluminada ao fundo. Sem dúvida, uma das vistas mais belas que já tive na minha vida. Nessa noite, também passeamos de táxi até Earls Court. Era uma quarta-feira maluca (já era mais de 0 horas e tava complicado achar a linha de night bus que iria pra minha casa).

A belíssima vista noturna das quebradas da London Bridge. Meia noite e a gente na rua sem medo algum de ser feliz

A belíssima vista noturna das quebradas da London Bridge. Meia noite e a gente na rua sem medo algum de ser feliz

Candem Town, onde todo mundo é legal e meio dia em Chelsea

Como o mundo é um ovo, meus amigos Amilton e Priscila, que já foram retratados por mim e ganharam este texto aqui no blog, estavam curtindo a lua de mel em Londres. Estive no casamento deles no sábado e na segunda viajamos todos para Londres (em voos diferentes). Foi uma bela surpresa saber que poderia encontrá-los na viagem, mas por motivos diversos (maldita Lebara), não consegui contatá-los devidamente em Londres (e nem queria estragar a lua de mel).

Porém, numa sexta-feira à tarde, estava eu em Candem Town, o bairro mais maluco e divertido de Londres, quando dou de cara com o Amilton e a Pri turistando. Foi muito legal! Na ocasião, após comprar dois lindos pork pie hats na feirinha de Candem Town, havia marcado de encontrar o Marcio Cicarelli, amigo jornalista dos tempos de PUC e Futebol Interior e que, atualmente, trabalha como editor de um jornal em Londres.

Foi aquela farofada brasileira. Aproveitamos a oportunidade e fomos tomar umas (eles foram, eu fiquei tagarelando) no The Hawley Arms, o pub que Amy Winehouse costumava frequentar e beber até a alma sair do corpo. Baita lugar legal, como tudo em Candem Town.

Brincando de ser rico em Chelsea

Brincando de ser rico em Chelsea

Ah…Candem Town é uma bairro alternartivo, cheio de punks capitalistas (que pedem uma Libra pra serem fotografados), lojas bacanas e muita gente descolada. Lá se vê de tudo, desde calças com estampa de folha de maconha, pessoas adeptas do body modification com chifres e olhos coloridos e até um túnel cheio de estátuas de cavalos (que na verdade é um mercado). Em Candem Town o coxinha é você que usa roupa Hollister.

Também estive em Chelsea, o bairro dos ricos ingleses. Passeei por lá e fotografei suas casinhas bonitas e suas mansões. Bem legal o reduto do povo posh (rico). Também dei um pulo na Harrods, a loja de quem tem muita grana (só para ver como é ser rico por lá). Bon Jovi também esteve em Chelsea, mas foi lá cantarolar meia noite. Eu como sou bom moço, dormia durante à noite londrina.

O mundo pode ser bem pequeno, às vezes

O mundo pode ser bem pequeno, às vezes

Museus, vocês são meus

Londres tem uma vida cultural fantástica, mas como o tempo era curto, me concentrei em visitar museus. O que mais curti, sem dúvida, foi o Museu de História Natural, que fica localizado na Exhibition Road, no bairro de South Kensington. O museu é maravilhoso. Logo de entrada você já dá de cara com o esqueleto de um dinossauro gigante (ou seria o esqueleto gigante?). Além dos fósseis dos bichões, há dezenas de salas que o visitante aprende interativamente sobre animais, plantas e o corpo humano. É fantástico. Voltando aos dinos, há uma sala que tem réplicas animadas dos primos do Horácio. Também exibem um vídeo como vários dinossauros famosos (tem até o Denver, o Dinossauro). Eu vou deixar as fotos falarem por mim.

O dinossauro se mexe, faz barulho e ainda canta punk rock (essa última parte é mentira)

O dinossauro se mexe, faz barulho e ainda canta punk rock (essa última parte é mentira)

Outro museu fantástico é o Museu de Ciência. A interatividade também é um chamariz e tanto (pena que chegamos meia hora antes das suas portas fecharem). Também fomos conferir o belíssimo Victoria Museum (onde levei uma bronca básica por tentar fotografar um quadro). Aproveitamos o sol para curtirmos o parque que fica atrás do Victoria. Também fiz uns cliques da alegria das crianças branquinhas todas felizes com o verão.

Londres voltar ou não voltar?

Olha, Londres é uma cidade e tanto. Tem gente que não gosta porque se trata de uma metrópole.
Tem gente que ama porque se trata de uma mistureba cultural.
Eu desejo voltar para fazer o que não fiz e conferir de perto algum jogo da Premier League, o Brasileirão Inglês. Também quero voltar para rever os amigos que lá moram e talvez oferecer um ensaio fotográfico para os pais do bebê real.

Vai que cola?

Olha o sorriso de volte sempre do guarda simpático

Olha o sorriso de volte sempre do guarda simpático

Eis algumas fotos extras.
No próximo post, falo da divertida e espirituosa Amsterdã.
As impressões sobre Londres podem ser encontradas aqui.

Fui fazer uma ligação, mas quase mudou a intenção

Fui fazer uma ligação, mas quase mudou a intenção

Olha o marmanjo no meio das crianças tentando pegar os peixes 3d com a mão

Olha o marmanjo no meio das crianças tentando pegar os peixes 3d com a mão

Saint James Parks. Muito bom para sentar e ficar numa relax

Saint James Parks. Muito bom para sentar e ficar numa relax

Punk capitalista de Candem Town

Punk capitalista de Canden Town

A belíssima Abadia de Westiminster

A belíssima Abadia de Westiminster

Artistas de rua se apresentam. Cantam muito bonito. Ao fundo, a Millennium Bridge

Artistas de rua se apresentam. Cantam muito bonito. Ao fundo, a Millennium Bridge

A famosa cerimônia da troca da guarda real

A famosa cerimônia da troca da guarda real

No fim de tarde, eu e Marcião fomos passear no parque. Além de conhecermos um monte de gente, fiz uns cliques do centrão de London

No fim de tarde, eu e Marcião fomos passear no parque. Além de conhecermos um monte de gente, fiz uns cliques do centrão de London

Snoop Lion

Snoop Lion

O chinês mais estiloso de Londres

O chinês mais estiloso de Londres

Houseguard e, ao fundo, a famosa London Eye

Houseguard e, ao fundo, a famosa London Eye

Ah, Candem Town

Ah, Candem Town

As mina pá de London

As mina pá de London

Gratuito, o Museu de História Natural é uma ótima pedida para turistas. Vale muito a visita

Gratuito, o Museu de História Natural é uma ótima pedida para turistas. Vale muito a visita

A molecada pira com o verão, literalmente

A molecada pira com o verão, literalmente

Moncha e a London Bridge. Sortuda, ganhou fotos ótimas

Moncha e a London Bridge. Sortuda, ganhou fotos ótimas

Beto Jamaica pagando de gatão próximo ao Palácio de Buckingham

Beto Jamaica pagando de gatão próximo ao Palácio de Buckingham

Interativo, o Museu de Ciência também pede horas e horas de visita

Interativo, o Museu de Ciência também pede horas e horas de visita

Gente estilosa o tempo todo

Gente estilosa o tempo todo

O Palácio de Buckingham fica lotadaço durante o verão. Quem odeia muvuca deve visitar Londres entre Agosto e Setembro

O Palácio de Buckingham fica lotadaço durante o verão. Quem odeia muvuca deve visitar Londres entre Agosto e Setembro

Jorge Ben é maior que o Big Ben

Jorge Ben é maior que o Big Ben

Londres é uma cidade que pede pelo menos uma semana de visita

Londres é uma cidade que pede pelo menos uma semana de visita

Uma outra visão do Parlamento Inglês. Lá parece que os políticos trabalham sério

Uma outra visão do Parlamento Inglês. Lá parece que os políticos trabalham sério

Olha o charmoso táxi inglês. Ele parece pequeno, mas comporta na boa a torcida do Botafogo e do Santos juntas

Olha o charmoso táxi inglês. Ele parece pequeno, mas comporta na boa a torcida do Botafogo e do Santos juntas

Pausa para uma foto antes de pedir umas Libras para completar a passagem de volta para o Brasil

Pausa para uma foto antes de pedir umas Libras para completar a passagem de volta para o Brasil


3 Comentários

Quando os meninos viram homens meninos

Parece que foi ontem, mas não foi.

Isso é de 2003. Note que as pessoas mais inteligentes sempre ficam no extremo

Isso é de 2003. Note que as pessoas mais inteligentes sempre ficam no extremo da foto

Era o primeiro dia de aula do curso de Jornalismo da PUC Campinas e minha segunda tentativa de me formar na área, já que eu havia falhado miseravelmente na primeira tentativa (nem vou contar a história mexicana do sujeito que não conseguira a bolsa prometida e ficara endividado até a Copa de 2014). Bem, o ano era 2003 e as pessoas ainda faziam piadinhas sobre o Corinthians não ter ganho a Libertadores e médicos cubanos eram figurantes em “Diários de Motocicleta”.

Faculdade nova, novas oportunidades e novas descobertas. Lembro que no primeiro dia me direcionei ao fundo da sala onde havia uma galera mais jovem e nerd. Arranjei uma carteira entre os juvenis e logo conheci um japonês cabeçudo como o gato robótico Doraemon.

O que me chamou atenção no jovem era seu senso de humor cheio de sarcasmo e ironia, além de muita inteligência (diga-se de passagem, essa última característica é cada vez mais rara no Jornalismo).

Ô, o Renatão casou...Ô, o Renatão casou...

Ô, o Renatão casou…Ô, o Renatão casou…

Como alguém lá de cima mexe os pauzinhos e o improvável acontece, logo o menino marrom da Vila Bela se tornou amigo do menino japa do Cambuí. Apesar de termos origens tão diferentes e sermos pessoas de realidades completamente opostas, ainda éramos jovens estudantes de Jornalismo, fãs de quadrinhos e literatura e, obviamente, aficionados por games. Amizade não tem cor de pele e nem preferência por plataforma de games (Renato sempre foi pczista, eu consolista)

Durante a faculdade, por diversas vezes o japonês cabeçudo me ajudou. Seja nas caronas para o menino bolsista que, no tempo das vacas anoréxicas, tinha bastante problemas para se manter no curso. Fizemos trabalhos juntos, jogamos Playstation 2, discutíamos sobre livros e zoávamos coleguinhas de classe (tá, os caras pediam).

Até no meu TCC (sim, aquele livro chamados Negros Heróis: histórias que não estão no gibi), o oriental brincalhão teve participação (eu estava em casa terminando de editar o livro e, se não fosse meu amigo Doraemon, não teria entregue o TCC a tempo).

Enfim.

O nome desse sujeito é Renato Abe, mas como amizade masculina é sincera, sempre o chamei de várias formas: Renatão, Japa, Renato ABC, GB, Paid Bitch, Sumarudicu e tantas outras maneiras carinhosas e impublicáveis neste blog familiar e de princípios que encheriam de orgulho o Marco Feliciano.

Após dez anos de amizade, finalmente vejo o noivo com o cabelo penteado (prazer que nunca lhe darei)

Após dez anos de amizade, finalmente vejo o noivo com o cabelo penteado (prazer que nunca lhe darei)

No dia 25 de Setembro Agosto de 2013, tive mais uma vez a chance de fazer parte da vida do meu irmão de olhos esticados e um pouquinho mais avantajado fisicamente. Renato, que é a ovelha oriental negra de uma família que optou pela Medicina é jornalista (sim, falei de novo para ressaltar sua escolha corajosa) e se casou com a Dra. Silvia, uma doce neonatalogista (pediatra que cuida de bebês bem bebês mesmo), que também é filha da PUC.

Como disse no parágrafo anterior, lá estava eu como amigo, fotógrafo, convidado e cronista de um dia daqueles de encher os olhos de marmanjo de ciscos até eles chorarem. Geralmente, quando sou contratado para fotografar um casamento é porque as pessoas acreditam no meu trabalho e gostam do que eu faço. No caso do Renato, rolou uma responsabilidade extra já que os familiares dele me conhecem desde quando as pessoas não me chamavam de Seu Jorge.

Olha a Dra. Silvia se preparando para o grande momento. Spray (não de pimenta) nela

Olha a Dra. Silvia se preparando para o grande momento. Spray (não de pimenta) nela

Para me auxiliar nessa missão de fotografar o casamento que envolve uma família japonesa (o que significa que haveria muita gente fotografando o tempo todo), estrategicamente escolhi uma segunda fotógrafa muito especial: Lilian Higa. Embora ela tenha olho da japa, cara de japa e cabelo de japa, a Lilian é muito japaraguaia e extremamente talentosa (confiram aqui seu último projeto).

Com o time completo, variado culturalmente e mais confiável que as Carnes Friboi, mandamos ver nos cliques.

Embora o Renatão estivesse desconfiado que o tempo iria estar feio (até pensou em alugar aquecedores, tsc, tsc), o dia foi maravilhoso e tive a sorte de fotografar um dos casamento mais bacanas que já presenciei. Todo casamento tem um quê de especial e o casamento de gente amiga, que adoro de coração e que sempre me auxiliou quando precisei, não tinha como não ser diferente.

Creio que como eu, todos têm a impressão que o Renato nasceu pra Silvia e a Silvia tem superpoderes pra aguentar esse japonês grandão de coração enorme. Parece clichê de novela das nove, mas quem os conhece, sabe que não estou fazendo doce.

Quando as pessoas riem do fotógrafo

Quando as pessoas riem do fotógrafo

Divertido como não poderia deixar de ser, já que o noivo é um fanfarrão, o casamento teve momentos de muita descontração. Com olhos brilhando, a Dra. Silvia disse que o Renato é uma pessoa muito boa, sem egoísmo e que sempre tenta ver todo mundo bem. Eu, com os olhos por trás da câmera, concordei com cada sílaba. No altar, ela também disse que Renato é um fofo e todos os presentes sem encantaram. Por sua vez, Renatão, sempre muito bom com as palavras, resumiu a dona da pensão como  “espetáculo”.

Frases bem colocadas e certeiras que marcaram um dia de céu azul, muita foto (sim, tinha muito japoneses na festa mesmo), papos divertidos, um pouco da tensão pré-casamento e reencontro com gente que eu não via há muito.

Creio que a minha missão foi cumprida com êxito. Aos noivos e amigos, desejo toda felicidade do mundo pois são pessoas que realmente se merecem. Nem é preciso ser gênio para captar essa conexão bacana (pediatras gostam de crianças, logo a Silvia se encantou com o Renato).

Ah, não posso deixar de mencionar a máquina Polaroid que os noivos disponibilizaram para que os convidados pudessem levar retratos para casa. Nos divertimos muito (claro que eu também entrei na dança e guardei uma foto para lembrar para sempre desse dia tão bacana).

"Olha você no vídeo da retrospectiva"

“Olha você no vídeo da retrospectiva”

Um abraço para os Abe e para os Rodrigues, famílias que nos receberam muito bem (inclusive a tia do Renato que disse que meu nome é nome de anjo).

Um beijo pra Silvia e um abraço meu japa cabeçudo predileto. Obrigado por ser meu amigo, cara.

Felicidades mil pra todo mundo. Chega de falar.

Eis alguns cliques:

Dança dos artistas

Dança dos artistas

O noivo contando piadas para Dona Áurea, sua mãe

O noivo contando piadas para Dona Áurea, sua mãe

Silvia já passou a usar a magia da multiplicação

Silvia já passou a usar a magia da multiplicação

Olha o Renato quando era pequeno. Olha a lata desse fofo

Olha o Renato quando era pequeno. Olha a lata desse fofo

Após o momento de tensão, um relax na limousine

Após o momento de tensão, um relax na limousine

Renato é fofo. Silvia é espetáculo. Roniel é o Seu Jorge

Renato é fofo. Silvia é espetáculo. Roniel é o Seu Jorge

Muito bom ver os amigos queridos realizando sonhos

Muito bom ver os amigos queridos realizando sonhos

Tá no sangue a fotografia. Não tem jeito

Tá no sangue a fotografia. Não tem jeito

Apesar da preocupação com o clima, o dia foi lindão

Apesar da preocupação com o clima, o dia foi lindão

As amigas dras. da dra. também fizeram a festa no salão

As amigas dras. da dra. também fizeram a festa no salão

Pre-par-ra

Pre-par-ra

Smack

Smack

Quando a foto vale mais que mil palavras do El Marronzito

Quando a foto vale mais que mil palavras do El Marronzito

Longe do plantão. Uhu

Longe do plantão. Uhu

Viva, viva

Viva, viva

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